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Reino Unido fez escolhas erradas nos últimos 20 anos, empobreceu e já se equipara ao estado mais pobre dos EUA; veja os dados
Publicado 21/06/2026 • 14:00 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 21/06/2026 • 14:00 | Atualizado há 3 horas
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Px Here
O Reino Unido vive um processo de estagnação econômica e de empobrecimento que já aproxima o PIB por habitante do país ao nível do Mississippi, o estado mais pobre dos Estados Unidos. É o que mostra reportagem do jornalista Idrees Kahloon publicada na edição de julho da revista americana The Atlantic, que descreve dezoito anos de estagnação econômica britânica.
Segundo a publicação, a comparação com o Mississippi só não é ainda mais desfavorável graças ao desempenho de Londres. Fora da capital, em regiões pouco visitadas por turistas, o padrão de vida já estaria abaixo do registrado no estado americano.
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Dados do Fundo Monetário Internacional mostram a dimensão da estagnação britânica. Em 2007, o PIB per capita do Reino Unido era de US$ 50,3 mil. Em 2025, chegou a US$ 57,6 mil, alta de apenas 14,5% em quase duas décadas, mesmo considerando o efeito da inflação no período. No mesmo intervalo, a renda por habitante dos Estados Unidos mais que dobrou, hoje estimada em torno de US$ 93 mil.
A comparação com o Mississippi, citada pela The Atlantic, também se confirma nos números oficiais do Bureau of Economic Analysis dos Estados Unidos. O estado americano tem PIB per capita de US$ 55,9 mil em 2025, praticamente equivalente ao britânico. Já os três estados mais ricos dos EUA por esse critério, Nova York, Massachusetts e Washington, têm renda por habitante entre o dobro e duas vezes e meia maior que a do Reino Unido.
| País / Estado | PIB per capita 2007 (US$) | PIB per capita 2025 (US$) |
|---|---|---|
| Reino Unido | 50.316 | 57.610 |
| Estados Unidos | 38.020* | 93.000 |
| Brasil | N/D | 10.686 |
| Nova York (EUA) | N/D | 123.369 |
| Massachusetts (EUA) | N/D | 114.635 |
| Washington (EUA) | N/D | 111.860 |
| Mississippi (EUA) | 24.477* | 55.877 |
Elaboração: Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Fontes: FMI (Reino Unido, Estados Unidos e Brasil) e Bureau of Economic Analysis dos EUA (estados americanos). *Valores de 2007 para Estados Unidos e Mississippi referem-se a PIB per capita real, não nominal, por limitação dos dados disponíveis na base oficial. N/D: dado não disponível na base consultada.
Já o Brasil ocupa outra categoria de comparação. Com PIB per capita de US$ 10,7 mil em 2025, a renda brasileira por habitante equivale a cerca de um quinto da britânica e menos de um décimo da americana, o que ajuda a situar a discussão sobre pobreza no Reino Unido dentro de um contexto global mais amplo.
A reportagem atribui parte da estagnação às escolhas do governo conservador de David Cameron após a crise de 2008, que optou por cortar gastos públicos em vez de estimular a demanda. Segundo a publicação, a proporção de crianças em situação de pobreza crônica praticamente dobrou desde então, e foram registrados casos de doenças associadas à má nutrição, como raquitismo e escorbuto.
A publicação ainda relata que os repasses do governo central às prefeituras britânicas caíram 40% entre 2010 e 2020, levando cidades como Birmingham, com mais de um milhão de habitantes, à beira da insolvência.
O texto também descreve uma crise habitacional mais grave do que a americana, com o custo da moradia entre os mais altos da Europa, mesmo sem um sistema de zoneamento equivalente ao dos Estados Unidos.
O Brexit aparece na reportagem como o símbolo mais visível dessa sequência de decisões autossabotadoras. Um estudo de cinco economistas citado pela publicação estima que a saída da União Europeia provocou queda de 12% a 18% no investimento empresarial e redução de 6% a 8% no PIB por habitante, o dobro do impacto estimado anteriormente.
A publicação ilustra esse processo com o caso de Stoke-on-Trent, antiga capital da cerâmica britânica. Segundo o texto, a cidade chegou a abrigar cerca de 2 mil fornos para queima de louça, e o setor empregava 300 mil pessoas em 1984. Hoje restam 47 fornos e cerca de 5 mil trabalhadores, em parte por conta do custo de energia elétrica para empresas britânicas, que mais do que triplicou entre 2004 e 2024 e hoje é o mais alto do mundo, segundo a reportagem.
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Seguir no GoogleA reportagem também relata o caso do HS2, trem de alta velocidade que ligaria Londres a Birmingham, Leeds e Manchester. Desde que o projeto foi anunciado em 2009, o custo triplicou para mais de £100 bilhões, tornando-o a ferrovia mais cara do mundo, com trechos importantes já cancelados.
Outro exemplo citado é a usina nuclear de Hinkley Point C, cujo relatório de impacto ambiental somou mais de 31 mil páginas, e que terá um sistema de £700 milhões para afastar peixes das tubulações de captação de água por meio de som subaquático. O governo também gastou 32 anos e £179 milhões planejando um túnel sob o monumento de Stonehenge, projeto cancelado neste ano.
Por fim, a publicação relaciona esse cenário de estagnação à ascensão do Reform Party, liderado por Nigel Farage, hoje favorito a se tornar o próximo primeiro-ministro britânico segundo pesquisas citadas no texto. A reportagem destaca que o partido tem defendido corte de gastos públicos, reforma constitucional e endurecimento da política de imigração como resposta à insatisfação popular.
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