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Choque do petróleo pode pressionar inflação, crédito e crescimento, diz professor da Fipecafi
Publicado 13/04/2026 • 09:08 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 13/04/2026 • 09:08 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
O avanço das tensões no Oriente Médio e o risco de um choque prolongado no petróleo podem ter efeitos amplos sobre a economia, pressionando inflação, crédito e crescimento, segundo avaliação do professor de mercado financeiro da Fipecafi, George Sales. Para ele, o impacto vai além do curto prazo e pode atingir diversos setores de forma desigual.
“O aumento do custo de energia é repassado no preço dos produtos finais”, afirmou Sales ao comentar os efeitos diretos da alta do petróleo sobre a inflação, em entrevista nesta segunda-feira (13) ao Pré-Market – do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, no caso brasileiro, uma elevação de 10% no preço do petróleo pode representar de 2% a 4% da inflação mensal, com impacto disseminado sobre frete e cadeias produtivas.
De acordo com o professor, o encarecimento da energia tem efeito multiplicador na economia. “Se a gente chegar a 20% de aumento no petróleo, podemos dobrar esses pontos percentuais na inflação mensal”, disse, destacando que o impacto atinge desde o transporte até a produção industrial.
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O efeito é ainda mais sensível em países com alta dependência de derivados de petróleo. Sales citou o caso do Japão, onde o setor químico – base para plásticos e embalagens –apresenta cerca de 84% de dependência de insumos ligados ao petróleo. “Isso acaba sendo repassado para toda a cadeia de produtos”, afirmou.
Em um cenário mais extremo, com o barril chegando a US$ 135 (R$ 680,4), o professor avalia que setores com margens mais apertadas tendem a sofrer mais. “As companhias aéreas de baixo custo seriam altamente impactadas”, disse, lembrando que o setor ainda enfrenta dificuldades desde a pandemia.
Além da aviação, ele destaca impactos relevantes sobre a indústria química, automotiva, construção civil e bens de consumo, devido ao uso intensivo de derivados de petróleo. “O problema é bem amplo, o petróleo puxa muita coisa para o centro do aumento de preços”, afirmou.
Segundo Sales, até setores como turismo e cruzeiros podem ser afetados, reforçando o caráter sistêmico do choque energético.
O impacto não se limita ao custo imediato. Para o professor, a incorporação desses preços nas estruturas das empresas pode gerar efeitos mais duradouros. “Quando esse custo entra de forma permanente, afeta investimento, venda de produtos e o crescimento como um todo”, explicou.
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Esse cenário tende a pressionar também o crédito, já que margens menores e custos mais altos reduzem a capacidade financeira das empresas.
Embora alguns setores possam se beneficiar, como defesa e energia, Sales avalia que o efeito positivo é limitado. “Poucos países têm uma indústria de defesa relevante a ponto de compensar a desaceleração global”, afirmou.
No caso de energia, ele destaca oportunidades para fontes alternativas. “Setores como energia solar e eólica tendem a se beneficiar, mas ainda não substituem a dependência do petróleo”, aponta.
Com a inflação pressionada, a tendência é de manutenção de juros elevados. “Taxa de juros alta não é boa para a economia como um todo”, afirmou Sales, citando que os Estados Unidos operam com juros próximos de 4% e que cortes podem ser dificultados.
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No Brasil, o cenário é semelhante. O professor lembra que, na última reunião do Copom, a expectativa de corte foi reduzida diante do risco inflacionário. “Houve receio dos efeitos do petróleo sobre a inflação”, pontua.
Segundo ele, embora o setor financeiro possa ser menos afetado, o impacto geral é negativo. “No geral, juros altos prejudicam a economia como um todo”, concluiu.
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