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Petróleo a US$ 88 faz juros dispararem e recoloca guerra no centro das preocupações do mercado
Publicado 17/07/2026 • 23:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/07/2026 • 23:15 | Atualizado há 1 hora
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Foto: Freepik
A escalada dos preços do petróleo voltou a pressionar os mercados nesta sexta-feira (17) e interrompeu o movimento recente de alívio na curva de juros brasileira. Com o barril do Brent alcançando US$ 88, os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram forte alta, refletindo o aumento da aversão ao risco diante da continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Segundo operadores, o bloqueio da navegação no Estreito de Ormuz reacendeu os temores de inflação global ao elevar as preocupações com a oferta de petróleo. A liquidez reduzida e o reposicionamento defensivo dos investidores antes do fim de semana ampliaram o movimento.
Ao fim do pregão, o DI para janeiro de 2027 subiu de 13,872% para 13,96%. O contrato para janeiro de 2029 avançou de 14,106% para 14,335%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 14,326% para 14,525%.
No acumulado da semana, a curva de juros ganhou inclinação. O DI de janeiro de 2027 avançou cerca de 6 pontos-base, enquanto os vértices de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 registraram alta próxima de 35 pontos-base, refletindo não apenas o cenário externo, mas também o retorno das preocupações com o quadro fiscal e eleitoral brasileiro.
Para o economista-chefe da CVPAR, Marcelo Fonseca, o mercado vinha reduzindo os prêmios de risco após os dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos, mas o conflito no Oriente Médio voltou a dominar a precificação dos ativos.
“A puxada do petróleo tem causado reversão daquela dinâmica. Muito provavelmente essa guerra vai se arrastar, alternando momentos de escalada e alguns com alívio”, afirmou.
A avaliação é compartilhada pela economista sênior para América Latina da Capital Economics, Kimberley Sperrfechter. Segundo ela, embora países exportadores de energia, como o Brasil, tenham sido beneficiados pela valorização do petróleo até agora, uma nova alta sustentada da commodity pode reacender a pressão inflacionária.
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Siga o Times | CNBCEla destaca que esse cenário pode colocar em risco a expectativa da consultoria de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na visão de Marcelo Fonseca, as revisões para baixo nas projeções de inflação podem ter ocorrido cedo demais diante da persistência dos riscos externos.
“A melhora do IPCA pode ter sido um ruído. Temos uma dinâmica estrutural ainda ruim”, avaliou.
O economista acredita que o Banco Central terá espaço para realizar apenas mais uma redução dos juros no atual ciclo de flexibilização monetária.
Apesar da volatilidade nos mercados, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, teve impacto limitado sobre a curva de juros. O indicador avançou 0,1% entre abril e maio, acima da expectativa de queda de 0,2% do mercado.
Após a divulgação do dado, o Santander manteve a projeção de crescimento de 0,5% para o PIB do segundo trimestre de 2026. Segundo o economista Henrique Danyi, a economia segue desacelerando, mas continua sustentada pela resiliência do mercado de trabalho, mesmo diante do fim dos estímulos fiscais e das condições financeiras ainda restritivas.
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