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Além de primeira-dama: como Cilia Flores atuava como intermediária do poder na Venezuela?

Publicado 05/01/2026 • 15:44 | Atualizado há 2 dias

KEY POINTS

  • No último sábado (03/01), durante uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
  • No discurso oficial do governo venezuelano, Cilia Flores rejeita o rótulo protocolar de primeira-dama e prefere ser chamada de “primeira-combatente”.
  • Com a retirada do casal do cenário venezuelano, analistas avaliam que a ausência de Flores deixa um vácuo na articulação interna do chavismo.
Cilia Flores; Reprodução Instagram: @florescilia

Cilia Flores; Reprodução Instagram: @florescilia

Quem é Cilia Flores e por que ela era a principal intermediária do poder no regime de Maduro

No último sábado (3), durante uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e os retiraram do país para responder a acusações na Justiça americana.

A inclusão da primeira-dama na ação não foi casual. Advogada, ex-chefe do Legislativo e figura central do chavismo, Flores atuou por anos como a principal intermediária do poder na Venezuela, conectando decisões políticas, controle institucional e lealdades que sustentaram o regime.

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No discurso oficial do governo venezuelano, Cilia Flores rejeita o rótulo protocolar de primeira-dama e prefere ser chamada de “primeira-combatente”.

A escolha do termo não é simbólica, ela reflete uma atuação política direta, alinhada à Revolução Bolivariana desde a ascensão de Hugo Chávez, e um papel ativo na manutenção do poder após a morte do ex-presidente, segundo a matéria publicada no jornal The New York Times.

Segundo Zair Mundaray, ex-procurador sênior que atuou tanto na gestão de Hugo Chávez quanto na de Nicolás Maduro, ela ocupa um papel central nos esquemas de corrupção do país e na engrenagem do poder venezuelano.

“Ela é uma figura fundamental na corrupção na Venezuela — absolutamente fundamental — e especialmente na estrutura de poder”, afirmou. Para ele, há quem a veja como alguém ainda mais estratégica e sagaz do que o próprio Maduro.

Origem e ascensão política

Nascida no estado de Cojedes, Flores construiu carreira como advogada e se aproximou de Chávez nos anos 1990, quando atuou em sua defesa após a tentativa de golpe de 1992.

A relação abriu caminho para sua entrada no núcleo duro do chavismo. Filiada ao Partido Socialista Unido da Venezuela, ocupou postos estratégicos no Parlamento e, em 2006, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional, cargo que exerceu até 2011.

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A partir do Legislativo, Flores ampliou sua influência sobre o funcionamento do Estado, ela exerceu a Procuradoria-Geral entre 2012 e 2013 e, mesmo sem cargos formais depois disso, manteve ascendência sobre nomeações e decisões-chave, de acordo com a reportagem publicada no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Sua força residia na capacidade de articular interesses entre Executivo, Parlamento e Judiciário, funcionando como ponte entre Maduro e as engrenagens institucionais do país.

Controle nos bastidores

Enquanto Maduro assumia a linha de frente do governo, Flores operava longe dos holofotes. Sua atuação nos bastidores ajudou a consolidar alianças, neutralizar dissidências internas e assegurar fidelidade em órgãos sensíveis, especialmente no sistema judicial.

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Esse controle indireto garantiu previsibilidade ao regime em momentos de crise política e pressão internacional.

A trajetória de Flores também é marcada por controvérsias, acusações de nepotismo surgiram durante sua gestão no Legislativo, e casos envolvendo familiares ganharam repercussão internacional, incluindo a prisão de sobrinhos acusados de tráfico de drogas.

Ela e Maduro foram alvo de sanções e restrições de entrada em diversos países, o que reforçou a percepção externa de que ambos integravam o mesmo centro decisório.

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Por que ela foi capturada?

A captura de Cilia Flores com Maduro sinaliza o reconhecimento de que o poder na Venezuela não se concentrava apenas na Presidência.

Ao longo de décadas, Flores atuou como intermediária do regime, coordenando interesses, influenciando decisões e sustentando a arquitetura política que manteve o chavismo no comando. Para investigadores americanos, responsabilizá-la significa atingir o núcleo que operava por trás do trono.

Com a retirada do casal do cenário venezuelano, analistas avaliam que a ausência de Flores deixa um vácuo na articulação interna do chavismo.

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Mais do que esposa do presidente, Cilia Flores foi a gestora das conexões que mantiveram o sistema funcionando.

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