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O que muda para os mercados após tensão na Venezuela? 5 sinais no radar dos investidores

Publicado 05/01/2026 • 07:16 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • Os investidores observam alguns sinais enquanto tentam diferenciar um choque pontual de manchete de uma transmissão efetiva para a economia após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
  • O CEO da Fibonacci Asset Management afirmou à CNBC que os movimentos registrados até agora refletem “uma proteção modesta, e não uma corrida por ativos de segurança”.

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Os mercados avaliam se o episódio da Venezuela marca um ponto de inflexão na forma como o poder político é precificado nos ativos ou se será apenas mais um choque de manchete que perde força rapidamente nas carteiras.

Os preços do ouro avançaram mais de 2% e chegaram a US$ 4.419 por onça na segunda-feira (5), enquanto o dólar se fortaleceu de forma moderada. O índice do dólar, que mede o valor da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas principais, subiu cerca de 0,2%, para 98,662.

Outros termômetros do mercado permanecem relativamente contidos. Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos pouco se alteraram, com as taxas dos títulos de 10 e 2 anos praticamente estáveis, em 4,187% e 3,475%, respectivamente. O MSCI All Country World Index, que mede o desempenho das bolsas globais, avançou 0,48%.

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“Embora as manchetes sejam perturbadoras, a reação do mercado até agora tem sido notavelmente contida”, afirmou Jung In Yun, fundador e CEO da Fibonacci Asset Management, acrescentando que os movimentos observados até aqui refletem “uma proteção modesta, e não uma corrida por ativos de segurança”.

Os investidores acompanham alguns sinais específicos enquanto tentam diferenciar um choque pontual de manchete de uma transmissão efetiva para a economia.

1. Estrutura do mercado de petróleo, não o preço à vista

O primeiro teste para saber se os desdobramentos na Venezuela têm relevância sistêmica para os mercados não está em onde o petróleo é negociado hoje, mas em como o mercado está estruturado.

“O ponto-chave aqui é saber se a oferta de petróleo se aperta”, disse Billy Leung, estrategista sênior de investimentos da Global X ETFs. “Enquanto o Brent for negociado em torno de US$ 60 e a curva futura permanecer em contango, o mercado está sinalizando oferta abundante e preocupação limitada com interrupções vindas da Venezuela.”

“Uma mudança para backwardation indicaria que isso está se tornando um problema real de oferta, e não apenas um evento de manchete. O que não está acontecendo neste momento.”

Quando uma crise ameaça de fato a oferta de petróleo, os compradores costumam correr para garantir barris imediatamente, elevando os preços de curto prazo acima dos preços futuros. Isso cria uma estrutura de mercado conhecida como backwardation, um sinal clássico de escassez ou pânico. Enquanto a curva do petróleo não se apertar, os investidores não veem os acontecimentos na Venezuela como uma ameaça ao sistema energético global.

Essa leitura se repete em todo o complexo de energia. A Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 1% da oferta global. Além disso, a infraestrutura-chave segue operacional. A Opep+ pausou os aumentos de produção, os estoques são elevados e as condições de superávit global continuam dominando a formação de preços, segundo especialistas do setor.

Como resume Norbert Rücker, chefe de economia e pesquisa de próxima geração do Julius Baer: “Acreditamos que esses eventos representam riscos mínimos de oferta no curto prazo e, portanto, oferecem poucas chances de uma alta significativa nos preços do petróleo… O mercado de petróleo parece estar em um superávit duradouro”.

2. Precificação da volatilidade

Outro sinal claro de complacência do mercado é a volatilidade, ou melhor, a falta dela. O índice de volatilidade VIX, que mede a volatilidade esperada do mercado acionário americano para os próximos 30 dias, está atualmente em 14,5.

Esse nível está bem abaixo de patamares de estresse e distante do pico acima de 50 registrado durante os choques tarifários do ano passado, observou Leung. O VIX funciona como um indicador prospectivo de medo e incerteza nos mercados: quanto mais alto, maior a percepção de risco; quando cai, sinaliza o oposto.

“Isso mostra que os mercados não estão pagando mais por proteção, apesar das manchetes geopolíticas elevadas”, disse Leung.

Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, fez avaliação semelhante ao afirmar que os mercados estão “esperando para ver o que acontece a seguir. Por isso, a reação inicial é relativamente contida”.

3. Juros reais dos EUA e spreads de crédito

Se a Venezuela estivesse desencadeando uma reprecificação mais ampla do risco, isso apareceria na queda dos rendimentos dos títulos e no aumento das expectativas de inflação — o que não vem ocorrendo, segundo analistas de mercado.

Até agora, os juros reais seguem elevados, em parte refletindo o pesado endividamento dos Estados Unidos. As expectativas de inflação também permanecem estáveis, indicando que não houve mudança relevante no cenário de crescimento ou inflação, afirmou Leung.

Os investidores também acompanham de perto os mercados de crédito, que muitas vezes sinalizam estresse antes das bolsas.

“Os mercados de crédito tendem a precificar o estresse mais cedo, e às vezes melhor, do que as ações”, disse Leung. “Spreads de títulos de alto rendimento e de dívida soberana de mercados emergentes são os principais indicadores a observar. Os próprios títulos venezuelanos não são informativos, pois já estão profundamente deteriorados e são amplamente irrelevantes para a precificação global de risco.”

4. Outros ativos de proteção

O ouro tem sido o principal beneficiado pelos desdobramentos na Venezuela, após uma sequência de máximas históricas em 2025. Da mesma forma, os preços da prata avançaram mais de 3%, para US$ 75,2733 por onça.

“Isso sugere um aumento reflexo na precificação dos riscos geopolíticos”, disse Steve Brice, diretor global de investimentos do Standard Chartered. O banco projeta que o ouro alcance US$ 4.800 por onça ainda este ano. “Se algo, esses desdobramentos podem acelerar essa valorização”, acrescentou.

Embora o ouro costume se sair bem quando outros ativos vão mal, ele apresenta desempenho ainda melhor “quando as pessoas perdem a confiança na forma como o mundo funciona”, afirmou Adrian Ash, diretor de pesquisa da BullionVault. “O retorno de Trump à Casa Branca desestruturou as bases, alianças e regras nas quais os negócios e o capital ocidentais acreditavam poder confiar.”

5. Efeitos colaterais em outros focos de tensão

O risco de longo prazo não é a Venezuela em si, mas se o episódio altera o comportamento político em outras partes do mundo.

Yardeni observou que a Venezuela se soma a uma lista já extensa de focos de tensão, que inclui o Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as tensões entre China e Taiwan.

“Até agora, esses riscos não interromperam o mercado global de alta das ações”, disse ele, embora tenham contribuído para a valorização dos metais preciosos.

O risco mais adiante é se isso cria um precedente que afete o comportamento em outros lugares, especialmente em relação a Taiwan, afirmou Leung. “Os mercados vão se concentrar menos na retórica política e mais em saber se este episódio muda as ações de outras grandes potências.”

Após a intervenção na Venezuela, surgiram especulações de que poderia existir um acordo entre Pequim e Washington no qual Taiwan seria “trocada” pela Venezuela. Uma reunificação militar entre China e Taiwan não é iminente neste momento, segundo Marko Papic, estrategista-chefe de GeoMacro da BCA Research.

“Os Estados Unidos recentemente tanto transferiram um número significativo de armas para Taiwan quanto a incluíram como uma ‘linha vermelha’ em suas relações com a China na mais recente Estratégia de Segurança Nacional”, afirmou.

Por ora, a maioria dos investidores vê os acontecimentos na Venezuela como um choque tático, e não como uma mudança de regime para os mercados.

“Neste estágio, o comportamento dos preços aponta para um prêmio temporário de risco geopolítico, e não para uma mudança estrutural”, acrescentou Jung, da Fibonacci Asset Management.

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