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Petróleo

Irã ameaça novos ataques e cobra resposta dos EUA sobre reabertura do Estreito de Ormuz

Publicado 29/09/2026 • 11:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Irã ameaça ampliar ataques caso aumente a pressão militar e econômica sobre o país.
  • Teerã aguarda uma resposta formal dos Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz.
  • Governo iraniano condiciona um acordo a cessar-fogo regional, alívio de sanções e fim do bloqueio naval.

Foto: Unsplash

O Irã voltou a ameaçar nesta terça-feira (29) aumentar os ataques contra instalações e embarcações no Oriente Médio caso a pressão militar sobre seu território aumente. Ao mesmo tempo, o governo iraniano aguarda uma resposta formal dos Estados Unidos a uma proposta relacionada ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou publicamente a iniciativa apresentada por Teerã. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou, porém, que espera uma manifestação oficial de Washington.

Nas últimas semanas, a intensidade dos confrontos diminuiu, embora permaneçam as tensões envolvendo a navegação na região. Paralelamente, os Estados Unidos mantêm a pressão econômica sobre a República Islâmica.

Leia também: Diária de superpetroleiros dispara mais de seis vezes com guerra no Irã e indefinição sobre a reabertura do Estreito de Ormuz

Teerã ameaça infraestrutura regional

O presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que instalações em outros países da região poderão se tornar alvos caso a segurança e a atividade econômica do Irã continuem ameaçadas.

Segundo ele, Teerã não aceitará uma situação em que seja impedido de exportar petróleo enquanto a infraestrutura de outros países permanece funcionando normalmente.

Em declaração divulgada pela televisão estatal, Ghalibaf associou a ameaça à continuidade das restrições impostas ao comércio iraniano e aos riscos de novos ataques contra o território do país.

Ormuz permanece no centro da disputa

O Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais pontos de tensão desde a escalada do conflito, marcada por ataques americanos e israelenses contra alvos no Irã.

Antes da crise, aproximadamente 20% do petróleo e dos líquidos de gás natural comercializados mundialmente por via marítima passavam pela região. Em resposta às restrições impostas por Teerã à navegação, Washington adotou medidas contra portos iranianos com o objetivo de dificultar as exportações de petróleo do país.

Irã e Estados Unidos apresentam versões diferentes sobre quem exerce controle efetivo sobre a passagem marítima.

Catar atua como intermediário

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Araghchi afirmou que o Catar participa das negociações como mediador e tem apresentado propostas às duas partes. Segundo o chanceler iraniano, Teerã espera receber uma posição definitiva dos Estados Unidos por meio desses contatos.

O ministro, que está em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, disse que os representantes cataris demonstraram expectativa de avanço nas conversas ainda nesta terça-feira.

De acordo com Araghchi, as negociações estão concentradas na situação no leste do Estreito de Ormuz e dependem do cumprimento de condições já apresentadas pelo governo iraniano. Na semana passada, ele participou de conversas com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, mas os encontros terminaram sem avanços significativos.

Irã apresenta condições para acordo

Entre as exigências apresentadas por Teerã está a adoção de um cessar-fogo de sete dias em diferentes frentes do Oriente Médio. A proposta inclui o Líbano, onde Israel realiza ataques frequentes contra posições do Hezbollah, grupo aliado do Irã.

O governo iraniano também exige a liberação de ativos congelados no exterior, a suspensão de determinadas sanções econômicas e o encerramento do bloqueio naval americano contra seus portos.

Essas medidas são apresentadas por Teerã como condições para uma normalização da circulação marítima em Ormuz.

Guarda Revolucionária contesta reabertura do estreito

Apesar da passagem limitada de algumas embarcações, autoridades iranianas afirmam que isso não significa que o Estreito de Ormuz esteja efetivamente reaberto.

O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, declarou que a retomada normal da navegação só poderia ser reconhecida com o retorno do fluxo registrado antes do conflito.

Segundo ele, cerca de 125 navios atravessavam diariamente a região em condições normais, transportando aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e derivados.

Mohebi também advertiu que embarcações que tentarem atravessar a área fora das condições estabelecidas por Teerã poderão ser atacadas ou atingidas por minas, indicando que o risco à navegação permanece elevado enquanto não houver um acordo entre as partes.

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