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Queda de Maduro expõe possível tesouro em bitcoin da Venezuela; entenda

Publicado 06/01/2026 • 19:07 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • Especialistas avaliam que a Venezuela pode ter acumulado grandes quantidades de Bitcoin para contornar sanções internacionais e a exclusão do sistema financeiro global durante o governo de Nicolás Maduro
  • As estimativas sobre o volume dessas reservas divergem amplamente: enquanto uma reportagem aponta para até US$ 60 bilhões em bitcoin, dados de plataformas especializadas indicam montantes muito menores, evidenciando a dificuldade de rastrear ativos digitais
  • Com a mudança de regime, cresce a especulação sobre o destino desses bitcoins, que podem ser vendidos, apreendidos pelos Estados Unidos ou incorporados a uma eventual reserva estratégica americana, com potencial impacto nos preços do mercado cripto

Após a destituição do presidente Nicolás Maduro, as atenções do mercado internacional voltaram-se para a Venezuela e suas reservas de petróleo. Mas especialistas apontam que há outro ativo estratégico em jogo: o Bitcoin.

Segundo analistas ouvidos pela CNBC, o país pode ter acumulado grandes quantidades da criptomoeda nos últimos anos, como forma de driblar sanções internacionais e a exclusão do sistema financeiro global. Esse estoque, se confirmado, poderia valer bilhões de dólares e gerar impactos relevantes sobre os mercados financeiros.

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“É bastante razoável supor que a Venezuela tinha uma exposição significativa ao bitcoin”, afirmou Gui Gomes, fundador e CEO da empresa OranjeBTC. “Como o país foi excluído do sistema financeiro global, faz sentido imaginar que tenha recorrido a ouro, bitcoin e dólares para preservar valor.”

Estimativas sobre o volume dessas reservas variam amplamente. Uma reportagem do site Project Brazen sugeriu que a Venezuela poderia deter até US$ 60 bilhões em bitcoin, embora o número não tenha sido confirmado por análises independentes de blockchain. Já o site Bitcointreasuries.net estima uma posse muito menor, de cerca de 240 bitcoins, o equivalente a aproximadamente US$ 22 milhões, o que colocaria o país como o nono maior detentor governamental da criptomoeda.

Especialistas alertam, no entanto, que qualquer estimativa deve ser vista com cautela. De acordo com Diogo Mónica, sócio da Haun Ventures, a Venezuela teria sido obrigada a recorrer a métodos pouco convencionais para armazenar criptoativos, já que os principais serviços de custódia estão sediados nos Estados Unidos ou em países aliados.

Além disso, esses ativos estariam provavelmente espalhados por milhares de carteiras digitais, sob controle de diferentes membros do regime, o que dificulta rastreamento e identificação, segundo Gomes.

Mesmo assim, analistas da Chainalysis avaliam que é plausível que o país tenha acumulado bitcoin ao longo dos anos, considerando especialmente o histórico do governo venezuelano com ativos digitais, incluindo o lançamento do token estatal petro, em 2018, que acabou sendo extinto em 2024.

Diante da mudança de regime, cresce a especulação sobre o destino desses ativos. Uma possibilidade é que parte do bitcoin seja vendida, o que poderia pressionar os preços no curto prazo. Outra hipótese levantada por especialistas é a apreensão dos ativos pelos Estados Unidos, no contexto de sanções e ações de enforcement.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou recentemente uma ordem executiva para a criação de uma reserva estratégica de bitcoin sem custos para os contribuintes, o que alimenta especulações de que ativos confiscados poderiam ser usados com esse fim.

Para alguns analistas, independentemente do desfecho, o episódio reforça o papel crescente das criptomoedas no tabuleiro geopolítico global. “O mercado cripto pode acabar sendo um beneficiário indireto, no longo prazo, dos desdobramentos da crise venezuelana”, afirmou Sebastian Pedro Bea, presidente da ReserveOne.

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