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EXCLUSIVO CNBC: Economista-chefe do FMI vê queda no crescimento global com guerra no Irã
Publicado 14/04/2026 • 19:00 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 14/04/2026 • 19:00 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
A guerra no Irã e as incertezas em torno do Estreito de Ormuz já provocam uma revisão relevante nas projeções para a economia mundial, segundo o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.
Em entrevista exclusiva à CNBC, o dirigente afirmou que o conflito reduziu a perspectiva de crescimento global, num momento em que a economia ainda tentava sustentar o impulso vindo de 2025, apesar das interrupções tarifárias e das incertezas na política comercial.
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“Esperávamos crescimento de 3,4%. Aí a guerra começa. E agora, embora tenhamos vários cenários, mesmo sob o mais positivo, que temos como previsão de referência, esperamos que o crescimento seja de 3,1% este ano”, disse.
Segundo Gourinchas, a revisão de 0,3 ponto percentual em relação ao cenário traçado em meados de fevereiro é significativa e reflete principalmente o impacto da alta dos preços de energia e da instabilidade provocada pelo conflito.
“É uma reclassificação muito significativa”, afirmou.
O economista explicou que a guerra impõe um choque negativo de oferta à economia global, com efeitos semelhantes aos observados em episódios anteriores de disparada da energia, como nos anos 1970 e em 2022.
“O choque de oferta negativo da guerra. Preços de energia sobem”, disse. “Esse choque de oferta negativo está reduzindo a atividade e aumentando a inflação.”
Na avaliação dele, mesmo no cenário mais benigno, a combinação entre menor crescimento e inflação mais alta já parece inevitável. Mas, se o conflito se prolongar ou se intensificar, os efeitos podem ser ainda mais severos.
Gourinchas afirmou que, num cenário adverso, o FMI trabalha com a possibilidade de disrupções adicionais na atividade global, especialmente se os preços da energia permanecerem elevados por um período mais longo e se houver aperto mais forte nas condições financeiras.
“Se começarmos a ver preços de energia muito altos, as expectativas de inflação podem se desancorar”, disse.
Segundo ele, isso poderia levar famílias e empresas a reajustarem salários e preços de forma mais agressiva, tornando a inflação mais persistente. Ao mesmo tempo, um agravamento do conflito poderia provocar maior tensão nos mercados e restringir o acesso ao crédito.
“Se piorar, pode haver um aperto significativo das condições financeiras”, afirmou.
Nesse cenário mais severo, o FMI projeta crescimento global de apenas 2% neste ano e no próximo, com inflação chegando a 6% no mundo.
“2% de crescimento global é um número muito baixo”, disse. “É um número que só tivemos quatro vezes desde 1980.”
Gourinchas ressaltou que, em duas dessas ocasiões, o mundo enfrentava crises extremas: a crise financeira global e a pandemia de Covid-19.
“Esta não é uma situação que alguém gostaria”, afirmou.
Ao comentar o papel dos bancos centrais diante desse choque, o economista-chefe do FMI disse que a política monetária tem alcance limitado quando a pressão inflacionária vem da energia. Segundo ele, subir ou cortar juros não altera diretamente o preço do petróleo.
“Bancos centrais não podem fazer nada sobre os preços do petróleo”, disse.
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Ainda assim, ele ponderou que as autoridades monetárias podem esperar e avaliar a situação enquanto as expectativas de inflação permanecerem ancoradas e não houver espiral entre salários e preços.
“Os bancos centrais podem se dar ao luxo de esperar avaliar a situação”, afirmou.
Por outro lado, Gourinchas alertou que, se houver sinais de disseminação mais persistente da inflação, será necessário agir com firmeza.
“Se houver algum risco de que a inflação esteja se alastrando, tornando-se mais persistente, então eles terão que intervir decisivamente”, disse.
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