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Choque do petróleo pode pressionar inflação e atingir múltiplos setores, diz professor da Fipecafi
Publicado 01/04/2026 • 19:24 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 01/04/2026 • 19:24 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O avanço das tensões no Oriente Médio e a possibilidade de um choque prolongado no petróleo tendem a gerar impactos amplos sobre a economia, com efeitos diretos sobre inflação, crédito e atividade. Para George Sales, professor de mercado financeiro da Fipecafi, o aumento dos custos energéticos se espalha rapidamente por diferentes setores.
Segundo Sales, o encarecimento do petróleo acaba sendo repassado ao consumidor final, pressionando toda a cadeia produtiva. “O aumento do custo de energia é repassado no preço dos produtos finais”, afirmou nesta quarta-feira (1) ao Radar, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que o impacto pode ser relevante na inflação. “No caso brasileiro, o aumento de 10% no petróleo pode representar de 2% a 4% da inflação mensal”, disse, acrescentando que uma alta maior poderia ampliar ainda mais esse efeito.
Com isso, o encarecimento se espalha por diferentes áreas. Frete, transporte e movimentação de cargas são diretamente afetados, o que amplia o impacto sobre preços e consumo.
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O professor aponta que alguns setores são mais sensíveis ao custo da energia. “Companhias aéreas de baixo custo seriam altamente impactadas”, afirmou, destacando que essas empresas operam com margens mais apertadas.
Além disso, indústrias intensivas em derivados de petróleo também tendem a sofrer. “O setor químico e a produção de plásticos seriam diretamente afetados”, disse, lembrando que esses insumos estão presentes em diversos produtos.
O impacto se estende ainda a outros segmentos. Setor automotivo, construção civil, produtos domésticos e turismo, incluindo cruzeiros, também entram na lista de áreas pressionadas pelo aumento dos custos.
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Em um cenário mais extremo, o relatório citado considera a possibilidade de forte alta no petróleo. “Eles trabalham com um cenário de estresse em que o barril poderia chegar a 135 dólares”, apontou.
Segundo Sales, esse tipo de movimento tende a provocar efeitos mais duradouros. “O problema é amplo, ele puxa muita coisa para o centro do aumento de preços”, disse, destacando que diversos setores ainda se recuperam dos impactos da pandemia.
Embora alguns setores possam se beneficiar, como defesa e energia, o especialista avalia que isso não equilibra o quadro geral. “É óbvio que não compensa”, afirmou.
Ele explicou que a indústria de defesa é concentrada em poucos países e não tem peso suficiente para impulsionar a economia global. Já no setor energético, há espaço para fontes alternativas. “Energia solar e eólica podem ganhar espaço, mas ainda não substituem o petróleo”, disse.
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O cenário de inflação pressionada tende a afetar também a política monetária. “Mantendo a inflação elevada, os países precisam manter juros altos”, afirmou Sales.
Ele citou o caso dos Estados Unidos, com taxas em torno de 4%, e o Brasil, onde o ambiente também dificulta cortes mais agressivos. “A redução dos juros fica mais difícil com o risco inflacionário”, disse.
Para o especialista, esse ambiente acaba tendo efeitos amplos. “Taxa de juros alta não é boa para a economia de forma geral”, concluiu.
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