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‘Cuba vive maior teste desde o fim da União Soviética’; entenda crise na ilha
Publicado 16/02/2026 • 23:40 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 16/02/2026 • 23:40 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Cuba enfrenta uma das maiores crises de sua história recente e pode estar diante do maior teste desde o colapso da União Soviética. A pressão dos Estados Unidos sobre a ilha se intensificou após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aliado histórico de Havana, o que agravou a escassez de petróleo e aprofundou os impactos sobre a economia e o cotidiano da população.
Para Tanguy Baghdadi, mestre e professor de relações internacionais e apresentador do podcast Petit Jornal, o momento atual deve ser tratado como histórico. “O que está acontecendo em Cuba realmente tende a ser visto como um fato histórico. Quando a gente for analisar esse ano de 2026, certamente Cuba vai estar entre os temas mais importantes”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, a questão energética é central para entender o cenário. “Qualquer país do mundo, a questão energética é crucial.” O especialista ressalta que a energia não é apenas fundamental para o transporte, mas para toda a estrutura econômica. “Sem energia, qualquer país fica completamente paralisado.”
No caso cubano, a dependência externa sempre foi um fator determinante. Após o fim da União Soviética, a Venezuela passou a ser o principal suporte energético da ilha. Com a mudança de cenário político venezuelano e a pressão americana, as alternativas se tornaram escassas.
“Cuba, portanto, se vê mais uma vez absolutamente estrangulado”, afirmou Baghdadi.
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O impacto da falta de combustível vai além da atividade econômica e atinge necessidades básicas. Segundo o professor, a escassez pode comprometer o abastecimento de alimentos, água e serviços essenciais.
“Quando a gente fala sobre energia, a gente está falando sobre o básico do básico”, disse. Ele explica que a falta de combustível pode impedir o transporte de alimentos do campo para as cidades, agravando a situação social.
“O risco humanitário é real.”
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Siga o Times | CNBCA crise também atinge diretamente o turismo, um dos principais motores da entrada de moeda estrangeira na ilha. Baghdadi cita relatos de que o país já enfrenta dificuldades para abastecer aeronaves, o que pode levar companhias aéreas a suspender voos para o destino.
“Aqui a gente não está mais falando sobre perspectivas, a gente está falando sobre a vida cotidiana das pessoas.”
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Questionado sobre a possibilidade de negociação entre Havana e Washington, Baghdadi afirma que o governo de Donald Trump já demonstrou disposição para dialogar com líderes ideologicamente opostos. No entanto, ele avalia que o caso cubano tem peso simbólico diferenciado.
“A chance de derrubar o governo cubano é poderosa demais, ela é atraente demais para Donald Trump.”
Segundo o especialista, especialmente em um ano eleitoral nos Estados Unidos, um eventual enfraquecimento ou queda do regime cubano poderia representar um trunfo político relevante.
“Não me parece que a ideia seja invadir Cuba”, ponderou. “Mas a ideia de sufocar o governo, levar de repente as pessoas às ruas e eventualmente conduzir uma queda do governo, ela é muito atrativa.”
Para Baghdadi, embora negociações não sejam impossíveis, o cenário mais provável no curto prazo é a manutenção da pressão máxima sobre Havana.
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