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Diária de superpetroleiros dispara mais de seis vezes com guerra no Irã e indefinição sobre a reabertura do Estreito de Ormuz
Publicado 28/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: AFP
A guerra entre Estados Unidos e Irã e as restrições de navegação no Estreito de Ormuz provocaram uma forte alta no custo do transporte marítimo de petróleo. A diária de um superpetroleiro no mercado à vista chegou a cerca de US$ 650 mil, mais de seis vezes o valor registrado em janeiro.
Em algumas operações na região, navios chegam a receber mais de US$ 1 milhão por dia.
O movimento ocorre mesmo com um volume menor de petróleo deixando o Golfo. O principal problema está no tempo necessário para transportar as cargas: desvios de rota, restrições à navegação e operações de transferência entre embarcações mantêm os navios ocupados por períodos mais longos e reduzem a disponibilidade da frota.
Leia também: Petróleo sobe mais de 4% após Trump rejeitar proposta do Irã para reabrir Estreito de Ormuz
Para reduzir a exposição de embarcações de diferentes proprietários à travessia de Ormuz, petroleiros que operam no Golfo passaram a realizar percursos mais curtos pelo estreito. Depois, parte da carga é transferida para outros navios posicionados nas proximidades de Omã.
A estratégia permite manter parte do fluxo de petróleo, mas exige o uso de duas embarcações em etapas que antes poderiam ser realizadas por apenas uma. A transferência da carga pode levar entre dois e três dias, aumentando o período em que os navios permanecem comprometidos com cada operação.
Segundo o The Economist, aproximadamente 15% da frota mundial de superpetroleiros está concentrada na região de Omã. Esse acúmulo reduz a oferta de embarcações para outras rotas internacionais e contribui para a elevação dos fretes.
A possibilidade de desviar o petróleo pela costa oeste da Arábia Saudita não eliminou as dificuldades logísticas. A ameaça de ataques dos houthis no Mar Vermelho torna algumas viagens mais longas, enquanto um ataque com drone interrompeu recentemente o oleoduto que transporta petróleo até o porto saudita de Yanbu.
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Siga o Times | CNBCCom menos navios disponíveis, os efeitos começam a aparecer também em trajetos que não passam diretamente pelo Oriente Médio. Caso um superpetroleiro da classe VLCC não esteja disponível, por exemplo, uma carga transportada entre Brasil e China pode exigir dois navios menores da classe Suezmax.
Essa substituição aumenta a procura por embarcações de menor porte e amplia a pressão sobre suas tarifas. Dessa forma, uma limitação de capacidade em uma região pode elevar o custo do transporte de petróleo em outras partes do mundo.
A situação é relevante para o Brasil por causa do peso da China entre os destinos do petróleo nacional. No primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras de petróleo para o mercado chinês alcançaram US$ 7,19 bilhões, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China citados no material.
O aumento do frete, porém, não significa automaticamente redução de receita para as produtoras brasileiras. O impacto depende dos contratos de cada operação, especialmente de quem assume o pagamento pelo transporte e das condições negociadas para a venda da carga.
Ainda assim, o encarecimento dos navios aumenta o custo necessário para fazer o petróleo chegar ao comprador e pode alterar a economia das operações de comércio internacional.
A valorização dos fretes também está levando empresas do setor a ampliar investimentos em transporte marítimo. A trading Trafigura anunciou a criação da Volare Shipping, que começou com seis superpetroleiros em operação e outros oito encomendados.
A empresa avalia levantar cerca de US$ 500 milhões com investidores antes de uma possível abertura de capital em Oslo. Os recursos seriam destinados à expansão da frota. Tanto a captação quanto uma eventual estreia em bolsa, no entanto, ainda não estavam concluídas no momento da publicação do conteúdo original.
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