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O que esperar dos mercados globais após disparada do petróleo e tombo das bolsas com conflito no Oriente Médio

Publicado 03/03/2026 • 16:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Ações e títulos caem no mundo com guerra entre EUA e Irã entrando no quarto dia.
  • Petróleo sobe quase 9% e dólar avança, enquanto bolsas na Europa e Ásia despencam.
  • Estrategistas veem choque possivelmente temporário, mas alertam para riscos inflacionários.
Ativos globais, de ações a títulos públicos, registraram forte queda nesta terça-feira (3), em meio à intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, que entrou em seu quarto dia com novos ataques de mísseis e drones na região.

Bolsa de Valores de Nova York

Ativos globais, de ações a títulos públicos, registraram forte queda nesta terça-feira (3), em meio à intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, que entrou em seu quarto dia com novos ataques de mísseis e drones na região. O presidente Donald Trump alertou que a guerra pode durar além das quatro semanas inicialmente previstas, ampliando o sentimento de aversão ao risco.

As bolsas internacionais aprofundaram as perdas já vistas na véspera. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu mais de 3,2% no início da tarde, após recuo de 1,6% no dia anterior. A queda foi disseminada, com ações dos setores bancário, de seguros e varejo recuando mais de 4%.

Na Ásia, os principais índices fecharam no vermelho. O Kospi, da Coreia do Sul, teve seu pior desempenho em 19 meses, com queda de 7%. O Nikkei 225, do Japão, recuou 3%, enquanto o Shanghai Composite, da China, caiu 1,4%. Em Wall Street, os contratos futuros dos três principais índices também apontavam para abertura negativa.

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Fora do mercado acionário, os títulos soberanos também foram pressionados. Em Londres, os rendimentos dos papéis de Japão, Suíça, Austrália, Reino Unido e Alemanha subiram de forma relevante. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries avançaram em toda a curva, com o título de 10 anos subindo 5 pontos-base e os papéis de 2 e 5 anos avançando cerca de 8 pontos-base.

Reprecificação de risco

Para Haig Bathgate, CEO da Callanish Capital, os mercados podem encontrar estabilidade após o choque inicial do conflito. Em entrevista à CNBC, ele afirmou que o que mais incomoda os investidores é a incerteza máxima, levando gestores a reduzir exposição.

“Os mercados odeiam incerteza. Estamos no ponto máximo disso, então as pessoas estão reposicionando carteiras”, disse, classificando as quedas como um movimento clássico de ‘de-risking’, possivelmente de curta duração.

Bathgate destacou que os rendimentos europeus foram especialmente impactados após a escalada do conflito, refletindo anos de subinvestimento em defesa e maior pressão dos Estados Unidos para que o continente amplie seus gastos militares.

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Segundo ele, países com economias mais frágeis, como o Reino Unido, podem enfrentar desafios adicionais, já que o aumento do risco geopolítico tende a exigir mais gastos em defesa, pressionando as contas públicas.

Impacto no câmbio e no petróleo

O mercado de câmbio também registrou volatilidade. O índice do dólar avançava cerca de 0,9% às 9h30 (horário do leste dos EUA). Libra esterlina, dólar australiano e euro recuaram frente à moeda americana, assim como o franco suíço e o iene japonês. Entre emergentes, real brasileiro, peso mexicano e rupia indiana sofreram perdas relevantes.

As criptomoedas também recuaram, com o bitcoin caindo 3,2%, para US$ 66.824 (R$ 352.562,48).

A pressão sobre os mercados ocorreu enquanto o petróleo Brent avançava quase 9%, negociado ao redor de US$ 84,50 (R$ 445,32) por barril. O West Texas Intermediate (WTI) subia mais de 8%.

Apesar do cenário turbulento, alguns estrategistas avaliam que a correção pode ser limitada. Henry Allen, do Deutsche Bank Research, afirmou que, até o momento, a alta do petróleo não se compara a choques históricos como 2022, a Guerra do Golfo ou os choques do petróleo dos anos 1970.

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Segundo ele, quedas prolongadas no S&P 500 impulsionadas por choques de petróleo exigiriam pelo menos uma das seguintes condições: alta sustentada de 50% ou mais no petróleo por vários meses; impacto suficiente para levar a economia à recessão; ou mudança agressiva de política monetária por parte de bancos centrais como Fed e BCE.

“Ainda não vimos o petróleo subir mais de 50%, nem deterioração relevante nos dados econômicos, nem o mercado precificar alta de juros por parte de grandes bancos centrais”, afirmou.

Disrupção temporária?

Estrategistas do UBS afirmaram que o cenário-base é de interrupção temporária no fornecimento global de energia. A expectativa é que a alta recente do petróleo seja parcialmente revertida caso fique claro que os danos à infraestrutura são limitados e que as rotas de transporte serão restabelecidas.

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Nesse cenário, os mercados podem permanecer voláteis nas próximas semanas, mas tenderiam a retomar o foco nos fundamentos econômicos globais.

Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, manter liquidez pode ser a melhor estratégia no momento. “Manter caixa e aproveitar oportunidades conforme surgem pode ser a melhor ação durante o atual drama”, afirmou.

Ele acrescentou que, após a recente disparada, grandes empresas de energia na Europa e nos Estados Unidos já parecem precificadas de forma justa ou até sobreavaliadas, sugerindo cautela para investidores que buscam exposição ao setor.

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