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Conflito no Oriente Médio

Hamas diz aceitar desarmamento, mas Israel não confirma acordo em Gaza

Publicado 31/07/2026 • 09:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Hamas afirma ter aceitado texto de acordo alinhado ao plano de Trump para o futuro de Gaza
  • Israel exige desmilitarização completa da Faixa como condição prévia para qualquer retirada militar
  • Exército israelense já controla mais de 60% do território de Gaza segundo autoridades militares
hamas

Foto: Eyad BABA / AFP

O Hamas afirmou nesta sexta-feira (31) ter concordado com um acordo para encerrar a guerra com Israel, incluindo disposições sobre o desarmamento do grupo e a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza. A informação é da agência de notícias AFP, que apurou que o texto completo do acordo não foi divulgado publicamente e que não houve, até o momento, nenhuma declaração oficial por parte de Israel.

Trump anuncia desarmamento como passo crucial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o desarmamento completo do Hamas como avanço em direção a um novo governo palestino em Gaza. Segundo ele, as forças israelenses se retirariam do território assim que o processo de desarmamento fosse concluído.

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Autoridades do Hamas disseram à AFP que um comitê criado pelo Conselho de Paz de Trump para administrar Gaza ficaria responsável por supervisionar o armazenamento das armas do movimento.

🔍 Conselho de Paz é a estrutura criada no âmbito do plano de Trump para supervisionar a transição política em Gaza após o fim da guerra, incluindo a formação de um novo governo local e o acompanhamento do processo de desarmamento do Hamas.

Muhammad Shehada, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores, disse à AFP que o Hamas aceitou um texto alinhado ao plano de Trump para Gaza, endossado pelo Conselho de Paz, mas rejeitado por Benjamin Netanyahu. Segundo ele, enquanto Israel mantiver essa posição, não haverá avanço nas negociações.

Israel exige desmilitarização antes de qualquer retirada

Israel não se pronunciou oficialmente sobre o anúncio do Hamas. Horas antes da declaração do grupo palestino, uma fonte política israelense disse à AFP que Gaza sequer foi discutida durante a reunião entre Trump e Netanyahu, ocorrida esta semana em Washington.

A mesma fonte afirmou que Israel exige o desarmamento completo do Hamas, incluindo a remoção de armas de Gaza e a desmilitarização total da Faixa, como condição prévia para qualquer processo. Segundo ela, não haverá retirada israelense da chamada linha amarela na Faixa de Gaza antes que o Hamas seja desarmado e o território seja desmilitarizado.

🔍 Linha amarela é a demarcação que separa, dentro da Faixa de Gaza, a área sob controle do Hamas da área ocupada pelo exército israelense.

O Hamas afirmou esperar que os mediadores e o Conselho de Paz garantam que Israel cumpra os termos do acordo, que incluem a retirada gradual das forças israelenses do território. Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do grupo, disse à AFP que o acordo contém uma cláusula que obriga Israel a cumprir suas obrigações, e que o Hamas fará o mesmo caso Israel cumpra sua parte.

Shehada avaliou que é improvável que Netanyahu aceite esses termos com as eleições se aproximando, classificando essa possibilidade como um risco político elevado para o premiê israelense, que segundo o pesquisador chegou a defender a reconstrução de assentamentos judaicos na região.

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Implementação depende de acordo entre mediadores

O Conselho de Paz afirmou que o foco agora está voltado para a implementação do acordo, e que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, criado pelo próprio conselho, iniciará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade sobre o território.

🔍 Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) é o órgão de transição previsto no plano de Trump para assumir gradualmente a administração civil da Faixa de Gaza após o fim da guerra.

Segundo o Hamas, a retirada israelense, o envio de uma força internacional, a instalação do comitê de transição e o processo de entrega das armas do grupo devem ocorrer de forma simultânea. Leila Seurat, especialista em Hamas baseada em Paris, disse à AFP observar uma expansão contínua da ocupação israelense em vez de um recuo das forças no território.

Autoridades militares israelenses afirmam que o exército já controla mais de 60% de Gaza, percentual maior do que o registrado quando o cessar fogo foi anunciado em outubro.

Cairo deve sediar novas rodadas de negociação

Autoridades do Hamas afirmaram que as próximas duas semanas serão dedicadas a fechar um acordo sobre os mecanismos de implementação do plano. Segundo Hamad, ainda é preciso definir como o acordo será colocado em prática, quando isso ocorrerá e quais serão os mecanismos de execução.

Seurat avaliou que os anúncios públicos do Hamas também fazem parte de uma estratégia de comunicação do grupo, que busca demonstrar estar cumprindo sua parte do acordo enquanto aponta Israel como o lado que não avança nas tratativas.

Nickolay Mladenov, alto representante do Conselho de Paz para Gaza, afirmou que a fase de implementação do plano é ainda mais relevante do que o próprio texto do acordo, e que a retirada das tropas israelenses precisa ocorrer em sintonia direta com o processo de entrega das armas do Hamas.

🔍 Força Internacional de Estabilização (FIE) é a força multinacional prevista no plano de paz para apoiar a transição em Gaza e supervisionar, junto a uma nova força policial palestina, o processo de desarmamento do Hamas.

O progresso das negociações depende, portanto, de um acordo entre os mediadores, Egito, Estados Unidos, Catar e Turquia, sobre um cronograma comum e os mecanismos de implementação. Uma nova rodada de conversas deve ocorrer em breve no Cairo.

Mesmo que um cronograma seja definido, obstáculos práticos permanecem. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza ainda não foi autorizado a entrar no território, e a Força Internacional de Estabilização segue em processo de formação.

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