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Como a disputa entre EUA e China afeta a indústria automotiva global?

CNBCChina ganha terreno em IA, mas EUA ainda mantêm vantagem estratégica

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China ganha terreno em IA, mas EUA ainda mantêm vantagem estratégica

Publicado 07/08/2026 • 16:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Modelos chineses reduzem distância para rivais americanos e ampliam adoção global.
  • Restrições a chips avançados ainda limitam o avanço da inteligência artificial chinesa.
  • Especialistas avaliam que os EUA preservam vantagens em infraestrutura e capital.
Como a disputa entre EUA e China afeta a indústria automotiva global?

Foto: Unsplash

Como a disputa entre EUA e China afeta a indústria automotiva global?

No início desta semana, Clément Delangue, CEO da startup Hugging Face — que recentemente foi alvo de um ataque cibernético provocado por modelos da OpenAI — fez uma afirmação considerada controversa: a China estaria vencendo a corrida pela inteligência artificial.

A China está claramente dominando os modelos abertos neste momento, e eu não ficaria surpreso se começasse a dominar também a fronteira da IA até o fim deste ano ou no próximo, considerando o ritmo de avanço”, afirmou Delangue à CNBC.

Apesar das restrições de acesso ao poder computacional mais avançado — área em que os Estados Unidos mantêm liderança e buscam impedir o acesso chinês —, os modelos de IA desenvolvidos na China vêm reduzindo rapidamente a diferença de desempenho em relação aos sistemas mais avançados dos EUA.

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O Kimi K3, da empresa Moonshot, sediada em Pequim, lançado em julho, aproximou-se ainda mais dos principais modelos da Anthropic e da OpenAI em testes de desempenho, superando-os inclusive em alguns critérios. Ao mesmo tempo, empresas ocidentais passaram a adotar cada vez mais modelos chineses à medida que sua capacidade evoluiu.

Além disso, a China é vista como líder em outras áreas da inteligência artificial. Os modelos abertos mais avançados do mundo — que podem ser baixados, modificados e executados localmente — são todos chineses, e muitos especialistas também consideram o país à frente no desenvolvimento de robótica.

Vantagens da China

Embora ainda esteja atrás dos modelos de fronteira, a China conquistou espaço ao oferecer alternativas mais baratas e altamente eficientes às soluções americanas. Como grande parte das aplicações de IA não exige o desempenho máximo dos modelos mais sofisticados, a adoção dessas tecnologias vem crescendo tanto nos Estados Unidos quanto em países em desenvolvimento, especialmente na África.

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“Com base nas tendências atuais, parece mais provável do que improvável que a IA chinesa se torne a opção padrão para os países em desenvolvimento”, afirmou Daniel Remler, pesquisador sênior do programa de tecnologia e segurança nacional do Center for a New American Security (CNAS), à CNBC.

Segundo ele, esse cenário pode gerar impactos geopolíticos relevantes.

“Se a tecnologia chinesa de IA se tornar o padrão nos países em desenvolvimento, esses países poderão se alinhar politicamente com Pequim, enquanto empresas chinesas de IA consolidam presença nesses mercados”, afirmou.

Para Keegan McBride, diretor de políticas de ciência e tecnologia do Tony Blair Institute for Global Change, a China possui “vantagens significativas” em áreas onde a IA deve ter maior impacto, como robótica, veículos autônomos e operações governamentais.

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Na avaliação dele, se manufatura, robótica, infraestrutura científica automatizada e operações estatais impulsionadas por IA se tornarem os principais fatores de geração de valor da tecnologia no longo prazo, a China estará bem posicionada.

O desafio do poder computacional

Apesar dos avanços, a capacidade computacional continua sendo um dos maiores obstáculos para a China.

“Os Estados Unidos possuem atualmente os modelos mais avançados do mundo, alianças tecnológicas sólidas e uma vantagem esmagadora em capacidade computacional”, disse McBride.

Os controles de exportação impostos por Washington restringiram severamente o acesso das empresas chinesas aos chips de última geração.

Segundo Remler, isso prejudica não apenas o treinamento de modelos mais sofisticados, mas também a operação desses sistemas em larga escala. A Moonshot, por exemplo, precisou suspender novas assinaturas após o sucesso do Kimi K3, devido à limitação de capacidade.

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Mesmo assim, a China trabalha para superar essas restrições.

Empresas chinesas foram acusadas de acessar infraestrutura computacional avançada no exterior, utilizar técnicas de destilação de modelos americanos e contrabandear chips da Nvidia para o país. Paralelamente, a indústria doméstica de semicondutores também evolui, embora ainda permaneça atrás da americana.

Vantagem americana permanece

Os especialistas destacam que os Estados Unidos contam com outros diferenciais importantes além da infraestrutura computacional.

Assim como a China, o país possui grande potencial energético, mas seu ecossistema de capital privado permitiu que empresas como Anthropic e OpenAI levantassem volumes recordes de investimentos e ampliassem rapidamente suas operações. Além disso, o país continua atraindo profissionais altamente qualificados.

“Se os Estados Unidos conseguirem preservar essas vantagens, manterão sua liderança em IA, uma forte influência geopolítica e a capacidade de moldar as regras globais para a inteligência artificial”, afirmou Remler.

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Ainda assim, especialistas ressaltam que a disputa está longe de ser decidida. Os sistemas chineses continuam avançando em capacidade técnica e adoção global.

Para Dewardric McNeal, diretor-gerente e analista sênior de políticas da Longview Global, a principal questão deixou de ser se a China conseguirá competir na fronteira da IA.

Segundo ele, o verdadeiro desafio agora é saber se os Estados Unidos conseguirão se adaptar rapidamente para enfrentar um ecossistema de inovação chinês cada vez mais sofisticado, que avança não apenas em desempenho dos modelos, mas também em custos, implantação, personalização, financiamento, definição de padrões, adoção por desenvolvedores e alcance global.

Outras notícias

A SoftBank informou lucro no primeiro trimestre fiscal acima das expectativas do mercado, impulsionado principalmente pelo forte ganho obtido com sua participação na Intel. A valorização da ByteDance também favoreceu os resultados da divisão Vision Fund.

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Já o modelo Mythos, da Anthropic, criou identidades falsas na internet ao tentar pressionar usuários a aprovar atualizações maliciosas de código em um projeto de software de código aberto, marcando mais um incidente cibernético envolvendo um sistema de IA de fronteira.

A União Europeia passou a contar com novos poderes para inspecionar modelos de IA, restringir o acesso ao mercado europeu e aplicar multas a fornecedores da tecnologia, elevando a pressão sobre empresas como Anthropic, OpenAI e Google.

A Meta foi condenada a pagar US$ 567 milhões (R$ 2,89 bilhões) para um fundo de compensação no estado americano do Novo México, em um processo por dano público relacionado aos supostos prejuízos causados por seus aplicativos.

A startup Hadrian passou a ser avaliada em quase US$ 8 bilhões (R$ 40,8 bilhões) após uma nova rodada de investimentos, refletindo o forte fluxo de capital para empresas de tecnologia voltadas ao setor de defesa.

Mais uma coisa

As ações da Palantir dispararam 29,5% na terça-feira após a companhia divulgar um resultado considerado “de outro mundo” no segundo trimestre, impulsionado pela forte demanda por ferramentas de inteligência artificial voltadas à soberania tecnológica.

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