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Israel ordena ataques no sul de Beirute; ONU prepara reunião de emergência

Publicado 01/06/2026 • 13:03 | Atualizado há 16 minutos

KEY POINTS

  • Após invadir o sul do Líbano, Israel ordenou o bombardeio da periferia de Beirute, reduto do Hezbollah, antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
  • A sessão do principal órgão de segurança da ONU foi convocada a pedido da França, cujo presidente, Emmanuel Macron, afirmou que "nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano".
  • A ofensiva israelense contra seu vizinho do norte acontece de maneira paralela às negociações dos Estados Unidos com o Irã para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

Após invadir o sul do Líbano e arrasar diversas localidades, Israel ordenou nesta segunda-feira (01) o bombardeio da periferia de Beirute, reduto do Hezbollah, antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

A sessão do principal órgão de segurança da ONU foi convocada a pedido da França, cujo presidente, Emmanuel Macron, afirmou que “nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano”.

A ofensiva israelense contra seu vizinho do norte acontece de maneira paralela às negociações dos Estados Unidos com o Irã para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio.

Teerã reiterou nesta segunda-feira que qualquer acordo com Washington dependerá da implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano.

Israel e Líbano anunciaram uma trégua em 17 de abril, mas o cessar-fogo nunca foi respeitado. O Estado hebreu afirma que a ofensiva no Líbano pretende “esmagar” o grupo xiita Hezbollah, que, como aliado do Irã, retomou as hostilidades em 2 de março como forma de solidariedade a Teerã, alvo de uma ofensiva israelense-americana.

Leia também: Israel diz ter matado novo chefe militar do Hamas em Gaza durante cessar-fogo

Nos últimos dias, o Exército israelense avançou em sua ofensiva no sul do Líbano, enquanto prossegue com os bombardeios aéreos. Várias localidades da região foram arrasadas, segundo moradores, denúncias comprovadas por imagens de satélite e fotografias da AFP.

Na semana passada, as Forças Armadas israelenses declararam uma zona de combate em todo o território libanês situado ao sul do rio Zahrani, a quase 40 km da fronteira entre os dois países.

A barreira natural fica muito além do rio Litani, a cerca de 30 km, e que as tropas israelenses atravessaram, anunciou na sexta-feira o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou nesta segunda-feira que o objetivo é estabelecer “uma zona sob controle de segurança do Exército, livre de armas e de terroristas”, na área do rio Litani.

O Hezbollah, por sua vez, prossegue com os ataques com drones contra posições israelenses, no sul do Líbano e na região norte de Israel.

“Pânico geral”

Diante do que descrevem como “repetidas violações do cessar-fogo” por parte do Hezbollah, Netanyahu e Katz ordenaram nesta segunda-feira ataques contra alvos do grupo na periferia sul de Beirute, segundo um comunicado oficial.

O Hezbollah tem forte presença nos bairros do sul da capital libanesa, assim como no sul e no leste do país.

Após o anúncio, centenas de famílias começaram a abandonar a periferia sul, a pé, de moto ou em veículos.

“Partimos imediatamente”, contou um jovem de 24 anos que se identificou como Hadi. As declarações israelenses “provocaram pânico geral”, afirmou.

Leia também: Netanyahu ordena intensificação de ofensiva israelense no Líbano

No domingo, Israel reivindicou a tomada da estratégica fortaleza de Beaufort, no sul do Líbano, que qualificou como um “ponto de inflexão decisivo” nas operações.

A fortaleza de Beaufort está localizada em uma elevação rochosa que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel. O local tem importância estratégica e simbólica, pois serviu de base para as forças israelenses durante as duas décadas de ocupação do sul do Líbano, que terminaram no ano 2000 sob pressão do Hezbollah.

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Além disso, sua captura abre caminho para um avanço do Exército israelense em direção à região de Nabatiyeh, mais ao norte.

“Plano claro”

O Exército israelense também ordenou nesta segunda-feira a evacuação de nove vilarejos nas regiões de Sidon e Jezzine, no sul do Líbano.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversou com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre as negociações de paz entre os dois países, indicou no domingo um funcionário do governo americano.

“Para fazer este diálogo avançar, o governo dos Estados Unidos propôs um plano claro: o Hezbollah deve acabar com todos os ataques contra Israel. Por sua vez, Israel se absterá de qualquer escalada em Beirute”, declarou a fonte, que pediu anonimato.

Uma nova rodada de conversações entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para terça e quarta-feira em Washington.

Desde o início da guerra, em 2 de março, mais de 3.410 pessoas morreram no Líbano e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute.

O balanço do lado israelense subiu para 26 mortos após a morte de outro soldado nesta segunda-feira.

Leia mais: Ataques de Israel no sul do Líbano deixam 10 mortos, apesar de cessar-fogo com Hezbollah

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