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Caso ‘Master capixaba’: mercado vê rombo multimilionário em operação da Apex Partners para compra da CVC

Publicado 07/08/2026 • 14:29 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • A gestora capixaba Apex Partners, dona de mais de 15% da CVC (CVCB3), enfrenta uma crise após identificar "inconsistências financeiras" na operação batizada de "Master Capixaba".
  • O rombo estimado por fontes de mercado varia entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, oriundo de uma garantia que prometia rendimento mínimo de 100% do CDI na compra de ações da CVC.
  • A queda de mais de 30% nas ações da CVC desde o início de 2026 tornou inviável o cumprimento dessa garantia, considerada por agentes do mercado uma promessa de risco zero improvável para um ativo de renda variável.
Apex Partners CVC Master Capixaba

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Apex Partners, dona de 15% da CVC, é investigada após indícios de fraude em garantia bilionária para compra de ações da empresa de turismo.

A Apex Partners, que detém mais de 15% da CVC (CVCB3), está por um fio depois de descobertas inconsistências para garantir a compra de parte relevante da empresa de turismo e viagens ao longo de 2025 e 2026 em uma operação que está sendo chamada de “Master Capixaba”. A Apex Partners é do Espírito Santo mas atua por todo o Brasil e no exterior. 

🔍 Apex Partners é uma gestora capixaba, privada, que comprou 15,5% da CVC e está no “Master Capixaba” – nada a ver com a Apex Brasil, agência federal de promoção de exportações e investimentos, vinculada ao MDIC. 

Como parte da operação para pagamento da compra na participação na CVC, a Apex Partners pegou parte dos R$ 17,5 bilhões sob sua gestão e de fundos da Carbyne e da Rhyno, também ligados à empresa. Fontes do mercado ouvidas pela reportagem indicam que o rombo está na casa dos R$ 500 milhões até R$ 1 bilhão

Em fato relevante enviado a cotistas nesta quinta (6), o BTG Pactual, administrador do fundo, comunicou o fechamento da classe do BRM Carbyne Crédito Estruturado Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios para a realização de resgates, citando “incompatibilidade entre a liquidez apresentada pela carteira da Classe e o volume de resgates solicitados”. O fundo, sob gestão da Carbyne, tem 909 cotistas e patrimônio líquido de R$ 160,5 milhões.

A operação com os fundos consistia numa garantia de ganho de 100% do CDI ou o quanto as ações da CVC valorizassem. Desde o início de 2026, as ações da operadora de turismo despencaram mais de 30%, tornando inviável o cumprimento das garantias. 

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Essa operação é considerada pelo mercado como impossível de ser feita porque supõe risco zero em um ativo de renda variável, e de um setor extremamente volátil. Segundo agentes do mercado, tudo isso demonstra indícios de fraude na operação de garantia para compra de papéis da CVC pela Apex

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A reportagem de Times Brasil | CNBC apurou que a entrega do produto foi feita pelo BTG Pactual via contrato de distribuição, rescindido pelo banco após o caso vir a público. A Apex utilizava serviços do BTG como custódia e infraestrutura. Nesses casos, é dever do banco distribuidor ficar responsável por auditar o produto. Procurado pela reportagem, o BTG não comentou.

A Apex Partners assumiu, em nota oficial, que foram identificadas “inconsistências financeiras na Companhia” e afastou Fernando Antonio Kulnig Cinelli da presidência da Sociedade e Eduardo Siqueira da diretoria financeira como “medida preventiva” para “melhor apuração dos impactos”. Além disso, alguns executivos e fundadores abandonaram as redes sociais e desativaram perfis. 

Procurada pela reportagem de Times Brasil | CNBC, a CVC Corp afirmou que a única relação que tem com o caso é a renúncia de Cinelli do cargo de conselheiro da companhia, anunciado nesta quinta-feira (6), via comunicado ao mercado. A cadeira no conselho seguirá vazia até o acionista indicar outro nome.

Em nota, a Apex Partners informou que vai ajuizar ação de responsabilidade contra Cinelli, buscando sua responsabilização por gestão temerária e má-fé, além do bloqueio preventivo de bens do executivo. Segundo a companhia, as providências são fruto de um “rigoroso processo de apuração interna” que identificou as inconsistências financeiras, o que levou ao afastamento imediato dos executivos que ocupavam a presidência e a diretoria financeira. A contratação de uma auditoria externa e independente está em andamento, com o objetivo de “dimensionar os impactos das inconsistências identificadas” e dar segurança à condução dos compromissos com clientes, investidores e parceiros. “A prioridade da companhia neste momento é esclarecer integralmente os fatos, preservar a continuidade de suas operações e proteger o presente e o futuro de um negócio que, ao longo de 13 anos, construiu uma trajetória relevante para o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e a projeção do Espírito Santo”, diz a nota.

Sobre o fim da parceria com o BTG na frente de investimentos financeiros, a Apex disse ter recebido a decisão “com tranquilidade” e afirmou que operações e atendimento a clientes seguem normalmente, já que as contas dos clientes permanecem custodiadas no banco. Os agentes autônomos de investimento da companhia continuarão atendendo os clientes até a conclusão da transição, segundo a nota, e ter uma assessoria de investimentos parceira “continua fazendo parte” da estratégia de mercado da Apex. A empresa agradeceu ao BTG “pela parceria construída ao longo de sete anos”.

A presidência da Apex Partners passa a ser exercida interinamente por Marcelo Murad, um dos sócios da companhia.

Fonte: linkedin

A reportagem procurou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para saber se haverá um processo de investigação, mas ainda não obteve uma resposta.

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