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Estreito de Ormuz virou arma central da guerra e dificulta avanço dos EUA, diz professor
Publicado 22/04/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 22/04/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
O Estreito de Ormuz se consolidou como o principal eixo geopolítico da guerra entre Estados Unidos e Irã e passou a ter peso maior que o próprio confronto militar direto, na avaliação de José Luiz Niemeyer, economista e professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ. Segundo ele, a disputa revelou que o controle logístico da região é decisivo para energia, tecnologia e equilíbrio global.
“O Irã e os Estados Unidos perceberam a importância real do Estreito de Ormuz”, afirmou nesta quarta-feira (22), em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para o especialista, a passagem deixou de ser apenas rota de petróleo e gás e passou a influenciar diretamente a corrida tecnológica entre grandes potências.
Niemeyer explicou que o gás transportado pela região contém insumos essenciais, como hélio e outros subprodutos, usados no resfriamento de indústrias avançadas em países como China, Taiwan e Coreia do Sul. “Essas indústrias de alta tecnologia precisam de muita energia e também de resfriamento para produzir plataformas de inteligência artificial e semicondutores”, disse.
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Na avaliação do professor, ao limitar o fluxo no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos também pressionam a capacidade industrial chinesa. “A Casa Branca já percebeu isso e olha o estreito como canal logístico fundamental para frear a corrida tecnológica da China”, explicou.
O especialista também destacou que a guerra atual passou a explorar elementos clássicos da geopolítica, como a própria geografia do estreito, dividido entre Irã e Omã.
Segundo ele, o posicionamento de minas marítimas por forças iranianas teve objetivo estratégico: forçar embarcações a navegar mais próximas da costa iraniana, tornando-as alvos mais vulneráveis. “Isso é geopolítica de verdade. Está se usando uma condição geográfica para projetar poder de um país sobre outro”, pontuou.
Na visão de Niemeyer, o Irã alcançou seu principal objetivo político até o momento: preservar o regime. Já os Estados Unidos enfrentariam enormes dificuldades para impor mudança de governo por via militar. “Uma invasão terrestre seria muito difícil. O Irã é grande, populoso e exigiria enorme custo humano e político”, lembrou.
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Ele acrescentou que a guerra também trouxe desgaste interno para Donald Trump, já que parte do eleitorado americano rejeita envolvimento em conflitos externos. Para o professor, quem mais se beneficiou politicamente foi Israel. “Israel conseguiu fortalecer o apoio interno ao governo Netanyahu diante da percepção de ameaça externa”, explicou.
Niemeyer também destacou o uso crescente de vídeos, redes sociais e inteligência artificial como ferramentas políticas por parte do Irã e de outros países islâmicos. “Os governos islâmicos estão usando mídias alternativas para expor contradições e até ridicularizar o Ocidente em temas ligados à guerra.”
Segundo ele, essa estratégia representa mudança relevante no comportamento comunicacional da região neste século.
Para o especialista, a China tem papel decisivo nas tentativas de cessar-fogo e armistício, ainda que de forma discreta.
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Ele citou como exemplo o fato de negociações ocorrerem no Paquistão, aliado estratégico de Pequim e rival histórico da Índia. “A China trabalha fortemente nos bastidores para garantir trégua, porque recebe boa parte do seu petróleo pelo Estreito de Ormuz”, concluiu.
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