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Irã vive nova onda de protestos em meio a bloqueio de internet e repressão; veja

Publicado 08/01/2026 • 20:58 | Atualizado há 18 horas

KEY POINTS

  • Uma nova onda de protestos tomou ruas de Teerã e de outras grandes cidades do Irã, em meio a um amplo bloqueio de internet e telefonia para dificultar a organização e a divulgação dos atos
  • Organizações de direitos humanos relatam ao menos dezenas de mortos, milhares de detidos e denúncias de repressão violenta, incluindo prisões em hospitais e uso de munição real contra manifestantes
  • As manifestações começaram por causa da crise econômica e da inflação, mas rapidamente evoluíram para protestos contra o regime e o líder supremo, elevando a pressão interna e a atenção internacional

Reprodução/X

Protestos se espalham pela capital Teerã

O Irã vive nesta quinta-feira (8) mais uma noite de protestos intensos na capital Teerã e em outras cidades, em meio a um bloqueio de internet e telefonia imposto pelo governo. Em diferentes bairros da capital e em cidades do interior, manifestantes voltaram a gritar palavras de ordem contra o líder supremo, Ali Khamenei, e contra a própria estrutura da República Islâmica.

A mobilização desta quinta-feira foi motivada por um chamado do príncipe Reza Pahlavi, que vive no exílio e é filho do último xá deposto na Revolução de 1979. Ele convocou os iranianos a se manifestarem às 20h, no horário local.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram concentrações em Teerã, Mashhad e Isfahan, com parte dos participantes exibindo a antiga bandeira iraniana com o símbolo do Leão e do Sol, hoje associada a setores da oposição fora do país.

Ao mesmo tempo, o governo voltou a restringir o acesso à internet e aos serviços de telefonia. Monitoramentos independentes indicam queda repentina no tráfego de dados em praticamente todo o país ao longo da tarde e da noite. A medida dificulta a circulação de vídeos, relatos e a verificação de episódios de violência.

Também nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou sobre a situação no país.

“Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente”, afirmou, durante entrevista ao apresentador de rádio Hugh Hewitt.

Os atos tiveram início no fim de dezembro, depois que comerciantes fecharam lojas no Grande Bazar de Teerã em protesto contra o aumento do custo de vida. Em poucos dias, estudantes, trabalhadores e parte da classe média passaram a se somar às manifestações.

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Organizações como Iran Human Rights e HRANA falam em dezenas de mortos e milhares de presos. Há ainda relatos de uso de munição real, gás lacrimogêneo e prisões dentro de hospitais.

Do lado oficial, autoridades iranianas atribuem os protestos à atuação de “inimigos estrangeiros” e descrevem parte dos atos como distúrbios violentos. Em pronunciamento recente, Khamenei reconheceu a existência de reivindicações legítimas, mas afirmou que grupos estariam se aproveitando da situação para desestabilizar o país.

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