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Michelin começa a dar notas a vinícolas e provoca reação no setor de vinhos
Publicado 26/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 24 minutos
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Publicado 26/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 24 minutos
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Foto: unsplash
Michelin começa a dar notas a vinícolas e provoca reação no setor de vinhos
O Guia Michelin começou a classificar vinícolas e seus vinhedos, ampliando uma atuação que durante décadas ficou associada principalmente aos restaurantes. A novidade provocou críticas entre profissionais do mercado de vinhos, principalmente em relação aos critérios utilizados e às propriedades selecionadas.
A nova classificação usa uvas como símbolo. Uma uva representa um produtor considerado muito bom; duas indicam um produtor excelente; e três correspondem a um produtor excepcional. Segndo a Robreport, depois de uma primeira incursão pela Borgonha, em julho, o Michelin chegou a Bordeaux. Em 7 de setembro, o guia apresentou as classificações da região durante uma cerimônia na Cité du Vin, em Bordeaux.
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O guia utiliza cinco critérios para analisar os produtores: qualidade agronômica, domínio técnico, identidade, equilíbrio e consistência. A metodologia também difere da aplicada aos restaurantes. Os inspetores gastronômicos trabalham de forma anônima, enquanto os especialistas responsáveis pelas vinícolas precisaram agendar visitas aos produtores.
Durante o processo, eles analisaram diferentes safras, os vinhedos e as instalações de produção. A equipe reuniu profissionais do setor, como ex-sommeliers, críticos e enólogos. A metodologia, porém, passou a ser questionada. Adam Lee, proprietário e enólogo da Clarice Wine Company, na Califórnia, colocou em dúvida se os inspetores tiveram tempo, acesso e conhecimento suficientes para avaliar características dos vinhedos de Bordeaux.
Ele também criticou a falta de explicações do Michelin sobre como a análise foi realizada, principalmente em relação às diferenças de solo e aos diversos talhões das propriedades.
O Michelin destacou 84 propriedades em Bordeaux. Nove receberam três uvas, 16 ganharam duas e 38 ficaram com uma. Outras 21 foram incluídas no guia, mas não receberam nenhuma uva. O número representa uma pequena parcela dos mais de 7 mil châteaux produtores de vinho na região.
Segundo o próprio Michelin, a seleção contempla a maior parte das denominações mais importantes de Bordeaux. Com isso, produtores de áreas menos destacadas ficaram fora da avaliação, incluindo denominações como Bordeaux AOC, Bordeaux Supérieur, Cru Bourgeois Supérieur e Entre-Deux-Mers.
Entre as áreas contempladas estão Saint-Estèphe, Pauillac, Saint-Julien, Margaux e Pessac-Léognan, na margem esquerda. Pomerol e Saint-Émilion aparecem na margem direita, enquanto Sauternes e Barsac representam os produtores de vinhos doces.
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Parte da repercussão surgiu pelas notas atribuídas a produtores conhecidos. Château d’Yquem, Château Cheval Blanc e Pétrus receberam três uvas. Já Château Margaux, Château Angélus e Château Haut-Brion ficaram com duas. Château Cos-d’Estournel e Château Lynch-Bages receberam uma uva.
As escolhas provocaram comentários em redes sociais. Robin Kelley O’Connor, educadora internacional de vinhos de Bordeaux, questionou, por exemplo, a classificação do Château Le Pin, que recebeu uma uva. Segundo O’Connor, o vinho custa cerca de US$ 4.100 no lançamento, está entre os mais procurados do mundo e costuma receber avaliações de 97 a 100 pontos.
Outra crítica envolve o fato de o Michelin classificar as propriedades, e não safras ou cuvées específicas. Jeff Leve, editor e publisher do The Wine Cellar Insider, afirmou que clima, decisões tomadas nos vinhedos e escolhas na produção podem alterar as características de um vinho de uma safra para outra.
A classificação de vinícolas faz parte da expansão do Guia Michelin para além dos restaurantes. Em 2024, a empresa lançou as Chaves Michelin para classificar hotéis. Agora, passou a utilizar seu sistema de reconhecimento também no setor de vinhos.
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Apesar das críticas, algumas vinícolas comemoraram a iniciativa. O Château Troplong Mondot, de Saint-Émilion, divulgou um comunicado celebrando as duas uvas recebidas.
Para Guillaume Jourdan, diretor-geral da consultoria VitaBella, a entrada do Michelin pode ajudar a dar visibilidade ao vinho em um período difícil para a indústria. Assim, a nova classificação ainda divide opiniões no setor. Enquanto alguns profissionais veem potencial de divulgação para as vinícolas, outros questionam a metodologia e a transparência do sistema.
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