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Choque do petróleo pode limitar efeito de subsídio ao diesel e pressionar preços no Brasil, avalia especialista
Publicado 01/04/2026 • 12:58 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 01/04/2026 • 12:58 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
O avanço das tensões no mercado internacional de petróleo e seus reflexos sobre o diesel colocam em dúvida a eficácia das medidas emergenciais adotadas pelo governo brasileiro. Para Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, há risco relevante de que os subsídios e incentivos não sejam suficientes para conter a alta dos combustíveis, diante de um cenário global mais adverso.
Segundo ele, o mercado de petróleo enfrenta um choque de oferta que pode elevar os preços a níveis superiores aos atuais, o que limita o alcance das políticas domésticas. “Eu acredito que tem um risco grande delas não serem suficientes para evitar a subida do preço dos combustíveis no Brasil”, afirmou nesta quarta-feira (1) em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O professor ressalta que, embora o governo esteja atuando para mitigar os efeitos, a população pode ter que conviver com combustíveis mais caros, ainda que em patamares possivelmente inferiores aos de países que não adotaram medidas de alívio. “O governo está fazendo um esforço para mitigar ou diminuir esse impacto, mas isso pode não ser suficiente”, disse.
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Além do controle de preços, Almeida destaca que a prioridade deve ser garantir o abastecimento de diesel no País, diante de dificuldades já observadas em outras regiões. “É importante garantir que tenha diesel nas bombas”, afirmou, citando problemas de oferta em países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, e o risco de avanço dessas restrições para a África.
Na avaliação do especialista, o mercado internacional de derivados passa por um momento de forte desorganização, com diferenças entre os preços negociados no mercado financeiro e no mercado físico. “Quando as pessoas vão comprar uma carga, muitas vezes elas estão muito mais caras do que o que o mercado financeiro está apontando”, explicou.
Esse descompasso, segundo ele, indica uma transformação estrutural no setor. “Nós estamos vivendo um momento de desarranjo e transformação do mercado de petróleo”, disse, ressaltando que o cenário pós-conflito deve consolidar um mercado diferente do atual.
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Almeida também alerta para os riscos associados ao uso intensivo de subsídios. Para ele, países que subsidiam combustíveis tendem a enfrentar maior dificuldade para garantir o suprimento, devido ao impacto fiscal e à perda de credibilidade das empresas estatais. “Isso pode se tornar insustentável”, afirmou.
Ele explica que, quando empresas compram caro no exterior e vendem mais barato internamente, dependem de recursos públicos para cobrir a diferença, o que pode dificultar o acesso a cargas em um mercado competitivo. “Isso pode dificultar acessar os mercados no momento em que as cargas estão sendo disputadas”, disse.
Outro ponto de atenção é o risco de desalinhamento de preços no mercado doméstico. Segundo Almeida, mecanismos complexos de subvenção podem gerar distorções e afetar a segurança do abastecimento, especialmente se houver divergência entre os preços praticados e os valores internacionais.
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O especialista também dimensionou a magnitude do choque atual, destacando a perda de oferta global. “Talvez seja a maior ruptura da oferta de petróleo desde o primeiro choque do petróleo”, afirmou, ao comentar a redução estimada de 12 milhões de barris por dia.
Com um mercado global que gira em torno de 100 milhões de barris diários, a queda representa mais de 10% da oferta mundial, o que, segundo ele, não pode ser compensado por estoques.
Caso esse cenário persista, Almeida prevê agravamento das condições de abastecimento em diferentes regiões. “Já começou a faltar em alguns mercados”, disse, alertando que a situação pode se intensificar, com impactos mais severos em países com menor capacidade de pagamento.
Ele aponta que a África pode ser uma das regiões mais afetadas, enquanto a Europa deve enfrentar custos elevados, embora com menor risco de desabastecimento.
No caso do Brasil, o risco é mais concentrado. “O nosso risco está concentrado no diesel”, afirmou, destacando que a evolução do cenário internacional será determinante para os impactos internos sobre preços, inflação e atividade econômica.
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