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Novos ataques dos EUA ao Irã aumentam risco de escalada e acendem alerta para impacto global nos preços da energia

Publicado 10/06/2026 • 21:41 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A estratégia de pressão máxima adotada por Donald Trump não produziu os resultados esperados e que o Irã passou a contar com uma poderosa ferramenta de influência geopolítica por meio do controle do Estreito de Ormuz.
  • Uma eventual ampliação dos ataques iranianos contra instalações petrolíferas no Golfo pode provocar interrupções no fornecimento de petróleo e pressionar ainda mais os preços da commodity.
  • A continuidade do conflito pode elevar custos em diversos setores, como transporte aéreo, fertilizantes e medicamentos, além de aumentar a pressão inflacionária e o desgaste político de Trump nos Estados Unidos.

Foto: AFP

Os novos ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos no Irã elevaram as incertezas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio e aumentaram as preocupações com os efeitos econômicos da crise. A avaliação é de Carlos Poggio, doutor em Relações Internacionais e especialista em política americana, em análise sobre os desdobramentos da ofensiva desta quarta-feira (10).

O Comando Central dos Estados Unidos informou que as forças americanas realizaram novos ataques contra múltiplos alvos iranianos por ordem do presidente Donald Trump. Washington classificou a operação como uma ação de autodefesa, em resposta ao abatimento de um helicóptero do exército americano em meio ao cessar–fogo.

Para Poggio, o endurecimento do discurso da Casa Branca reflete a frustração de Trump com os resultados de sua estratégia de pressão máxima sobre Teerã. Segundo ele, o presidente americano apostou em ameaças e demonstrações de força para forçar concessões nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas não obteve os resultados esperados. “O Donald Trump imaginava que os iranianos iriam se dobrar a esta pressão enorme que os Estados Unidos vêm feito. E não é o que está acontecendo”, afirmou.

Na avaliação do especialista, apesar das perdas militares sofridas pelo Irã, o país ganhou uma importante ferramenta de pressão geopolítica ao demonstrar disposição para usar sua influência sobre o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa uma parcela relevante do petróleo comercializado mundialmente. “Os iranianos hoje descobriram que, apesar de enfraquecidos militarmente, eles estão fortalecidos geopoliticamente através de uma arma que é muito mais poderosa do que uma bomba nuclear, no caso do Irã, muito mais útil, que é o controle do Estreito de Ormuz”, disse.

A principal preocupação dos mercados é saber se os ataques americanos representam apenas uma demonstração de força ou o início de uma escalada mais ampla. Parao comentarista de política e economia do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Vinícius Torres Freire, a resposta dependerá tanto da intensidade das ações dos Estados Unidos quanto da reação iraniana. Caso Teerã amplie os ataques ou passe a atingir instalações petrolíferas de países do Golfo, os impactos poderão ser significativos. “Se esse ataque é prolongado, se o Irã reage, ataca instalação produtora de petróleo nos países do Golfo, o caldo entorna”, afirmou.

Até o momento, segundo o jornalista, os investidores têm interpretado as ofensivas como uma resposta pontual, sem expectativa imediata de retomada plena da guerra. Essa leitura ajudou a manter os preços do petróleo próximos dos níveis observados nas últimas semanas. No entanto, o cenário pode mudar rapidamente caso surjam sinais de interrupção mais duradoura da produção ou do transporte de petróleo na região.

Poggio avalia que a crise já produziu uma mudança estrutural na dinâmica regional. Segundo ele, os confrontos entre Irã, Israel e Estados Unidos deixaram de ocorrer apenas por meio de aliados e operações indiretas para assumir características de uma guerra aberta. “Aquela guerra que estava nas sombras passou a ser uma guerra aberta”, afirmou. Para o especialista, essa mudança amplia o risco de novas formas de confronto e torna mais difícil a construção de uma solução diplomática.

Além do petróleo, os impactos podem atingir fertilizantes, medicamentos e diversas cadeias produtivas dependentes de energia e logística internacional. O especialista alertou que setores como o transporte aéreo tendem a sentir rapidamente os efeitos da alta do combustível. “Passagens aéreas devem aumentar de preço por conta desse seu principal gasto de companhias aéreas, que é o gasto em combustível”, observou.

Os efeitos políticos também preocupam a Casa Branca. Segundo Poggio, a guerra já nasce impopular entre os americanos e pode ampliar as dificuldades enfrentadas por Trump. O especialista destacou que a principal preocupação do eleitor não é necessariamente o conflito em si, mas o aumento do custo de vida. “O americano não está avaliando tanto a questão do Irã, mas o preço da gasolina”, afirmou.

Para os analistas, os próximos movimentos do Irã serão decisivos para determinar se o conflito permanecerá sob controle ou avançará para uma fase mais perigosa. Enquanto isso, cresce a percepção de que uma normalização rápida da situação no Oriente Médio está cada vez mais distante, prolongando as pressões sobre os mercados globais de energia e sobre a inflação mundial.

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