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Abit defende negociação com EUA e alerta para impactos do tarifaço sobre setor têxtil
Publicado 17/07/2026 • 16:57 | Atualizado há 1 hora
Publicado 17/07/2026 • 16:57 | Atualizado há 1 hora
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A negociação com os Estados Unidos é o caminho mais eficaz para reduzir os impactos da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, afirmou Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em entrevista nesta sexta-feira (17) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, preservar o acesso ao mercado norte-americano é essencial para o setor, que já enfrenta queda nas exportações e aumento da insegurança comercial.
“Queremos ampliar os negócios e não reduzi-los. A via da negociação nos parece a mais adequada, sem qualquer tipo de subserviência. O objetivo é retirar os produtos têxteis desse tarifaço“, afirmou.
Pimentel explicou que a indústria têxtil brasileira figura entre as maiores do mundo, mas concentra suas exportações em produtos de maior valor agregado, especialmente para os Estados Unidos.
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“O mercado americano importa cerca de US$ 100 bilhões (R$ 512 bilhões) por ano em produtos têxteis e de vestuário. O Brasil exporta para lá entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões (R$ 2,05 bilhões a R$ 2,56 bilhões) por ano, principalmente moda praia, moda feminina, meias e cordéis de sisal”, destacou.
Segundo o executivo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos já vinham desacelerando nos primeiros meses do ano em razão das incertezas comerciais.
“Essa oscilação gera imprevisibilidade. Antes mesmo da nova tarifa, as vendas já estavam caindo. Agora, com esse novo tarifaço, a situação tende a se agravar se nada mudar“, disse.
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Ele ressaltou ainda que a entidade trabalha em conjunto com associações empresariais norte-americanas para defender a exclusão dos produtos têxteis das novas tarifas.
“Nossas contrapartes nos Estados Unidos já se manifestaram junto ao governo americano em favor da isenção para a indústria têxtil. Claro que pensamos no Brasil como um todo, mas nossa missão neste momento é defender o setor“, afirmou.Estoque preocupa empresas
Questionado sobre o destino das mercadorias já produzidas para clientes americanos, Pimentel explicou que não existe uma solução rápida para redirecionar esses produtos.
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“Não basta estalar os dedos e encontrar outro comprador. Muitas encomendas foram produzidas especificamente para atender clientes dos Estados Unidos e simplesmente não podem ser desviadas para outro mercado“, afirmou.
Segundo ele, a entidade orientou as empresas a manter diálogo constante com importadores e compradores enquanto acompanha a evolução das negociações.
“Se a mercadoria foi feita sob encomenda, a margem de manobra é muito pequena. O comprador e o fornecedor terão de negociar como dividir esse impacto, porque ninguém absorve sozinho um aumento de 25%“, explicou.
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Embora considere inevitável ampliar mercados, Pimentel afirmou que esse processo demanda investimentos e construção de relacionamentos comerciais.
A União Europeia, segundo ele, surge como uma alternativa importante após o avanço do acordo entre Mercosul e bloco europeu.
“Criar novos mercados faz parte da estratégia de qualquer empresa, mas isso leva tempo. É preciso contratar representantes, conquistar clientes, testar produtos e construir confiança. Não é simplesmente deixar de vender aqui para vender ali“, afirmou.
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O executivo também alertou que o mercado doméstico enfrenta limitações provocadas pelo endividamento das famílias e pela concorrência das importações.
“Não precisamos aumentar a tensão nem ampliar a crise. Precisamos continuar negociando, tanto pelo governo quanto pelo setor privado, para encontrar caminhos nesse cenário de incerteza. Não podemos abrir mão desse mercado, mas também não cabe nenhum tipo de subserviência“, concluiu.
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