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Inflação pressionada e saída de estrangeiros reduzem espaço para queda dos juros

Publicado 27/05/2026 • 22:55 | Atualizado há 1 uma semana

KEY POINTS

  • Segundo Michel Viato, a inflação elevada no Brasil e no exterior deve manter os juros brasileiros próximos de 14% até o fim de 2026.
  • Estrategista afirmou que bilhões de reais deixaram a bolsa brasileira desde abril, enquanto investidores estrangeiros migraram para empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos e na Ásia.
  • Alta do petróleo após tensões no Oriente Médio deve continuar pressionando a inflação global, embora os impactos econômicos do conflito ainda sejam considerados controlados.

O resultado do IPCA-15 acendeu um sinal de alerta para o Banco Central e reforçou a percepção do mercado de que a redução dos juros deve ocorrer de forma mais lenta ao longo deste ano. A avaliação é do estrategista da Casa do Investidor, Michel Viato, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o analista, a inflação acumulada já alcança a própria meta perseguida pelo Banco Central, o que reduz o espaço para cortes mais intensos na taxa básica de juros.

“O Banco Central já começa o ano com a expectativa de estourar a meta. Isso impede uma redução mais forte dos juros”, afirmou.

Viato destacou que o cenário de inflação pressionada não é exclusivo do Brasil. De acordo com ele, Estados Unidos e Europa também enfrentam índices acima das metas previstas, o que vem alterando as expectativas globais para a política monetária.

A projeção do mercado, segundo o estrategista, era de que a Selic encerrasse o ano em torno de 12%. Agora, porém, a expectativa passou para um patamar próximo de 14%.

O especialista afirmou ainda que a inflação elevada afeta diretamente o consumo das famílias ao reduzir o poder de compra dos salários.

“A população perde capacidade de consumo e isso impacta a economia como um todo”, disse.

Na avaliação de Viato, a pressão sobre os preços também tende a continuar por causa do petróleo. Apesar da recente queda da commodity, ele afirmou que os preços dificilmente retornarão neste ano aos níveis observados antes do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Segundo o estrategista, os países consumiram parte relevante de suas reservas durante o período de instabilidade no abastecimento global e devem recompor esses estoques nos próximos meses, o que deve manter a demanda elevada.

“Mesmo com a normalização do fluxo de navios, os países ainda precisarão recompor reservas. Isso sustenta os preços do petróleo por mais tempo”, afirmou.

O estrategista também comentou a recente movimentação cambial e a saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira. De acordo com ele, o real foi beneficiado até meados de abril por um fluxo relevante de investimentos externos, que ajudou a levar o dólar para próximo de R$ 5.

No entanto, o movimento se inverteu nas semanas seguintes. Segundo Viato, bilhões de reais deixaram a bolsa brasileira desde a segunda metade de abril, pressionando novamente o câmbio.

“O estrangeiro passou a direcionar recursos para empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos e na Ásia, que estão apresentando crescimento de lucro muito forte”, afirmou.

Ele acrescentou que o diferencial de juros entre Brasil e exterior também começou a perder força diante da perspectiva de elevação das taxas nos mercados internacionais.

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Para o estrategista, o dólar pode já ter atingido um patamar próximo do piso neste ciclo, embora a balança comercial brasileira ainda funcione como fator de sustentação para o real.

Ao comentar os impactos econômicos do conflito entre Estados Unidos e Irã, Viato afirmou que os efeitos ainda estão sendo calculados pelo mercado, principalmente sobre inflação e atividade econômica.

Segundo ele, o aumento dos preços de energia tende a pressionar a inflação e desacelerar parte da economia global. Ainda assim, avaliou que o avanço dos investimentos em inteligência artificial vem ajudando a compensar parte desses efeitos.

“O conflito parece estar sendo administrado economicamente de forma menos problemática do que se imaginava inicialmente”, disse.

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