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Petróleo

Brent pode atingir US$ 120 por barril se impasse entre EUA e Irã persistir

Publicado 18/10/2026 • 09:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A mediana de nove projeções compiladas pelo Broadcast indica Brent a US$ 87 por barril no quarto trimestre de 2026 e média de US$ 80 em 2027.
  • A EIA elevou sua estimativa para o Brent em 2026 de US$ 91 para US$ 96 por barril e, em 2027, de US$ 74 para US$ 84.
  • O Brasil importa 25% do diesel que consome, o que, segundo a Rystad Energy, torna o País vulnerável a eventuais restrições às exportações americanas.

Mais de sete meses após o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o mercado de petróleo enfrenta incertezas crescentes sobre o fim do conflito e seus efeitos sobre os preços.

Projeções que consideravam improváveis alguns cenários, como o barril acima de US$ 100, a alta da gasolina e do diesel e a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, já foram superadas, tornando menos clara a estratégia de saída do governo de Donald Trump.

A mediana de nove projeções coletadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, indica que o petróleo Brent deve custar US$ 87 por barril no quarto trimestre de 2026 e, em média, US$ 80 ao longo de 2027.

O Commerzbank elevou sua estimativa para o Brent no fim deste ano de US$ 75 para US$ 85 por barril. Já o HSBC aumentou a projeção para o quarto trimestre de 2026 de US$ 80 para US$ 90. A analista do banco Kim Fustier avalia que o mercado de petróleo provavelmente não voltará ao equilíbrio antes de meados de 2027.

O cenário-base do HSBC considera um entendimento frágil entre Estados Unidos e Irã, sujeito a novos colapsos e incertezas. Caso a diplomacia fracasse e os fluxos de petróleo permaneçam restritos, os estoques poderão atingir níveis operacionais baixos, levando o Brent a cerca de US$ 120 por barril, alerta o banco.

Raphael Faucz, vice-presidente da Rystad Energy no Brasil, afirmou ao Broadcast que, apesar de 16 milhões de barris estarem saindo atualmente do Estreito de Ormuz, os custos elevados de frete e os estoques reduzidos sustentam os preços. “Quando chegamos em barris perdidos de produção neste ano, ficamos perto de 3 bilhões de barris”, disse.

Faucz também classificou os fluxos atuais na região como “frágeis”, sujeitos a interrupções a qualquer momento. “Acredito que o mercado entende como isso é frágil e que você não pode reduzir o prêmio de risco nesse momento em que estamos tendo, há poucas semanas, de fato, fluxos mais sustentados e elevados”, afirmou.

Projeções divergem para 2027

O Goldman Sachs estima que o mercado global de petróleo ficou aproximadamente equilibrado em setembro, com a recuperação das exportações do Golfo. A adaptação da oferta do Oriente Médio e da demanda chinesa por importações sustenta a previsão do banco de que o Brent recue para US$ 85 por barril no fim de 2026 e para US$ 80 em 2027.

Os economistas da instituição, porém, alertam para o risco de uma nova escalada do conflito. “Ainda nos preocupamos com uma potencial escalada renovada que danifique mais a infraestrutura energética, o que poderia causar uma alta significativa nos preços”, ponderam.

O Citi adota uma perspectiva mais otimista. O banco avalia que discussões sobre diplomacia regional entre países do Golfo podem avançar e permitir a reabertura dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho. Nesse cenário, mantém a previsão de queda do Brent em 2027, com média próxima de US$ 65 por barril ao longo do ano.

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O JPMorgan, por sua vez, prevê preços elevados no curto prazo, apesar da retomada dos fluxos pelas principais rotas de exportação do Oriente Médio. O banco projeta o WTI a US$ 80 e o Brent a US$ 85 por barril no fim de 2026. No primeiro trimestre de 2027, as estimativas caem para US$ 61 e US$ 67, respectivamente.

A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), vinculada ao Departamento de Energia, também elevou suas estimativas. No relatório divulgado em 6 de outubro, a agência passou a projetar o Brent a uma média de US$ 96 por barril em 2026, ante US$ 91 na previsão anterior. Para 2027, a estimativa subiu de US$ 74 para US$ 84.

Para Faucz, parte do prêmio de risco continuará presente no mercado. O poder de influência do Irã sobre o Estreito de Ormuz deve permanecer como uma “sombra perene” sobre os preços. A projeção-base da Rystad Energy considera um impasse prolongado, com as exportações iranianas ainda limitadas pelos Estados Unidos, o que tende a manter o petróleo em patamares elevados em 2027.

Diesel e gasolina ampliam preocupação

Os preços dos derivados de petróleo, especialmente diesel e gasolina, estão entre as principais preocupações dos governos, porque afetam diretamente o orçamento dos consumidores. Nos Estados Unidos, o galão de diesel superou US$ 6 e o de gasolina chegou a US$ 5 em alguns Estados antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro, quando Trump buscará manter a maioria republicana no Congresso.

Em meio à pressão americana para que a Europa liberasse estoques de diesel, os líderes do G7 anunciaram em 2 de outubro um pacote coordenado para conter a volatilidade nos mercados de energia. O plano prevê a liberação de 100 milhões de barris de reservas estratégicas ao longo de quatro meses, com início imediato e prioridade para o diesel nos primeiros 20 dias.

Em 10 de outubro, Trump também anunciou um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de diesel aos mercados americano e internacional.

Faucz avalia que a iniciativa do G7 pode oferecer alívio mais rápido, mas não altera estruturalmente o mercado. “Do ponto de vista estrutural, não muda absolutamente nada”, afirmou.

O executivo também alertou para os efeitos de eventuais restrições americanas às exportações de petróleo e derivados. O Brasil importa atualmente 25% de todo o diesel que consome, e uma limitação desse tipo poderia provocar um aperto no abastecimento nacional “talvez nunca antes visto”, segundo Faucz.

A Agência Internacional de Energia (AIE) também apontou uma deterioração no mercado de produtos refinados. “A alta tanto nos preços futuros do petróleo bruto quanto nos preços físicos é insignificante em comparação com a dos produtos refinados, onde a escassez de mercado é agora mais aguda”, afirmou a entidade no mês passado.

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