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Dólar sobe a R$ 5,08 com cautela antes de decisões de juros no Brasil e nos EUA

Publicado 16/06/2026 • 18:14 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil perdeu força nas últimas semanas, com investidores migrando para ações de tecnologia nos Estados Unidos.
  • O cenário doméstico também pressionou os ativos brasileiros, com preocupações relacionadas ao quadro fiscal e à proximidade das eleições, diante de pesquisas que apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela reeleição.
  • O foco do mercado está menos na decisão imediata sobre os juros e mais nos sinais sobre os próximos passos dos bancos centrais e o momento em que o atual ciclo de cortes poderá chegar ao fim.

A cotação do dólar ante o real encerrou esta terça-feira (16) em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,08, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores antes das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo analistas  ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o movimento refletiu tanto fatores externos quanto preocupações com o cenário doméstico.

Para David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, o fluxo de capital estrangeiro que beneficiou o mercado brasileiro desde meados de abril perdeu força nas últimas semanas. “O fluxo que veio forte para os países emergentes e o Brasil acabou se beneficiando desde meados de abril cessou. Os investidores começaram a migrar para ações de tecnologia nos Estados Unidos”, afirmou.

Além do cenário internacional, ele fatores internos que continuam pressionando os ativos brasileiros. Segundo ele, a proximidade das eleições e pesquisas que apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela reeleição têm elevado a preocupação dos investidores com a trajetória fiscal do país.

“Temos a aproximação das eleições e mais pesquisas que mostram o presidente Lula como favorito à reeleição. Isso traz uma perspectiva negativa para os juros e para o cenário fiscal, porque o Brasil bate recordes de arrecadação, mas os gastos também seguem em níveis recordes. Isso tem levado os investidores a olhar o país com mais cautela.”

Na avaliação do executivo, a combinação entre aumento dos gastos públicos e incertezas sobre o equilíbrio das contas do governo contribui para uma postura mais defensiva do mercado em relação ao Brasil.

Já Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, explica que o movimento ocorre em meio à expectativa pela chamada “superquarta”, quando serão anunciadas as decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed). Para ele, a expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, enquanto nos Estados Unidos o consenso aponta para a manutenção dos juros.

“Mais do que a decisão sobre os juros em si, o mercado busca sinais sobre os próximos movimentos dos bancos centrais. Há poucas semanas, a discussão era quantos cortes de juros ainda poderiam ocorrer. Hoje, a principal pergunta é quando esse ciclo chegará ao fim”, afirma.

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