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Alta do petróleo pressiona companhias aéreas dos EUA e ataque ao Irã agrava cenário
Publicado 28/02/2026 • 09:31 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 28/02/2026 • 09:31 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Antes mesmo de os Estados Unidos atacarem o Irã neste sábado (28), os preços do petróleo já vinham subindo no mercado global. Com os ataques efetivamente realizados, a preocupação com possíveis interrupções nas exportações do Oriente Médio, especialmente pelo Estreito de Hormuz, mantém o valor em alta.
Para além dos prejuízos tradicionais de conflitos armados, o mercado financeiro já avalia como o embate entre os países pode afetar o mundo.
Na prática, o mais provável é que o dólar seja fortalecido, o preço do petróleo suba ainda mais e o desempenho de diversas bolsas de valores decline. Com isso, o encarecimento do petróleo pode afetar o preço das passagens aéreas e algumas companhias aéreas já sentem o impacto disso.
Na sexta-feira (27), os contratos futuros do petróleo fecharam em alta. O WTI negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) avançou 2,77%, com ganho de US$ 1,81, encerrando a US$ 67,02 o barril.
No sábado (28), os contratos futuros do petróleo continuaram em alta. O WTI, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), segue subindo 2,78%, com ganho de US$ 1,81, fechando a US$ 67,02 o barril.
Já o Brent, referência internacional negociada na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, subiu 2,87%, com alta de US$ 2,03, chegando a US$ 72,87 o barril. No acumulado da semana, o WTI teve ganho de 0,81% e o Brent avançou 2,2%, refletindo as incertezas geopolíticas intensificadas após os ataques dos EUA ao Irã.
Segundo Bruno Cordeiro, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX, o movimento reflete o temor de que o conflito com o Irã comprometa o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto do petróleo mundial. Ele destaca que o prêmio de risco voltou a subir depois que a commodity havia devolvido parte dos ganhos registrados na véspera, agora impulsionado pelos ataques já realizados.
Leia também: Trump afirma que prefere não usar Forças Armadas contra o Irã, mas não descarta ação
No sábado (28), as ações da United Airlines caíram cerca de 8,7% na NASDAQ, pressionadas pelo aumento do preço do combustível que afeta suas margens de lucro. De forma similar, a Delta Air Lines registrou queda de 6,8%, enquanto as ações da American Airlines recuaram 6,2%.
Em geral, o combustível costuma ser o ‘ponto fraco’ das empresas aéreas. Devido ao seu alto custo, qualquer aumento extra impacta significativamente os lucros do setor.
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Segundo um estudo da FGV Energia, de março de 2025, gastos com combustíveis e lubrificação das aeronaves – ambos associados ao petróleo – representaram 36% dos custos totais das companhias aéreas do Brasil em 2023.
Além disso, a América Latina é a região que mais sente o impacto do custo com combustíveis do que com equipe de avião, quando comparada à América do Norte, Europa e Ásia. A título de exemplo, enquanto na Europa os gastos com pessoal chegam a 32%, na América Latina esse número é de 18%.
No Brasil, o Aeroporto de Guarulhos (SP), por exemplo, consome cerca de 8 milhões de litros por dia de querosene de aviação (QAV). Já no Aeroporto do Galeão (RJ), são 3,4 milhões de litros por dia de combustível.
De acordo com a FGV, “o mercado nacional de aviação de passageiros é 10 vezes menor que o dos Estados Unidos”. Veja a tabela completa:
| Aeroporto | Passageiros/ano (milhões) | Pousos e decolagens/ano (mil) | Consumo de QAV (milhões de litros/dia) |
| Londres Heathrow (LHR) | 79 | 454 | 20,7 |
| Los Angeles (LAX) | 75 | 575 | 17,1 |
| New York (JFK) | 62 | 480 | 15,3 |
| Frankfurt (FRA) | 59 | 430 | 12,7 |
| Chicago (ORD) | 73 | 720 | 12,3 |
| Sydney (SYD) | 39 | 296 | 10,0 |
| Toronto (YYZ) | 45 | 379 | 8,5 |
| Guarulhos (GRU) | 41 | 275 | 8,0 |
| Miami (MIA) | 52 | 453 | 7,9 |
| Santiago (SCL) | 23 | 161 | 4,2 |
| Rio de Janeiro (Galeão/GIG) | 8 | 127 | 3,4 |
| Buenos Aires (Ezeiza/EZE) | 10 | 282 | 3,3 |
Fonte: FGV.
Ademais, segundo um estudo da Universidade de Bergamo, na Itália, a variação do preço do petróleo deteriora o valor de mercado das empresas de aviação.
O estudo italiano usou dados do Worldscope, que mostram a evolução das empresas de aviação listadas em bolsa entre 2000 e 2023. Assim, com uma amostra de 121 companhias aéreas e 30 aeroportos, constatou-se que as companhias aéreas são mais afetadas pelos choques de demanda de petróleo do que os aeroportos.
Por outro lado, os aeroportos se recuperam melhor das oscilações de fornecimento de petróleo do que as companhias aéreas. Ainda segundo o estudo, o efeito do custo do combustível é mais impactante do que o aumento da receita, quando há alta demanda por viagens aéreas.
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Com Irã e Estados Unidos em conflito armado, o Estreito de Ormuz corre o risco de bloqueio. Nele, transporta-se cerca de 20% de todo o estoque mundial de petróleo. Essa desestabilização favorece o dólar, utilizado na maioria das negociações do mundo.
No entanto, as instalações de produção de petróleo do Irã são pilares do mercado global. Logo, sua destruição prejudicaria a oferta, desbalanceando o consumo e a produção mundial. No final do dia, o preço do combustível e outros derivados do petróleo acaba subindo.
Em contrapartida, o Irã possui forte poderio bélico. De acordo com um levantamento da Global Fire Power, o país do Oriente Médio tem a 16ª maior força militar do mundo.
Esses fatores indicam que qualquer escalada no conflito entre Irã e Estados Unidos pode repercutir no mercado de petróleo, afetando preços, comércio e cadeias de suprimento global, embora a magnitude desses impactos ainda seja incerta.
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