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Maduro contrata advogado do WikiLeaks para se defender nos EUA

Publicado 05/01/2026 • 22:30 | Atualizado há 24 horas

KEY POINTS

  • O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, contratou o advogado Barry Pollack, conhecido por ter defendido Julian Assange e o WikiLeaks, para atuar em seu processo nos Estados Unidos
  • A contratação foi confirmada na primeira audiência de custódia, na qual Maduro se declarou inocente e permanece sob custódia federal
  • A defesa levantou questões sobre o estado de saúde de Maduro, alegou ferimentos sofridos por Cilia Flores durante a captura e contestou a legalidade da operação militar dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, contratou o advogado americano Barry Pollack para representá-lo no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Pollack é conhecido internacionalmente por ter defendido Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em processos criminais de grande repercussão nos Estados Unidos.

A contratação foi confirmada durante a primeira audiência de custódia, etapa obrigatória do processo em que os réus são formalmente informados das acusações. Na sessão, Maduro se declarou inocente, afirmou ser um “homem decente” e permanece sob custódia federal.

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Segundo a imprensa americana, Pollack informou ao juiz que, neste momento, seu cliente não pretende solicitar liberdade mediante pagamento de fiança. A defesa, no entanto, indicou que a possibilidade poderá ser reavaliada ao longo do andamento do processo.

Durante a audiência inicial, a equipe jurídica de Maduro também levantou outras questões. A defesa afirmou que o ex-presidente enfrenta problemas de saúde não especificados, que exigem acompanhamento. Também alegou que Cilia Flores, esposa de Maduro, sofreu ferimentos durante a operação de captura conduzida por forças dos Estados Unidos.

Ainda na sessão, Maduro se apresentou como “presidente da República da Venezuela” e classificou a ação militar realizada no sábado (3) como um “sequestro”.

A operação foi anunciada publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que tropas americanas capturaram Maduro e Cilia Flores durante uma ação militar em território venezuelano. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, disse que a ordem foi dada na noite da sexta-feira anterior e executada na madrugada de sábado.

Segundo autoridades americanas, a operação envolveu cerca de 150 caças e bombardeiros, que atacaram quatro alvos estratégicos e neutralizaram sistemas de defesa aérea. Helicópteros transportaram tropas até Caracas para realizar a captura, em uma missão que durou aproximadamente duas horas e vinte minutos.

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A ação levanta questionamentos jurídicos e diplomáticos. Há dúvidas sobre a legalidade de uma operação militar em outro país sem autorização do Conselho de Segurança da ONU. Trump afirmou que a aprovação do órgão não era necessária. Também há questionamentos internos nos Estados Unidos sobre a necessidade de autorização prévia do Congresso, algo que, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, não foi possível realizar com antecedência.

Não há confirmação oficial sobre o número de mortos ou feridos na operação. Autoridades venezuelanas afirmaram que civis morreram, enquanto um oficial americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA, sem comentar possíveis vítimas locais.

Após a captura, Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até que fosse definida uma transição política. Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez.

Trump disse que Rubio manteve contato com Rodríguez e que ela teria sinalizado disposição para cooperar com ações lideradas pelos Estados Unidos. Em pronunciamento posterior, no entanto, Rodríguez rejeitou a versão americana, classificou a operação como violação da soberania do país e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo da Venezuela.

Ela declarou ainda que o país está aberto a uma relação respeitosa com o governo americano, desde que baseada no direito internacional, e rejeitou qualquer forma de tutela externa.

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