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CNBCNavegação no Estreito de Ormuz desacelera após Irã declarar novamente fechamento da via estratégica

Conflito no Oriente Médio

Reabertura de Ormuz não deve normalizar mercado de petróleo no curto prazo

Publicado 22/06/2026 • 12:56 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Perspectiva de acordo entre Estados Unidos e Irã reduz tensões, mas incertezas seguem pressionando o mercado.
  • Especialista vê dificuldade para estabilização dos preços do petróleo nas próximas semanas.
  • Divergências sobre os termos do acordo e sobre o controle do estreito mantêm cenário de insegurança.

A normalização do fluxo de navios e do mercado internacional de petróleo não deve ocorrer no curto prazo, afirmou a professora de Relações Internacionais e especialista em geopolítica do Oriente Médio, Helena Cherem. Segundo ela, as divergências entre Estados Unidos e Irã sobre pontos centrais das negociações continuam alimentando a instabilidade na região e dificultam uma recuperação consistente da confiança dos agentes econômicos.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (22), a especialista destacou que os sinais emitidos pelos dois países sobre a situação do Estreito de Ormuz ainda são contraditórios. Enquanto o governo iraniano reforça que mantém influência sobre quem pode atravessar a rota marítima, os Estados Unidos afirmam que a passagem segue aberta.

“O que a gente está vendo até agora é, primeiramente, um debate plenamente de construção de discurso. Por um lado, o Irã fala que só vai passar pelo estreito quem ele permitir. Por outro lado, os Estados Unidos dizem que a rota está aberta. Então fica a dúvida: está passando ou não está passando?”, observou.

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Segundo Cherem, a breve passagem de petroleiros sauditas pela região chegou a alimentar expectativas positivas no mercado, mas novos episódios de tensão voltaram a aumentar as incertezas.

“Quando a gente vê algo positivo, quando a gente vê uma negociação mais frutífera entre Irã e Estados Unidos, os preços reagem. Mas, quando surgem novos conflitos, como os ataques israelenses no sul do Líbano, toda essa instabilidade retorna ao mercado”, explicou.

Mercado volátil

Para a professora, as oscilações recentes dos preços do petróleo refletem diretamente a dinâmica geopolítica da região e não apenas expectativas financeiras.

“Essa instabilidade que a gente está vendo não acontece porque o mercado não sabe o que quer. Ela é um reflexo direto da geopolítica regional e internacional. É a estabilidade política que gera estabilidade no mercado, e não o contrário”, afirmou.

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Ela também demonstrou preocupação com a fragilidade do entendimento firmado entre as partes. Na avaliação da especialista, nem mesmo o conceito de cessar-fogo parece ser interpretado da mesma forma pelos envolvidos.

“O entendimento universal de cessar-fogo é a interrupção dos ataques. Mas vimos declarações afirmando que isso seria apenas uma redução das ações militares. Quando nem os termos básicos são compreendidos da mesma maneira, fica muito difícil construir previsibilidade”, ressaltou.

Segundo Cherem, enquanto não houver consenso efetivo entre os envolvidos, a tendência é de manutenção da volatilidade nos preços da commodity.

“A probabilidade de termos um preço estável do barril de petróleo por mais do que alguns dias ou uma semana é muito pequena. É muito improvável que essa reestabilização aconteça tão cedo”, avaliou.

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Controle da rota

Outro fator que contribui para as incertezas é a discussão sobre quem exercerá o controle do estreito após um eventual acordo definitivo.

A especialista observou que a região não funciona como uma passagem simples que pode ser aberta ou fechada imediatamente, já que envolve uma extensa área marítima e uma complexa estrutura de segurança.

“No imaginário coletivo, parece que estamos falando de uma cancela que abre e fecha, mas o Estreito de Ormuz é um espaço muito grande. A forma de controle passa por ameaças militares, minas navais e diversos outros mecanismos de segurança”, explicou.

Cherem também demonstrou ceticismo em relação à possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle operacional da passagem. “A probabilidade disso dar certo, mesmo em termos logísticos, já é impensável. Quem dirá na prática. Por aí também surgem ainda mais incertezas”, afirmou.

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Negociações complexas

Ao comentar a mediação conduzida por Qatar e Paquistão, a professora reconheceu a experiência diplomática dos dois países, mas afirmou que o principal obstáculo continua sendo a falta de entendimento entre Washington e Teerã sobre temas centrais do acordo.

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“Ainda não temos consenso sobre quem vai controlar o estreito, quem vai cobrar taxas pela passagem ou sobre diversos outros pontos fundamentais. Não existe como os dois países exercerem essas funções ao mesmo tempo”, observou.

Ela acrescentou que as discussões vão além da navegação marítima e envolvem temas sensíveis como o programa nuclear iraniano, a continuidade do regime em Teerã e mecanismos de compensação econômica para a reconstrução da região.

Prazo apertado

Questionada sobre o prazo de 60 dias previsto para as negociações finais, Cherem avaliou que o cronograma é excessivamente otimista diante da complexidade dos temas em debate.

“O Irã está muito firme naquilo que quer e no que está disposto a abrir mão. É mais provável vermos os Estados Unidos flexibilizando posições do que o contrário”, afirmou.

Para a especialista, um acordo definitivo dentro desse período dependeria de concessões relevantes de um ou de ambos os lados.

“Enquanto não houver capacidade de negociação para que os dois lados cedam um pouco, esses 60 dias parecem improváveis. Não importa o quanto Qatar e Paquistão sejam eficientes como mediadores, esse continua sendo o principal desafio”, concluiu.

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