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Irã mantém condições para reabrir Estreito de Ormuz após rejeição dos EUA

Publicado 27/09/2026 • 11:00 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • O Irã mantém suas condições para reabrir o Estreito de Ormuz, mesmo após Donald Trump rejeitar a proposta apresentada por Teerã.
  • Entre as exigências iranianas estão o fim das hostilidades regionais, a liberação de ativos congelados, a retirada de sanções sobre o petróleo e o encerramento do bloqueio naval dos EUA.
  • Teerã afirma que pode normalizar a navegação em até sete dias caso suas condições sejam atendidas, enquanto mediadores ainda tentam aproximar as posições dos dois países.
Hormuz

Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC via Wikimedia

O estreito de Ormuz visto do espaço

O Irã afirmou neste domingo que não pretende alterar as condições apresentadas para a reabertura do Estreito de Ormuz, mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a proposta de trégua apresentada por Teerã.

A passagem marítima tornou-se um dos principais pontos de tensão no conflito entre os dois países. Estratégico para o transporte internacional de energia, o estreito está no centro das negociações diplomáticas em meio à guerra iniciada há quase sete meses, após ataques contra o território iraniano.

Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, qualquer acordo para normalizar a navegação depende do atendimento das exigências de Teerã.

“Nossas condições são claras, e qualquer medida para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Não vamos recuar”, afirmou Araghchi, segundo a emissora estatal IRIB.

Ele acrescentou que Teerã continua disposto a negociar. “Nunca fechamos a porta para a diplomacia ou para as negociações, mas, ao mesmo tempo, nunca recuamos em relação aos nossos direitos.”

Leia também: Irã apresenta condições aos EUA para reabrir Estreito de Ormuz em sete dias

Teerã vincula reabertura a cessar-fogo mais amplo

A proposta iraniana prevê o fim das hostilidades em diferentes frentes do Oriente Médio, incluindo o Líbano, além do cumprimento de compromissos previstos em um acordo anterior de cessar-fogo.

Entre as exigências mencionadas pelas autoridades iranianas estão a liberação de ativos do país congelados no exterior, o fim das sanções contra o petróleo iraniano e a suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Representantes de Teerã também disseram que o encerramento das hostilidades no Iêmen faz parte das demandas apresentadas.

Trump rejeita proposta iraniana

No sábado, Donald Trump declarou que rejeitava os termos apresentados pelo Irã, embora tenha afirmado estar aberto a negociações.

“Eles querem fazer um acordo em que abrem o estreito imediatamente porque estão perdendo muito”, disse Trump a jornalistas. “Eles querem fazer um acordo, e acho que está tudo bem. Eu também gosto de fazer acordos.”

Apesar da declaração pública do presidente norte-americano, o governo iraniano afirmou que ainda aguardava uma resposta formal transmitida pelos países envolvidos na mediação.

“Vimos a primeira reação do presidente dos Estados Unidos, mas, até agora, nada nos foi transmitido pelos mediadores”, disse Araghchi.

Segundo o chanceler iraniano, Teerã pretende avaliar sua resposta apenas depois de receber a posição oficial de Washington. “Estamos esperando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas e tomaremos uma decisão com base nelas.”

Acordo anterior não impediu nova escalada

Estados Unidos e Irã assinaram, em junho, um memorando de entendimento que previa o fim da guerra, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O entendimento, porém, perdeu efeito pouco depois, em meio a novos confrontos na região. Forças iranianas passaram a atacar navios comerciais acusados de desrespeitar as rotas autorizadas por Teerã.

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O Irã exige que embarcações obtenham autorização antes de atravessar o estreito e afirma que a medida está relacionada à segurança e à soberania nacional.

Navios que não cumprem essas determinações passaram a ser alvos de ações iranianas, enquanto os Estados Unidos responderam com ataques contra áreas costeiras do país.

Arábia Saudita critica uso de rotas como instrumento de pressão

A situação no Estreito de Ormuz também foi debatida nas Nações Unidas.

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, criticou a atuação da comunidade internacional diante da crise e defendeu a manutenção da circulação tanto em Ormuz quanto no estreito de Bab al-Mandab.

“A comunidade internacional esteve ausente” e não tem cumprido sua responsabilidade de manter essas passagens abertas, afirmou.

Segundo ele, “o reino rejeita o uso dessas passagens vitais por qualquer parte como instrumento de pressão, ameaça ou prejuízo aos interesses dos Estados”.

A Rússia também se posicionou sobre a crise. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está disposta a participar de esforços de estabilização.

“A Rússia, junto com outros Estados responsáveis, está pronta para contribuir de forma construtiva para a estabilização desta região estrategicamente importante”, declarou Lavrov.

Presidente iraniano diz não confiar mais nos Estados Unidos

Em Nova York, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Segundo o gabinete presidencial iraniano, Pezeshkian afirmou que Teerã mantém disposição para dialogar, mas demonstrou desconfiança em relação a Washington.

“O Irã não abandonou a mesa de negociações, mas, diante das experiências anteriores, já não confia nos Estados Unidos”, afirmou.

Durante sua participação na ONU, Araghchi disse ainda que o governo iraniano encaminhou aos Estados Unidos, por intermédio do Catar, um plano com prazo de sete dias.

“O Irã transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto de sete dias. Se as condições necessárias forem atendidas, o estreito poderá ser reaberto e a navegação normal restabelecida em sete dias”, declarou.

O chanceler acrescentou que a decisão depende agora da resposta norte-americana. “A escolha agora está com os Estados Unidos. O Irã não aceita coerção, ameaças ou intimidação e não abrirá mão de seus direitos soberanos sob pressão.”

Guarda Revolucionária mantém tom de confronto

A posição também foi reforçada pela Guarda Revolucionária do Irã. Segundo a agência Tasnim, o porta-voz Hossein Mohebi afirmou que as ações contra os Estados Unidos continuarão enquanto as condições apresentadas por Teerã não forem cumpridas.

“Não vamos parar de punir os Estados Unidos até que as sete condições do Irã sejam atendidas”, declarou.

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