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China reduz dependência de investimentos e acelera transição para inovação e consumo

Publicado 26/08/2026 • 19:32 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Hsia Hua Sheng, professor da FGV, avalia que a China vive uma transição do modelo baseado em investimentos para uma economia focada em inovação e tecnologia.
  • Importações chinesas cresceram mais que as exportações nos primeiros sete meses do ano, impulsionadas pela compra de equipamentos de alta tecnologia e soluções ligadas à IA.
  • Expansão do setor de serviços, maior seguridade social e novas tecnologias devem fortalecer o consumo interno nos próximos anos.

A China passa por uma transição de seu modelo econômico, deixando gradualmente uma estrutura baseada em investimentos em ativos fixos e indústrias tradicionais para ampliar a inovação tecnológica, a economia verde e o consumo interno. A avaliação é do professor de Finanças Internacionais da FGV, Hsia Hua Sheng, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Sheng, o consumo interno chinês ainda apresenta um ritmo mais lento em alguns setores, mas isso não significa que o modelo econômico do país tenha chegado a um limite estrutural. A transição chinesa precisa ser analisada para além das exportações.

Ele destacou que o país também vem ampliando suas importações, especialmente de equipamentos de alta tecnologia e soluções ligadas à inteligência artificial. Nos primeiros sete meses do ano, as exportações chinesas cresceram 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as importações avançaram entre 26% e 27%.

“É importante olhar a importação também. A China está importando vários equipamentos de alta tecnologia e tecnologia relacionada à inteligência artificial para melhorar a cadeia produtiva e atender a esse novo modelo de crescimento baseado na inovação”.

Um dos principais receios de países como o Brasil e economias europeias é que uma eventual capacidade excedente da indústria chinesa resulte em uma entrada maior de produtos baratos nos mercados internacionais, aumentando a pressão sobre a indústria local.

O professor destacou que o aumento das importações de produtos chineses por alguns países também está relacionado à busca por alternativas para reduzir a pressão inflacionária. O avanço dos custos de energia, agravado por conflitos no Oriente Médio, pode aumentar a demanda por produtos manufaturados mais baratos.

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“Assim que terminar essa pressão, esses países provavelmente vão reduzir suas importações e, naturalmente, a China também vai reduzir a produção, de tal forma que o mercado se equilibra”, disse.

A alta dos preços do petróleo também representa um fator de atenção para a China, um dos principais importadores mundiais da commodity. Sheng ressaltou, no entanto, que o país vem reduzindo gradualmente sua dependência de combustíveis fósseis com mudanças em sua matriz energética.

O avanço de fontes renováveis, hidrelétricas e solares reduz parte da exposição chinesa ao petróleo.

Além disso, segundo o professor, a estrutura produtiva do país permite que parte dos impactos de um choque nos preços seja absorvida ao longo de uma cadeia de produção mais extensa.

“A China tem um ecossistema de produção e uma cadeia de suprimentos mais longa e completa. O impacto de um choque de preços na origem pode ser absorvido em várias etapas da cadeia produtiva”, explicou.

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