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Petroleiros enfrentam “pior cenário” no Estreito de Ormuz com intensificação dos ataques do Irã, diz CEO da Marisks

Publicado 17/07/2026 • 17:47 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • As empresas de navegação enfrentam "pior cenário" no Estreito de Ormuz, afirmou Dimitris Maniatis, CEO da gestora de riscos marítimos Marisks.
  • Pelo menos nove embarcações foram alvo de ataques desde 6 de julho, à medida que o Irã tenta forçar os navios a navegar pelo Estreito de Ormuz utilizando águas territoriais.
  • "As tripulações das embarcações estão ainda mais preocupadas do que estavam antes", disse Maniatis.

A situação de segurança no Estreito de Ormuz voltou a um “cenário de pior caso” para os petroleiros, após o Irã intensificar os ataques a embarcações na última semana, afirmou o CEO da empresa de serviços de risco marítimo Marisks.

“Estamos vendo uma redução no volume de travessias pelo Estreito de Ormuz e, neste momento, as tripulações das embarcações estão ainda mais preocupadas do que estavam antes”, disse Dimitris Maniatis, CEO da Marisks, sediada em Atenas, durante uma apresentação promovida pela Lloyd’s List Intelligence nesta semana.

“Ninguém está disposto a navegar”, afirmou Maniatis.

Pelo menos nove navios foram atacados desde 6 de julho, enquanto o Irã tenta obrigar as embarcações a cruzarem o Estreito de Ormuz por águas territoriais, em vez da rota ao longo da costa de Omã, protegida pelas forças militares dos Estados Unidos, segundo dados da Organização Marítima Internacional (IMO), agência ligada à ONU.

Um tripulante morreu e outros três ficaram feridos em um ataque ao petroleiro de petróleo bruto Al Bahyah, na costa de Omã, na terça-feira, segundo a IMO. No mesmo dia, outros 11 marinheiros ficaram feridos em um ataque ao Mombasa B, também um petroleiro que navegava próximo à costa de Omã.

Os ataques iranianos utilizaram mísseis antinavio, afirmou Jakob Larsen, diretor de segurança da BIMCO, uma das maiores associações de transporte marítimo do mundo.

“Tudo isso repercute entre as tripulações e, neste momento, elas simplesmente não querem atravessar a região, independentemente do que lhes seja prometido”, disse Maniatis. “Não se trata mais de dinheiro. Não se trata de qualquer outro ideal. Trata-se apenas do medo, que neste momento está guiando a tomada de decisões.”

Na quarta-feira, as Forças Armadas dos Estados Unidos interceptaram um petroleiro vazio após restabelecerem o bloqueio naval contra o Irã nesta semana, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom). O M/T Belma, de bandeira de Curaçao, ignorou diversos avisos enquanto navegava em águas internacionais em direção à Ilha de Kharg, no Irã, informou o Centcom.

A rota tradicional pelo centro do Estreito de Ormuz, conhecida como esquema de separação de tráfego, continua perigosa demais devido ao risco de minas marítimas, afirmou Larsen.

“Se uma mina explode, normalmente isso acontece sob o navio”, explicou. “É uma arma extremamente poderosa, o que torna muito perigoso para qualquer embarcação atravessar um campo minado.”

Tráfego em Ormuz cai drasticamente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que o Estreito de Ormuz estava aberto para todas as embarcações, exceto as iranianas, após a retomada do bloqueio naval.

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“Está aberto para quem quiser passar”, disse Trump, em entrevista à Fox News. “Não estamos abrindo para o Irã. É o único país para o qual está fechado. Está fechado para o Irã, tanto na entrada quanto na saída, mas está aberto agora.”

Apesar disso, empresas de monitoramento marítimo registraram uma forte queda no tráfego. Segundo analistas da Lloyd’s que acompanham o estreito, apenas um pequeno número de embarcações continua atravessando a região, muitas delas com os transponders desligados.

Dados da empresa de inteligência comercial Kpler mostram que o tráfego caiu ao menor nível em três semanas. Na quinta-feira, apenas oito embarcações cruzaram o estreito, contra 15 no dia anterior. Antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, mais de 100 navios transitavam diariamente pela região.

Os Estados Unidos já realizaram seis rodadas de ataques aéreos contra o Irã em resposta aos ataques aos petroleiros. Em retaliação, Teerã lançou sucessivas salvas de mísseis contra aliados americanos no Golfo. Paralelamente, o Irã e os aliados houthis, no Iêmen, passaram a ameaçar interromper também o tráfego marítimo no Mar Vermelho, rota que se tornou uma alternativa importante para as exportações de petróleo da Arábia Saudita durante o conflito.

“Infelizmente, tudo indica que estamos seguindo por um caminho de escalada e que a situação pode piorar com o tempo”, afirmou Larsen à CNBC.

Tripulantes precisam de garantias de segurança

A escalada ocorre enquanto Estados Unidos e Irã divergem sobre a forma de reabrir o Estreito de Ormuz conforme o memorando de entendimento assinado em 17 de junho. Embora Teerã tenha prometido passagem segura às embarcações, o acordo não definiu quais corredores marítimos deveriam ser utilizados.

Segundo Larsen, as empresas de navegação precisam de garantias confiáveis tanto do Irã quanto dos Estados Unidos de que o estreito voltou a ser seguro. Sem um entendimento, a alternativa é que os EUA continuem atacando baterias de mísseis, operadores de drones e embarcações militares iranianas. O especialista avalia que o tráfego poderá aumentar novamente caso as companhias concluam que Washington conseguiu reduzir significativamente a ameaça representada por Teerã.

As empresas do setor possuem diferentes níveis de tolerância ao risco. Algumas continuam dispostas a atravessar o Estreito de Ormuz, enquanto outras evitam completamente a região.

Mas, segundo Larsen, a decisão não depende apenas dos armadores.

“Também é necessário que a tripulação concorde”, afirmou.

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