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Civilização que Trump ameaçou eliminar tem 3 mil anos e já derrotou os maiores impérios da história; conheça o povo persa

Publicado 08/04/2026 • 15:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Trump disse que "uma civilização inteira morrerá esta noite" ao ameaçar destruir o Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.
  • Pérsia sobreviveu a Alexandre, o Grande, às Guerras Médicas e a séculos de invasões - e segue como potência energética e científica.
  • Irã tem 90 milhões de habitantes, terceira maior reserva de petróleo do mundo e maioria feminina nas universidades há mais de duas décadas.
Ilustração do Nascer do sol na Apadana, Persépolis. As majestosas colunas remanescentes e os baixos-relevos intrincados do salão de audiências de Dario, o Grande, narram a história da antiga capital cerimonial da Pérsia (cerca de 518 a.C.)

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Ilustração do Nascer do sol na Apadana, Persépolis. As majestosas colunas remanescentes e os baixos-relevos intrincados do salão de audiências de Dario, o Grande, narram a história da antiga capital cerimonial da Pérsia (cerca de 518 a.C.)

Em mais um de seus arroubos na rede social, Donald Trump escolheu palavras que nenhum presidente americano jamais havia dito publicamente. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada“, escreveu o presidente dos Estados Unidos, dando um prazo ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz sob ameaça de destruição total.

Especialistas em direito internacional classificaram a declaração como ameaça de genocídio e grave violação às normas que regem a convivência entre nações. O que Trump talvez não tenha medido é a extensão do que prometia apagar.

A civilização persa tem entre 2,5 mil e 3 mil anos. Já resistiu a Alexandre, o Grande. Já derrotou os gregos nas Termópilas. Já sobreviveu aos mongóis, às Cruzadas, à Revolução Islâmica e a quatro décadas de sanções econômicas. Desde o período neolítico, há ocupação humana na região do atual Irã, o que pode chegar a até 10 mil anos atrás.

Origem de um povo que inventou o mundo moderno

Por volta de 1000 a.C., um grupo de nômades indo-europeus se estabeleceu na região sul do Irã, conhecida por Persis. Esses nômades, chamados parsas, começaram a ser conhecidos como persas pelo mundo ocidental antigo.

Foram eles que criaram o primeiro grande Estado multiétnico da história. Quem deu início ao Império Persa foi Ciro, o Grande, entre 560 a.C. e 529 a.C. O desenvolvimento da civilização deve-se principalmente a Dario I, o Grande. Sob Dario, o império se estendeu do Mediterrâneo ao atual Paquistão, do Egito ao Cáucaso. Era o maior do mundo conhecido.

Em 539 a.C., Ciro conquistou a Babilônia, um dos centros políticos e culturais mais importantes do Oriente Médio no período. A conquista ficou marcada por uma política de tolerância com os povos dominados, registrada no chamado Cilindro de Ciro, um dos primeiros documentos de política imperial voltada à administração de diferentes povos.

Tolerância não era fraqueza, mas um método moderno para época. Os persas não destruíam os templos dos povos conquistados, não proibiam línguas, não impunham a cultura de Persépolis sobre Babilônia ou Egito. Na maioria dos casos, mantinham os antigos governantes em seus postos e preservavam a autonomia dos territórios conquistados. Era um modelo de dominação que o Ocidente levaria séculos para formular em teoria.

🔍 O que foi o Cilindro de Ciro? Artefato de argila do século VI a.C. descoberto na Babilônia em 1879. Contém um decreto de Ciro, o Grande, garantindo liberdade religiosa e de retorno às populações deportadas. É considerado por muitos historiadores um dos primeiros documentos sobre direitos humanos da história.

Maratona, Termópilas e a guerra que moldou o Ocidente

A Pérsia não construiu seu império sem sangue. E foi na colisão com a Grécia que a civilização persa entrou para o imaginário ocidental, ainda que quase sempre do lado errado da narrativa.

Em 490 a.C., uma força persa de mais de 20 mil homens foi enviada pelo Mar Egeu em direção à Grécia. Foi rechaçada por cerca de dez mil atenienses, chefiados pelo general Milcíades, na planície de Maratona. A derrota foi real, e a humilhação, também.

Dez anos depois, o filho de Dario tentou vingar o pai. Xerxes I mobilizou em 480 a.C. um dos maiores exércitos que o mundo antigo havia visto, com mais de 250 mil combatentes, além de uma poderosa frota naval. Ele avançou sobre a Grécia por terra e por mar.

No desfiladeiro das Termópilas, esse exército foi barrado por dois dias por apenas sete mil gregos de diversas cidades-estado, liderados por 300 espartanos sob o comando do rei Leônidas. Os espartanos morreram. Os persas avançaram. Xerxes chegou a Atenas e incendiou os principais edifícios e monumentos, inclusive a Acrópole.

A vitória persa foi interrompida não por falta de força, mas por estratégia naval. Na Batalha de Salamina, as trirremes gregas destroçaram a frota persa nas águas estreitas do canal. Em 448 a.C., foi assinada a Paz de Cálias, e os persas reconheceram a independência das cidades gregas da Ásia Menor.

A guerra entrou para a história como derrota persa. O que raramente se conta é que a Pérsia continuou existindo por mais dois séculos após Maratona, dominando o maior território do mundo antigo.

Alexandre destrói Persépolis e a Pérsia absorve o vencedor

O fim do Império Aquemênida chegou de onde ninguém esperava: um jovem rei macedônio de 22 anos. A Pérsia Aquemênida, que havia unido povos e reinos de todas as principais civilizações de uma vasta região, desmoronou em apenas oito anos diante de Alexandre, o Grande.

Alexandre queimou Persépolis em 330 a.C. Capturou Dario III. Proclamou-se rei da Ásia. Mas o que aconteceu em seguida é o que a história persa tem de mais revelador, pois a Pérsia não desapareceu, ela absorveu o conquistador.

Alexandre adotou vestimentas persas, casou-se com nobres iranianas, incorporou generais persas ao seu exército, e seus sucessores, os selêucidas, governaram sobre um território essencialmente persa com métodos essencialmente persas. Quando os partos, uma dinastia iraniana, expulsaram os selêucidas no século II a.C., foi como se a Pérsia tivesse simplesmente voltado a si mesma.

O período safávida, iniciado no século XVI, é visto pelos historiadores como uma ponte entre a antiga Pérsia e o Irã moderno, com a adoção do islamismo xiita como religião oficial e uma intensa renascença cultural e política que reafirmou a identidade iraniana sobre séculos de dominação estrangeira.

O zoroastrismo que moldou o judaísmo e o cristianismo

Poucos sabem, mas boa parte das ideias que organizam o pensamento religioso ocidental tem raízes no planalto iraniano.

O zoroastrismo, religião fundada pelo profeta Zoroastro no atual Irã, foi a primeira tradição monoteísta a formular a ideia de que existe um bem absoluto em oposição a um mal absoluto. Essa noção filosófica passou para o judaísmo durante o período de domínio persa sobre a Babilônia, a partir de 539 a.C., e de lá chegou ao cristianismo e ao islamismo.

O antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense, foi direto: “A nossa civilização também é herdeira da civilização do império persa, não é uma civilização exótica.”

🔍 O que foi o zoroastrismo? Religião fundada pelo profeta Zoroastro no atual Irã, provavelmente entre 1500 a.C. e 600 a.C. Baseava-se na dualidade entre o bem (Ahura Mazda) e o mal (Arimã). Influenciou diretamente o judaísmo durante o período de domínio persa sobre a Babilônia e deixou traços no apocalipsismo cristão e no conceito islâmico de Julgamento Final.

Pérsia no século XX: revolução, guerra e sanções

O nome oficial mudou em 1935, quando o xá Reza Pahlavi solicitou formalmente que a comunidade internacional adotasse o nome nativo do país. Irã significa “terra dos arianos”. Mas a identidade persa permaneceu. A língua permaneceu, a literatura permaneceu. Hafez, Rumi, Omar Khayyam continuaram sendo lidos.

A Revolução Islâmica de 1979 radicalizou o regime e inaugurou o isolamento internacional. Desde então, a inflação irrompe em dois dígitos quase todos os anos. Um item que custava 100 rials em 1960 custa mais de 2 milhões de rials em 2025.

Vieram as sanções, veio a guerra com o Iraque entre 1980 e 1988, que matou centenas de milhares de pessoas de ambos os lados. A moeda nacional, o rial, perdeu cerca de 800% de seu valor desde 2020, chegando a negociar entre 1,42 e 1,5 milhão por dólar no final de 2025.

O colapso monetário não apagou a civilização, mas apagou o poder de compra. Coisas diferentes.

País real: 90 milhões de pessoas, petróleo e engenheiras

O Irã que Trump prometeu eliminar em uma noite é um país de mais de 90 milhões de habitantes, com PIB de US$ 356 bilhões em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Detém 208 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, ocupando a terceira posição no mundo e respondendo por cerca de 11,8% das reservas totais do planeta. Tem também a segunda maior reserva de gás natural do mundo, atrás apenas da Rússia.

O país possui uma das maiores populações de engenheiros do mundo, em volume comparável ao dos Estados Unidos, apesar de ter uma população significativamente menor. Instituições como a Universidade de Teerã e a Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã figuram entre as referências regionais em pesquisa aplicada, nanotecnologia e biotecnologia.

E sobre quem ocupa essas universidades, os dados contradizem o senso comum ocidental. Em 2001, o número de mulheres nas instituições de ensino superior iranianas superou o de homens pela primeira vez. Hoje, elas representam mais de 60% dos estudantes universitários do país. Nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, as mulheres chegam a 70% dos graduados, proporção que inverte a de praticamente todos os países ocidentais.

Ormuz e o ultimato

O contexto imediato da ameaça de Trump é o bloqueio do Estreito de Ormuz. Por ali circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. O Irã fechou a passagem como resposta aos ataques coordenados de Estados Unidos e Israel iniciados em 28 de fevereiro.

O petróleo Brent subiu 60% em março, o maior aumento mensal já registrado. A Agência Internacional de Energia classificou a crise como mais severa do que a soma das crises energéticas de 1973, 1979 e 2022.

Trump respondeu com o ultimato do dia 7. No início da noite, recuou ao aceitar uma proposta do Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas. O Irã confirmou que também aceitou a pausa. A ameaça, porém, já havia sido feita.

Até aquele momento, a Unesco estimava que 160 monumentos históricos haviam sido danificados ou destruídos pelos ataques. Autoridades iranianas relataram que, desde 28 de fevereiro, pelo menos 300 unidades de saúde e cerca de 600 centros educacionais, incluindo escolas e universidades, foram atingidos.

Uma civilização que atravessou Ciro, Alexandre, os califados árabes, Gengis Khan, o colonialismo britânico, a Revolução Islâmica e quatro décadas de sanções. Que deu ao mundo o conceito de direitos humanos antes de Cristo, a geometria dos grandes jardins, a poesia de Hafez e Rumi e os fundamentos da álgebra que sustentam a matemática moderna.

Ao final do prazo, Trump voltou atrás, não atacou o Irã e cantou vitória na internet, como praxe.

Pérsia além da guerra: feitos que moldaram o mundo moderno

A civilização persa deixou marcas que vão muito além dos campos de batalha. Parte do vocabulário, da ciência e dos hábitos cotidianos do mundo contemporâneo tem raízes no planalto iraniano.

Palavra que significa paraíso

A palavra “paraíso” vem do persa antigo pairidaeza, que significava jardim murado. Os persas inventaram o conceito de jardim como espaço de contemplação e beleza, e essa ideia atravessou o grego, o latim e chegou às línguas modernas com o mesmo significado espiritual que os persas lhe deram há mais de 2.500 anos.

Primeiro correio do mundo

Dario I criou o primeiro sistema postal organizado da história. A Estrada Real tinha mais de 2.700 quilômetros ligando Susa a Sardes, com postos de revezamento e cavaleiros frescos a cada 25 quilômetros. Uma mensagem cruzava o maior império do mundo antigo em menos de uma semana. O sistema romano de comunicações foi modelado sobre esse projeto persa.

Inventor da álgebra

O matemático persa Al-Khwarizmi, nascido no século IX, inventou a álgebra. Seu nome latinizado originou a palavra “algoritmo”. Sem essa contribuição, não existiriam computadores, inteligência artificial nem criptografia moderna. A matemática que organiza o mundo digital tem endereço no planalto iraniano.

Pai da medicina ocidental

Ibn Sina, conhecido no Ocidente como Avicena, nasceu em 980 no atual Irã e escreveu o Cânon da Medicina, enciclopédia que foi o principal livro de referência das universidades europeias por mais de 600 anos. Ele descreveu a quarentena, a transmissão de doenças pela água e pelo solo e o papel da mente na saúde física, séculos antes de a ciência ocidental chegar às mesmas conclusões.

Primeiro documento de direitos humanos

O Cilindro de Ciro, de 539 a.C., é reconhecido pela ONU como um dos primeiros registros de direitos humanos da história. Ciro libertou os judeus cativos na Babilônia, permitiu que povos deportados voltassem às suas terras e garantiu liberdade religiosa aos povos conquistados. O original está no Museu Britânico, em Londres.

Xeque-mate vem do persa

O polo foi inventado na Pérsia por volta do século VI a.C., como treinamento de cavalaria. O xadrez chegou à Pérsia vindo da Índia no século VI d.C. e foi refinado e difundido pelos persas pelo mundo árabe e depois europeu. A expressão “xeque-mate” vem do persa shah mat, que significa “o rei está morto”.

Poeta mais lido nos Estados Unidos

Jalal ad-Din Rumi, nascido em 1207 e de cultura persa, é até hoje o poeta mais vendido nos Estados Unidos. Hafez, do século XIV, é considerado por muitos estudiosos o maior lírico da história da língua persa. Johann Wolfgang von Goethe os admirava e citava abertamente em sua obra.

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