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Retomada do petróleo na Venezuela depende de investimentos e estabilidade institucional
Publicado 08/01/2026 • 12:41 | Atualizado há 20 horas
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Publicado 08/01/2026 • 12:41 | Atualizado há 20 horas
KEY POINTS
A Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, mas sua produção está muito abaixo do potencial devido à deterioração da indústria e à falta de investimentos estratégicos. Para analisar os desafios e impactos dessa retomada, o programa Real Time conversou com Pedro Rodrigues, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Apesar de abrigar cerca de 20% das reservas globais, a Venezuela participa hoje com menos de 2% do mercado internacional de petróleo. Segundo Pedro Rodrigues, anos de expropriações e estatização da PDVSA, combinados a políticas focadas em assistencialismo, enfraqueceram a capacidade de investimento nos campos de petróleo.
A produção, que já alcançou 3,5 milhões de barris por dia, caiu para entre 500 mil e 1 milhão, em grande parte negociada fora do mercado formal. Rodrigues ressalta que a retomada depende de estabilidade institucional e da entrada de empresas estrangeiras e nacionais com expertise em exploração petrolífera.
O petróleo venezuelano, caracterizado como pesado e de baixo valor agregado, exige custos elevados de extração e tecnologia avançada. “Mesmo que os investimentos retornem, o crescimento da produção dependerá do preço do barril e das condições do mercado global”, destaca Rodrigues, contextualizando os desafios econômicos.
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A indústria petrolífera está habituada a operar em cenários políticos complicados, mas o fator crítico é a garantia de retorno sobre o investimento. Sem segurança institucional, reservas abundantes não atraem capital. No caso da Venezuela, a infraestrutura sucateada e a falta de técnicos qualificados representam barreiras práticas à retomada.
Algumas empresas americanas seguem presentes: a ExxonMobil deixou o país e move ação bilionária, enquanto a Chevron manteve contratos, operando quase como prestadora de serviços. “A Chevron continua sendo a mais apta a estimar investimentos e velocidade de recuperação dos ativos”, explica Rodrigues, refletindo sobre a recente valorização das ações da companhia.
A reentrada da Venezuela no mercado global terá impacto direto no Brasil. Se o país alcançar 3 a 5 milhões de barris por dia, os preços tendem a cair, prejudicando todos os produtores. Além disso, a concorrência por investimentos na indústria petrolífera aumentará, especialmente para explorar a margem equatorial brasileira.
Rodrigues alerta que a Petrobras precisará equilibrar investimentos e retorno financeiro, considerando endividamento elevado e foco em políticas sociais e ambientais. O cenário representa um divisor de águas para a região, com efeitos que podem se estender globalmente.
Embora exista potencial para que a Venezuela recupere relevância no mercado de petróleo, Rodrigues ressalta que a concretização depende de decisões políticas, estabilidade institucional e capacidade de investimento.
“O país poderá se tornar novamente um player estratégico global se conseguir superar esses desafios estruturais.” finaliza o advogado.
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