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Acordo entre EUA e Irã é mais frágil que pacto firmado por Obama; entenda
Publicado 18/06/2026 • 11:40 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/06/2026 • 11:40 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O acordo de paz provisório firmado entre Estados Unidos e Irã é mais frágil do que o pacto nuclear negociado durante o governo de Barack Obama, segundo o professor de Relações Internacionais da Faap, Alexandre Coelho. Para ele, diversos pontos do novo entendimento aumentam as incertezas sobre sua sustentação no longo prazo, apesar do alívio imediato provocado nos mercados globais.
Em entrevista nesta quinta-feira (18) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele lembrou que uma das principais diferenças em relação ao acordo anterior é que o programa de mísseis iraniano será mantido, algo que havia sido alvo de críticas de Donald Trump quando decidiu abandonar o pacto firmado pela gestão Obama. “Os mísseis iranianos não vão ser desativados. O programa de mísseis do Irã será mantido. Essa era uma das razões pelas quais Trump tinha rejeitado e criticado o acordo anterior”, destacou.
Coelho também ressaltou que o novo tratado prevê a liberação gradual de ativos iranianos congelados no exterior e mecanismos de compensação financeira ao país, medidas que não faziam parte do entendimento anterior. “O Irã terá direito a receber uma indenização pelos danos de guerra. Os Estados Unidos vão ajudar a reconstruir o Irã depois desse conflito”, observou.
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Para o professor, o fator decisivo para a mudança de rumo das negociações foi o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado globalmente. Segundo ele, o Irã conseguiu transformar a ameaça ao tráfego marítimo em uma poderosa ferramenta de pressão internacional.
“O conflito começou com foco na questão nuclear, mas o Irã conseguiu inverter essa lógica. O grande problema passou a ser o bloqueio do Estreito de Ormuz”, afirmou. Na avaliação do especialista, a ameaça contra petroleiros elevou preocupações sobre inflação, preços de energia e crescimento econômico em diversas regiões do mundo.
O professor argumentou que a pressão econômica gerada pela situação levou governos e empresas a pressionarem por uma solução rápida. “O bloqueio do Estreito de Ormuz foi fundamental. A pressão política e econômica era tão grande que Trump não via a hora de assinar esse acordo”, pontuou.
Leia também: Trump chama pessoas que criticam acordo com o Irã de ‘invejosas, más ou estúpidas’
Outro elemento que aumenta a vulnerabilidade do entendimento, segundo Coelho, é a posição de Israel. Embora o país não seja signatário do acordo, continua sendo peça central para a estabilidade regional.
“O grande ausente presente é Israel. Ele não assina o acordo e existe até uma fragilidade jurídica por causa disso”, explicou. Na visão do professor, o resultado das negociações acabou produzindo um cenário diferente daquele pretendido pelo governo israelense ao apoiar a ofensiva militar contra o Irã.
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Seguir no GoogleAlém disso, ele acredita que os desdobramentos no Líbano serão determinantes para a sobrevivência da trégua. “O grande desafio será os Estados Unidos conseguirem conter Israel e o Irã conseguir conter o Hezbollah. Se houver novos ataques, esse acordo não dura nem os 60 dias previstos inicialmente”, concluiu.
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