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Guerra no Oriente Médio desacelera economia global ao menor ritmo desde a pandemia

Publicado 11/06/2026 • 22:00 | Atualizado há 1 hora

Paulo Pinto/Agência Brasil

O Banco Mundial revisou para baixo suas estimativas para a economia global e passou a projetar um cenário de crescimento mais moderado nos próximos anos. De acordo com a instituição, a escalada do conflito no Oriente Médio deve pressionar os preços da energia, elevar a inflação e encarecer o crédito, criando obstáculos adicionais para a atividade econômica mundial.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (11), o organismo prevê expansão global de 2,5% em 2026, abaixo dos 2,9% registrados em 2025. A recuperação deve ser gradual, com crescimento de 2,8% em 2028, ainda inferior à média observada na década anterior à pandemia.

A instituição também estima que a inflação global alcance 4% neste ano, acima dos 3,3% registrados em 2025. A projeção reflete os impactos esperados da alta dos preços do petróleo e de outros insumos estratégicos, impulsionados pelas tensões na região do Estreito de Ormuz. O aumento dos custos dos fertilizantes também pode pressionar os preços dos alimentos em diversas economias.

Em um cenário mais adverso, marcado por interrupções mais severas no fornecimento de energia e turbulências financeiras significativas, o Banco Mundial avalia que o crescimento global poderá desacelerar para apenas 1,3% em 2026, enquanto a inflação avançaria para 4,4%.

As economias emergentes e em desenvolvimento também devem sentir os efeitos do ambiente mais desafiador. A expectativa é de crescimento de 3,6% em 2026, abaixo dos 4,4% observados em 2025. Segundo o relatório, excluindo China e Índia, muitos desses países podem chegar a 2028 sem avanços relevantes na redução da distância de renda per capita em relação às nações mais desenvolvidas.

Para Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Banco Mundial, o cenário exige respostas estruturais dos governos. Segundo ele, o momento pode servir para acelerar investimentos em infraestrutura, promover reformas que impulsionem a atividade empresarial e ampliar a participação do capital privado na geração de empregos.

Entre as regiões mais afetadas estão os países do Golfo, diretamente expostos aos desdobramentos do conflito. A projeção aponta para crescimento próximo de zero em 2026, após expansão de 3,9% em 2025. A recuperação mais consistente só deve ocorrer entre 2027 e 2028, apoiada pela retomada do comércio e pelos gastos ligados à reconstrução.

Na direção oposta, o sul da Ásia deve continuar liderando o crescimento mundial, com avanço estimado de 6,3% em 2026, embora em ritmo inferior aos 7% registrados no ano anterior.

Para a Europa e a Ásia Central, a expectativa é de crescimento de 2,1%. Já a América Latina e o Caribe devem registrar expansão de 2,2% no próximo ano.

No caso do Brasil, o Banco Mundial reduziu suas projeções e passou a estimar crescimento de 1,9% em 2026 e de 2% em 2027. As previsões anteriores apontavam para expansões de 2% e 2,3%, respectivamente. Para 2028, a instituição projeta avanço de 2,2% da economia brasileira.

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