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EUA cancelam vistos de autoridades de países da América do Sul; Brasil não foi afetado

Publicado 28/09/2026 • 18:31 | Atualizado há 29 minutos

KEY POINTS

  • EUA cancelam vistos de autoridades e empresários de quatro países latino-americanos por acusações de corrupção e narcotráfico.
  • Medida atinge Bolívia, Colômbia, Equador e Peru e também inclui familiares dos envolvidos.
  • Departamento de Estado vincula sanções ao Escudo das Américas, iniciativa liderada por Trump.

AFP

Bandeira dos Estados Unidos

Os Estados Unidos cancelaram nesta segunda-feira (28), os vistos de juízes, altos funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. De acordo com o Departamento de Estado americano, os atingidos são acusados de corrupção, ligações com o narcotráfico ou conspiração contra seus respectivos governos. A medida também se estende aos familiares dos funcionários afetados.

Na Bolívia, a lista inclui juízes da Suprema Corte, integrantes da alta cúpula da polícia, promotores e um empresário. Na Colômbia, foram atingidos um empresário e uma senadora. O Equador teve duas pessoas incluídas na medida, enquanto, no Peru, a sanção alcançou um magistrado do primeiro juizado constitucional de Lima. Os nomes da maioria dos envolvidos não foram informados.

O Departamento de Estado afirmou que a decisão está relacionada aos compromissos assumidos pela aliança Escudo das Américas, criada por iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março de 2026. Segundo a pasta, a política busca impedir o livre acesso aos Estados Unidos de funcionários estrangeiros considerados corruptos e restringe a concessão de vistos a essas pessoas e seus familiares imediatos quando houver envolvimento em ações que prejudiquem governos democraticamente eleitos por meio de corrupção ou em atividades relacionadas ao narcotráfico na região.

A pasta americana também declarou que ações contra governos democraticamente eleitos representam uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e afirmou que esse comportamento não será tolerado.

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Na Bolívia, um dos atingidos é o procurador-geral Roger Mariaca, eleito para um mandato de seis anos em 2024. Documentos citados no comunicado americano o acusam de abuso de poder, de solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e de ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça. Segundo o Departamento de Estado, essas ações colocariam em risco os esforços de Trump contra o narcoterrorismo e prejudicariam instituições democráticas que, de acordo com o comunicado, a Bolívia busca fortalecer como integrante do Escudo das Américas.

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A decisão ocorre em meio a diferentes cenários políticos nos quatro países. Na Bolívia, o governo conservador enfrenta semanas de protestos que paralisaram grande parte do país. O presidente declarou estado de emergência em 20 de junho, medida que permanece em vigor.

Na Colômbia, Abelardo de la Espriella acaba de ser eleito presidente e se apresenta como aliado de Trump. A eleição ocorreu após uma campanha acirrada, marcada também por acusações de que a oposição de esquerda teria tentado impedir que De la Espriella assumisse o poder.

O Equador é descrito como outro aliado de Washington e enfrenta uma guerra contra o crime organizado com apoio das forças militares dos Estados Unidos. Já o Peru acaba de eleger um presidente conservador, após uma campanha considerada acirrada e tensa.

Os quatro países fazem parte do Escudo das Américas, que reúne 15 nações da região. Os líderes dos integrantes se encontraram na semana anterior à publicação, à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e reafirmaram a disposição de adotar “ações coletivas”.

A revogação de vistos se soma a outras medidas adotadas pelo Departamento de Estado para restringir viagens aos Estados Unidos, em ações descritas como instrumentos de repressão à imigração e de pressão sobre determinados governos. Entre os casos citados estão proibições de entrada impostas a autoridades sul-africanas acusadas de discriminação contra pessoas brancas e a recusa de vistos para uma delegação palestina que pretendia participar de uma reunião anual de líderes mundiais na ONU.

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