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Petróleo

Reserva estratégica de petróleo dos EUA cai a nível que preocupa especialistas

Publicado 16/08/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Reserva estratégica de petróleo dos EUA cai abaixo de 300 milhões de barris pela primeira vez desde os anos 1980
  • Departamento de Energia defende piso de 70 milhões de barris, mas ex-assessor de Biden chama a cifra de absurdo
  • Especialistas alertam que ciclos repetidos de esvaziamento podem causar deformação estrutural nas cavernas de sal
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Map: Deena ZaidiSource: U.S. Department of EnergyCreated with Datawrapper

Map locations were generated via Datawrapper and are shown for illustrative purposes only.

As cavernas que abrigam a reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos podem sofrer danos com a liberação acelerada de estoques em resposta à guerra do Irã, alertaram especialistas nesta semana, com os estoques no nível mais baixo em quatro décadas.

Dano às cavernas tornaria mais difícil responder a futuras emergências energéticas, segundo os especialistas. O petróleo da reserva estratégica, conhecida como SPR, fica armazenado em 60 cavernas de sal a milhares de metros de profundidade, em quatro grandes sites ao longo da costa do Golfo, na Luisiana e no Texas.

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Reserva cai abaixo de 300 milhões de barris

A SPR caiu abaixo de 300 milhões de barris pela primeira vez desde que foi preenchida, no início dos anos 1980, de acordo com dados do Departamento de Energia divulgados na segunda-feira (10). Os estoques vêm se esvaziando à medida que os Estados Unidos liberam 172 milhões de barris em resposta à interrupção no fornecimento causada pela guerra do Irã. A reserva deve ficar em cerca de 243 milhões de barris após o fim da liberação.

O Departamento de Energia afirma que ao menos 70 milhões de barris precisam permanecer na reserva para garantir a segurança das cavernas. Amos Hochstein, ex-assessor sênior de energia do presidente Joe Biden, contestou essa cifra nesta semana.

Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, na quinta-feira (13), Hochstein afirmou que a informação divulgada por membros do governo é absurda. Segundo ele, nesse patamar a reserva ficaria esgotada a ponto de nunca mais ser reconstituída.

Já em junho, o ex-funcionário do governo Biden havia alertado que esvaziar a reserva abaixo de 300 milhões de barris cria risco de dano às cavernas. Em evento do Atlantic Council, Hochstein disse ao apresentador da CNBC Brian Sullivan não conhecer ninguém que acredite ser possível ir abaixo de 300 milhões, e afirmou conhecer diversas pessoas que acreditam que nem seria possível chegar perto desse número, porque a extração física danificaria as cavernas onde o petróleo é armazenado.

Departamento de Energia nega risco de colapso

O porta-voz do Departamento de Energia, Ben Dietderich, classificou como falsas as alegações de que as cavernas de armazenamento da SPR correm risco de colapso com a redução dos estoques.

Em comunicado enviado à CNBC, Dietderich afirmou que as cavernas estão sempre cheias e que o que muda é apenas a proporção entre petróleo e água em seu interior. Segundo ele, o governo Trump vem administrando a SPR de forma responsável, como o ativo crítico de segurança nacional para o qual foi projetada.

Preocupações com a integridade das cavernas de sal já foram levantadas por políticos dos dois lados do espectro. Parlamentares republicanos questionaram o tema quando o governo Biden liberou um volume recorde de 180 milhões de barris, em 2022, em resposta à invasão russa da Ucrânia. A reserva caiu abaixo de 350 milhões de barris em 2023, ainda sob Biden, e foi reabastecida a cerca de 415 milhões de barris antes da guerra do Irã.

GAO alerta para deformação das cavernas

Em relatório de maio, o Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo americano, apontou que ciclos repetidos de esvaziamento parcial seguidos de reabastecimento podem corroer repetidamente uma mesma parte da caverna, gerando formatos indesejados.

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A maioria das cavernas da SPR foi classificada em condição muito boa após o esvaziamento de 2022, segundo o próprio GAO. Ainda assim, o órgão destacou que cada ciclo de esvaziamento expande o volume das cavernas e reduz o espaçamento entre elas dentro do domo de sal, o que reduz a viabilidade da estrutura no longo prazo.

Como funciona a extração de petróleo da reserva

Para liberar petróleo da SPR, operadores bombeiam água para o fundo das cavernas, o que desloca o óleo até a superfície, de onde é bombeado por poços até as tubulações.

Setenta milhões de barris representam o mínimo físico estrito necessário no topo das cavernas para manter os tubos de extração submersos em petróleo, e não em água, segundo Siddharth Misra, professor de engenharia de petróleo da Texas A&M University.

Em mensagem enviada à CNBC, Misra afirmou que o piso operacional prático para o estoque de petróleo bruto fica entre 250 milhões e 300 milhões de barris. Nos níveis atuais, segundo ele, a integridade das cavernas e a capacidade operacional geral enfrentam risco elevado.

Quando o estoque cai abaixo de 300 milhões de barris, a SPR perde a capacidade de bombear petróleo em alta velocidade para responder a emergências, afirmou Misra. Os tubos e bombas do sistema também podem sofrer danos à medida que a camada de petróleo no topo das cavernas fica mais fina e resíduos sobem em direção à entrada de extração no teto.

Segundo Misra, água doce costuma ser bombeada para as cavernas durante esvaziamentos acelerados, o que dissolve as paredes de sal. O processo cria um teto mais achatado e menos estável, além de afinar de forma severa os pilares de sal que separam cavernas vizinhas, o que aumenta o risco geológico de colapso estrutural.

Sistema não foi projetado para tantos ciclos

A SPR foi originalmente projetada para suportar cinco esvaziamentos completos. Na prática, o sistema já executou dezenas de liberações, grandes e pequenas, ao longo dos últimos 40 anos, segundo Misra.

Como o sistema não foi projetado para tantos ciclos, a injeção repetida de água e a extração de petróleo causaram deformação severa nas cavernas, aceleraram a queda de grandes blocos de sal do teto e enfraqueceram de forma significativa a integridade estrutural da reserva, que já é antiga.

Funcionários do Departamento de Energia disseram ao GAO que vêm mantendo a infraestrutura da SPR unida com band-aids, sem saber por quanto tempo essa solução vai durar. Mais de um quarto do estoque da reserva não estava disponível para liberação em dezembro de 2025, devido a uma combinação de obras em andamento e cavernas fora de operação, segundo o levantamento do órgão.

Furacão pode expor fragilidade da reserva

Analistas da consultoria Rapidan Energy estimam que a SPR tem um piso mais flexível de cerca de 170 milhões de barris, abaixo do qual limitações de integridade das cavernas e da infraestrutura de bombeamento desaconselham novas retiradas.

Hochstein afirmou que um furacão na Flórida ou na Luisiana poderia colocar os Estados Unidos em posição difícil, dado o nível atual da reserva. Segundo ele, abaixo de 300 milhões de barris, patamar em que a SPR se encontra agora, a operação ainda é possível, mas o fluxo fica mais lento, o que representa risco ao país.

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