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Ouro despenca mais de 10% e prata tomba 31% com Warsh no Fed e realização de lucros

Publicado 30/01/2026 • 16:27 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Os metais registraram o pior desempenho percentual para um único dia desde 2016.
  • O movimento foi deflagrado pela redução nas expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos após dados fortes de inflação e a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed).
  • Warsh é visto pelos mercados como um perfil mais hawkish (rigoroso contra a inflação), o que reduziu a aposta em flexibilizações monetárias agressivas.
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Ouro

O ouro fechou em queda de mais de 11% nesta sexta-feira (30), registrando o pior desempenho percentual para um único dia desde 2016. A prata acompanhou o movimento e “derreteu” 31%, em uma sessão marcada por uma liquidação agressiva de metais preciosos.

O movimento foi deflagrado pela redução nas expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos após dados fortes de inflação e a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed).

Na Comex, o ouro para abril encerrou cotado a US$ 4.745,10 (cerca de R$ 23.725, na cotação atual) por onça-troy, devolvendo os ganhos de uma sequência de nove pregões consecutivos de alta. Já a prata para março recuou para US$ 78,53 (R$ 392,65) por onça-troy.

Apesar do tombo vertiginoso no último dia útil do mês, o ouro ainda acumula alta de 9,30% em janeiro, enquanto a prata ganha 11,23% no período mensal.

O “Efeito Warsh” e a liquidação forçada de contratos

A queda se intensificou após o presidente Donald Trump indicar Kevin Warsh para substituir Jerome Powell no comando do Fed em maio. Warsh é visto pelos mercados como um perfil mais hawkish (rigoroso contra a inflação), o que reduziu a aposta em flexibilizações monetárias agressivas.

Esse cenário, somado ao Índice de Preços ao Produtor (PPI) acima do esperado, impulsionou o dólar e os juros dos Treasuries, prejudicando os metais que não rendem juros.

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A magnitude da desvalorização também foi alimentada por fatores técnicos. A alta volatilidade acionou mecanismos de liquidação automática de posições alavancadas em contratos de derivativos. Quando o ouro caiu abaixo de patamares psicológicos importantes, após ter atingido a máxima histórica de US$ 5.600 (R$ 28.000) na quinta-feira (29), disparou uma onda de vendas forçadas que acelerou o derretimento dos preços.

Realização de lucros e perspectivas para 2026

Analistas apontam que o movimento desta sexta-feira reflete uma forte realização de lucros após ralis históricos. O ouro vinha operando em níveis recordes, e a correção era considerada provável por consultorias como a Capital Economics.

A consultoria enfatiza que os preços podem cair com a mesma velocidade que sobem, prevendo que o metal termine o ano de 2026 bem abaixo dos níveis atuais de resistência.

Outros metais preciosos também sofreram perdas pesadas na sessão. A platina para abril tombou 19%, cotada a US$ 2.121,60 (R$ 10.608), devolvendo ganhos que a levaram a renovar máximas históricas no início da semana. O paládio para março cedeu 15,62%, encerrando a US$ 1.703,10 (R$ 8.515).

Apesar do susto, a ferramenta do CME Group ainda aponta junho como o mês mais provável para o início do ciclo de queda de juros nos EUA.

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