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BTG montou operação bilionária com alto potencial de lucro para compra de carteira do Master
Publicado 15/04/2026 • 11:59 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 15/04/2026 • 11:59 | Atualizado há 1 mês
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No total, o levantamento aponta que o BTG permitiu ao Master antecipar pelo menos R$ 1,66 bilhão com a venda dessas carteiras de crédito
O BTG Pactual comprou R$ 1,150 bilhão em carteiras de crédito consignado do Credcesta, originadas pelo Banco Master, entre 2021 e 2023. As operações, realizadas via debêntures, nunca foram tornadas públicas. Parte dos créditos está bloqueada na Justiça após a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.
O banco de André Esteves foi pioneiro nesse tipo de transação com o Master, antecedendo a distribuição de CDBs da instituição para investidores pessoa física. As informações foram publicadas na manhã desta quarta-feira (15) pelo colunista Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles e foram checadas pela equipe de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Era um negócio que beneficiava os dois lados, pois o Master se desfazia, com algum spread, de créditos que não tinha caixa suficiente para manter, e o BTG, por sua vez, acessava carteiras do Credcesta com potencial de alta lucratividade e exclusivas do Master. No total, o levantamento aponta que o BTG permitiu ao Master antecipar pelo menos R$ 1,66 bilhão com a venda dessas carteiras de crédito.
A estrutura usada pelo BTG passou por uma securitizadora criada em setembro de 2021, a CB Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros, com sede na Faria Lima, em São Paulo. O único acionista da empresa, em 31 de dezembro de 2023, era a Magma Empreendimentos e Participações S.A. A Magma, por sua vez, era controlada em partes iguais por dois fundos de investimento em participações multiestratégia: o Quality Golden Service FIP e o Lunar FIP. A estrutura societária consta do relatório anual elaborado pela Trustee DTVM, agente fiduciário das debêntures.
A primeira compra, de R$ 303 milhões, partiu do próprio BTG. Depois, o banco passou a utilizar um fundo para adquirir mais R$ 850 milhões em outras carteiras do mesmo perfil.
Documentos públicos consultados pelo Times Brasil | CNBC mostram que, na primeira emissão, em dezembro de 2021, o BTG atuou formalmente como coordenador líder da operação, sendo responsável por selecionar e aprovar previamente as carteiras de crédito do Credcesta adquiridas pela CB Securitizadora. O banco recebeu comissionamento pela coordenação.
Nas emissões seguintes, uma conta vinculada do Banco Master no BTG, agência 001, conta nº 002350807, foi dada como garantia das debêntures. Todos os recebimentos das carteiras passavam por essa conta antes de chegar aos investidores.
🔍 Credcesta é um programa de crédito consignado do Banco Master voltado para servidores públicos, aposentados e pensionistas. As parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário, o que reduz o risco de inadimplência e torna as carteiras atraentes para investidores. O MP do Rio de Janeiro investiga o modelo por considerar sua estrutura pouco transparente, capaz de manter o devedor em ciclo contínuo de endividamento.
Diferentemente do BRB, que negociava diretamente com o banco de Daniel Vorcaro, no caso do BTG quem comprava as carteiras do Master era a CB Securitizadora. A empresa foi criada para empacotar cédulas de crédito bancário do Master e repassá-las ao BTG por meio de debêntures.
O mecanismo funciona com o investidor emprestando dinheiro para a CB comprar carteiras de consignados do Master, quando uma parcela do empréstimo é descontada do servidor ou aposentado e repassada ao Master, os recursos seguem para uma conta da CB, que os repassa com juros ao investidor.
Com a liquidação do Banco Master, o FIDC Alternative Assets I, fundo do BTG usado para parte das aquisições, sofreu duas derrotas na Justiça e perdeu acesso aos créditos. O fundo havia obtido uma liminar em 31 de dezembro para desbloquear as carteiras, mas perdeu o efeito em janeiro.
Os ativos comprados pelo BTG, permanecem bloqueados, ou seja, o banco não está recebendo o pagamento dos empréstimos das carteiras.
Procurado pela reportagem de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o BTG não comentou.
A RSM Brasil, responsável pela auditoria das demonstrações financeiras da CB Securitizadora referentes a 2023, emitiu opinião com ressalva sobre o balanço. O motivo foi que R$ 1,226 bilhão em direitos creditórios registrados no ativo não tinham o ajuste a valor presente devidamente calculado.
Os auditores não conseguiram obter evidências suficientes para validar os números nem confirmar o impacto no resultado do exercício. A empresa encerrou 2023 com prejuízo de R$ 24,6 milhões.
🔍 Opinião com ressalva é o termo técnico usado quando o auditor identifica um problema específico que impediu a validação completa das demonstrações financeiras. Não equivale a fraude, mas indica que parte dos números apresentados não pôde ser confirmada com as evidências disponíveis.
Na última segunda-feira (13), o banqueiro André Esteves afirmou publicamente que não tem interesse nos ativos do Master que estão com o BRB. Esteves, no entanto, não mencionou que o BTG ainda mantém em estoque carteiras de mesma origem e perfil.
🔍 Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas ou instituições financeiras para captar recursos junto a investidores. No caso das operações entre BTG e Master, o instrumento foi usado para estruturar a compra de carteiras de crédito consignado sem que as transações precisassem ser divulgadas publicamente.
O ecossistema do Credcesta alcança também fundos de pensão públicos. O Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com ação civil pública na sexta-feira (10) para obrigar dirigentes do RioPrevidência a cobrir um rombo de R$ 1,088 bilhão com a compra de títulos do Banco Master.
A ação pede a suspensão imediata dos contratos associados ao Credcesta, o afastamento do presidente da autarquia, Nicholas Cardoso, e o bloqueio de bens dos investigados.
As compras de carteiras de crédito consignado pelo BTG ocorreram antes de outro capítulo da relação entre os dois bancos se tornar público. O BTG foi o segundo maior distribuidor de CDBs do Banco Master, com R$ 6,7 bilhões vendidos a investidores entre 2022 e 2024, ficando atrás somente da XP Investimentos, que distribuiu cerca de R$ 26 bilhões.
Após a eclosão da crise do Master, o BTG encerrou a distribuição dos papéis. A combinação dos dois negócios, no entanto, revela uma relação comercial entre BTG e Master mais profunda e mais antiga do que o banco de Esteves admitiu publicamente até agora.
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