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Conflito no Oriente Médio

Irã apresenta condições aos EUA para reabrir Estreito de Ormuz em sete dias

Publicado 25/09/2026 • 15:57 | Atualizado há 19 minutos

KEY POINTS

  • Teerã afirma ter apresentado propostas que podem permitir a reabertura do Estreito de Ormuz caso determinadas condições sejam aceitas pelos Estados Unidos.
  • Abbas Araqchi diz que um eventual acordo permitiria iniciar um cronograma para liberar a passagem pelo estreito no prazo de sete dias.
  • Masud Pezeshkian defende retomar entendimento firmado em junho e afirma que o Irã aceita discutir limites e verificações de seu programa nuclear.

Foto: U.S. Navy

Navio da Marinha dos Estados Unidos navega pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã

O Irã apresentou aos Estados Unidos propostas que podem abrir caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, desde que Washington cumpra determinadas condições, em uma tentativa de destravar as negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Fontes da Embaixada iraniana em Madri disseram à Europa Press que as ideias foram discutidas especialmente por meio dos países que atuam como mediadores. “Foram apresentadas algumas ideias a esse respeito, especialmente por parte dos mediadores, que, se o agressor norte-americano as aceitar e cumprir, também poderiam facilitar a reabertura do Estreito de Ormuz”, disseram.

As autoridades iranianas evitaram detalhar as exigências e ressaltaram que o cenário das negociações continua mudando. Por isso, segundo as fontes, ainda “não se pode afirmar nem negar nada com precisão” sobre os termos que poderiam levar à liberação da rota marítima.

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Teerã condiciona uma mudança na situação à interrupção das ações dos Estados Unidos contra o país. A representação diplomática iraniana atribuiu o atual cenário no estreito à ofensiva militar de americanos e israelenses, ao bloqueio naval dos EUA e ao que classificou como “guerra econômica” contra o Irã.

“Por isso, é a cessação dessas ações agressivas que poderia mudar a situação”, afirmaram as fontes.

Irã fala em prazo de sete dias

A possibilidade de um acordo ganhou novos contornos após o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmar, à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que a reabertura do Estreito de Ormuz poderia ocorrer em sete dias se Washington aceitasse as condições apresentadas por Teerã.

“Se determinadas condições forem cumpridas, o Estreito de Ormuz seria reaberto ao final do sétimo dia, e as negociações de paz seriam retomadas a partir de então”, explicou Araqchi. Segundo ele, o cronograma poderia começar no dia seguinte à aceitação do plano pelos Estados Unidos.

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O chanceler não revelou os detalhes da proposta, mas indicou que o modelo seria semelhante ao memorando de entendimento firmado em junho entre Irã e Estados Unidos no Paquistão, país que vem atuando como mediador.

O entendimento previa a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas durante 60 dias, período no qual deveriam avançar as negociações para a construção de um acordo definitivo. O documento não estabelecia o que aconteceria depois desse prazo.

O Paquistão também participou da mediação que levou ao acordo de cessar-fogo firmado em abril, posteriormente marcado por novas trocas de ataques.

Pezeshkian quer retomar acordo de junho

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, defendeu que as negociações partam justamente desse entendimento. Em entrevista à Fox News na quinta-feira (24), ele afirmou que Irã e Estados Unidos já haviam alcançado um acordo em junho.

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“Esse acordo foi assinado e, a partir dele, queremos avançar”, declarou. “O acordo-quadro foi acordado”, acrescentou.

Pezeshkian argumentou que o Estreito de Ormuz permanecia aberto e sem restrições à navegação antes da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel. Os ataques deixaram centenas de mortos, entre eles o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, morto no início da campanha de bombardeios.

“Eles nos atacaram. Assassinaram e martirizaram nosso querido líder supremo, nossos cientistas, nossos comandantes militares e membros do governo”, afirmou Pezeshkian. Para o presidente iraniano, o impasse começou quando os Estados Unidos optaram por ataques e bloqueios em lugar da negociação.

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Programa nuclear entra nas negociações

Em outra frente, Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a reduzir os níveis de enriquecimento de urânio e aceitar mecanismos de verificação como parte de uma negociação sobre seu programa nuclear.

O presidente reiterou que Teerã não pretende desenvolver armas nucleares e disse que o país aceita “diluir” o estoque de urânio enriquecido. “Não é um grande problema. Estamos dispostos a nos submeter a processos de verificação”, declarou.

Pezeshkian também rejeitou a necessidade de aguardar as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro, para tentar alcançar um entendimento.

“Se o governo dos Estados Unidos, dentro do marco jurídico internacional, quiser chegar a um acordo, tudo bem. Se não, antes ou depois das eleições, que diferença isso faz para nós?”, questionou.

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O presidente iraniano afirmou ainda que Teerã não pretende prolongar o conflito, mas continuará reagindo militarmente caso seja atacado. “Nós não queremos continuar a guerra. São os Estados Unidos que devem decidir se querem acabar com isso ou não”, disse.

“Estamos decididos a nos defender. Nunca buscamos a guerra. Não buscamos a guerra”, acrescentou Pezeshkian, que atribuiu a Israel a responsabilidade pela escalada do conflito no Oriente Médio.

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