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Corrida mineral? Japão revela achado de terras raras no oceano
Publicado 02/02/2026 • 09:40 | Atualizado há 2 horas
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Unsplash
Bandeira do Japão
Sedimentos contendo terras raras foram recuperados a uma profundidade de 6 mil metros (cerca de 20 mil pés) no oceano durante uma missão de teste japonesa, informou o governo nesta segunda-feira (2), em meio aos esforços do país para reduzir a dependência da China desses minerais valiosos.
Segundo o Japão, a missão foi a primeira do mundo a tentar explorar terras raras em águas profundas a essa profundidade.
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“Os detalhes serão analisados, inclusive a quantidade exata de terras raras contida” na amostra, afirmou o porta-voz do governo, Kei Sato, classificando o feito como “uma conquista significativa tanto do ponto de vista da segurança econômica quanto do desenvolvimento marítimo abrangente”.
A amostra foi coletada por um navio de perfuração científica em águas profundas chamado Chikyu, que partiu no mês passado rumo à remota ilha de Minami Torishima, no Pacífico, onde se acredita que as águas ao redor contenham um rico conjunto de minerais valiosos.
O anúncio ocorre no momento em que a China, de longe a maior fornecedora mundial de terras raras, intensifica a pressão sobre o país vizinho, depois que a primeira-ministra Sanae Takaichi sugeriu, em novembro, que Tóquio poderia reagir militarmente a um ataque a Taiwan, que Pequim prometeu retomar à força, se necessário.
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Pequim bloqueou exportações para o Japão de itens de “uso duplo”, com potencial aplicação militar, alimentando preocupações em Tóquio de que a China possa restringir o fornecimento de terras raras, algumas das quais estão incluídas na lista chinesa desses produtos.
As terras raras, 17 metais difíceis de extrair da crosta terrestre, são usadas em uma ampla gama de produtos, de veículos elétricos a discos rígidos, turbinas eólicas e mísseis.
A área ao redor de Minami Torishima, que fica em águas econômicas do Japão, é estimada em mais de 16 milhões de toneladas de terras raras. Segundo o jornal de negócios Nikkei, trata-se da terceira maior reserva do mundo.
Esses depósitos ricos conteriam o equivalente a 730 anos de fornecimento de disprósio, utilizado em ímãs de alta resistência em celulares e carros elétricos, e 780 anos de ítrio, usado em lasers, informou o Nikkei.
Ambientalistas alertam que a mineração em alto-mar ameaça ecossistemas marinhos e pode causar a perturbação do fundo do oceano.
O tema tornou-se um ponto sensível geopolítico, com o aumento da apreensão em torno da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de acelerar esse tipo de atividade em águas internacionais.
A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês), que tem jurisdição sobre o leito oceânico fora das águas nacionais, pressiona pela adoção de um código global para regular a mineração em grandes profundidades.
A missão de teste japonesa, no entanto, foi realizada dentro de suas próprias águas territoriais.
“Se o Japão conseguir extrair terras raras ao redor de Minami Torishima de forma contínua, garantirá uma cadeia de suprimentos doméstica para indústrias-chave”, afirmou Takahiro Kamisuna, pesquisador associado do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), à AFP.
“Da mesma forma, isso será um ativo estratégico fundamental para o governo de Takaichi reduzir de forma significativa a dependência da cadeia de suprimentos em relação à China.”
Pequim há muito tempo utiliza seu domínio sobre as terras raras como instrumento de influência geopolítica, inclusive durante a guerra comercial com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A China responde por quase dois terços da produção mundial de mineração de terras raras e por 92% da produção global refinada, segundo a Agência Internacional de Energia.
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