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Por que os EUA voltaram a impor restrições ao petróleo do Irã? Entenda a decisão
Publicado 08/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 08/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
Foto: The White House
Por que os EUA voltaram a impor restrições ao petróleo do Irã? Entenda a decisão
Os EUA decidiram revogar a autorização temporária para operações com petróleo iraniano. A medida ocorre após uma série de ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz. A decisão aumenta a pressão de Washington sobre Teerã e ocorre em meio à elevação do nível de ameaça às embarcações comerciais na região.
A decisão envolve uma licença concedida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, que permitia a produção, a entrega e a venda de petróleo do Irã até 21 de agosto. Segundo autoridade americana, o acordo firmado entre os dois países dependia do cumprimento de compromissos assumidos pelo governo iraniano.
A revogação da autorização ocorreu após ataques registrados contra petroleiros no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás natural.
O Centro Conjunto de Informação Marítima, coalizão naval liderada pelos Estados Unidos com sede no Bahrein, alertou que o nível de ameaça para navios que atravessam a região subiu para “grave”. O órgão afirmou que uma “ação hostil deliberada” por parte do Irã é provável diante do cenário atual.
Além disso, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKTMO) recebeu três relatos de ataques contra petroleiros em Ormuz ou nas proximidades durante a semana.
O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque contra o navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Al-Rekayyat, próximo ao estreito. O governo catariano pediu que Teerã interrompesse ações que poderiam ameaçar o fornecimento global de energia.
A escalada ocorre após um acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, que previa a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. No entanto, posteriormente, embarcações que utilizavam uma rota protegida pela Marinha dos EUA foram alvo de ataques atribuídos ao Irã.
Com a tensão, o tráfego marítimo passou a utilizar corredores diferentes. Países do Golfo adotaram uma rota ao sul, próxima à costa de Omã e protegida pelas forças americanas, enquanto o Irã passou a defender um caminho ao norte.
Segundo Michelle Wiese Bockmann, analista sênior de inteligência marítima da empresa Windward, a disputa pelo controle do estreito está ligada à importância estratégica da região.
“Obviamente, existe uma disputa pelo controle, porque a única vantagem que o Irã possui é o controle de Ormuz”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCO Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte de energia no mundo. Localizado entre o Irã e os países do Golfo, o corredor conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, segundo a Aljazeera.
A importância da região está ligada principalmente ao fluxo de petróleo e gás natural. Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), cerca de 20% do consumo mundial de petróleo passa pelo estreito, considerado um dos pontos de passagem de energia mais importantes do planeta.
Além disso, a passagem é estreita e vulnerável a bloqueios ou ataques. Em seu ponto mais estreito, o Estreito de Ormuz tem aproximadamente 33 quilômetros de largura, o que aumenta a preocupação internacional em períodos de tensão entre países da região.
Por isso, qualquer interrupção no tráfego pelo estreito pode afetar o mercado global de energia, pressionar os preços do petróleo e ampliar impactos econômicos em diferentes países.
Leia também: EUA revogam autorização para venda de petróleo iraniano após ataques a navios
Apesar de uma retomada parcial do tráfego marítimo após o acordo provisório, o movimento continua abaixo dos níveis registrados antes do conflito.
A empresa de inteligência comercial Kpler confirmou a passagem de mais de 100 navios pelo Estreito de Ormuz durante um fim de semana recente. Já as exportações de petróleo pela região alcançaram uma média de cerca de 4,3 milhões de barris por dia em junho, segundo dados da Windward.
Antes da guerra, mais de 100 navios cruzavam Ormuz diariamente, enquanto as exportações de petróleo bruto ultrapassavam 15 milhões de barris por dia.
Dessa forma, a decisão dos Estados Unidos de retirar a autorização para operações com petróleo iraniano reforça a pressão econômica sobre Teerã. Ao mesmo tempo, a instabilidade no Estreito de Ormuz mantém o mercado global de energia em alerta.
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