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Saques e incêndios atingem cidades francesas, e Trump culpa imigração pela violência

Publicado 18/10/2026 • 12:11 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Cerca de 500 policiais, bombeiros e paramédicos ficaram feridos durante os protestos, segundo o ministro do Interior.
  • A prefeitura histórica de Limoges, construída no século 19, foi destruída por um incêndio deliberado, segundo uma autoridade regional.
  • O governo francês prevê discutir assistência aos estabelecimentos atingidos, seguros e processos contra os responsáveis pelos atos de violência.

AFP

A França contabilizou 1.800 detenções após uma onda de violência durante protestos no sábado (17), marcada por saques, incêndios e danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos.

Em Limoges, uma prefeitura histórica do século 19 foi destruída por um incêndio. Os distúrbios ampliam a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, a seis meses das eleições para escolher seu sucessor.

“É como se tivéssemos vivido uma guerra”, afirmou à AFP Mehmet Ozeden, de 78 anos, ao observar barricadas queimadas no centro de Paris.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que 1.800 pessoas foram detidas em decorrência dos protestos e dos saques. As autoridades investigam os episódios para identificar os responsáveis e levá-los à Justiça.

Na capital francesa, carros incendiados, vitrines quebradas e destroços marcaram diversas ruas. Segundo as autoridades, 557 pessoas permaneciam sob custódia, cerca de um terço delas menores de idade, após um recorde de 855 detenções no sábado.

Paris registrou “um nível de violência que nunca, acredito, vimos antes”, afirmou a vice-prefeita Lamia El Aaraje.

O presidente Emmanuel Macron, que prometeu processar e punir os responsáveis por vandalismo e saques, tinha pronunciamento previsto para a noite deste domingo (18), após uma reunião com ministros.

Saques e incêndios atingem cidades

Centenas de lojas foram saqueadas em Paris e em outras cidades, como Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo. Os atos ocorreram paralelamente a manifestações contra o aumento do custo de vida.

Uma pessoa morreu durante a principal marcha em Paris, mas as autoridades informaram que o caso estava relacionado a questões de saúde e não tinha ligação com a violência dos protestos.

Segundo a Federação do Varejo e do Comércio, cerca de 1.500 estabelecimentos foram danificados, com perdas estimadas em centenas de milhões de euros.

Em Limoges, um incêndio destruiu a prefeitura do século 19. O representante regional Maurice Barate afirmou à emissora LCI que o fogo foi provocado deliberadamente e só foi controlado no início da manhã de domingo.

Em Lyon, o prefeito Grégory Doucet classificou como “abominável” o caos que tomou conta da cidade por várias horas. Um posto de informações turísticas no centro foi incendiado durante confrontos e saques.

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Neste domingo, moradores de algumas das cidades atingidas se mobilizaram para ajudar equipes municipais a limpar os destroços. Em Paris, a polícia utilizou gás lacrimogêneo por um breve período na Place de la République para dispersar uma aglomeração não autorizada.

Disputa política e reação internacional

A violência provocou acusações entre diferentes forças políticas. O governo e a líder da extrema direita, Marine Le Pen, responsabilizaram grupos da extrema esquerda, enquanto Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, acusou as autoridades de agravar as tensões.

El Aaraje, vice-prefeita socialista de Paris, acusou o partido de Le Pen de “agir como um bombeiro incendiário”, ao afirmar que a legenda estaria usando os protestos para favorecer suas ambições presidenciais.

A presidente da Assembleia Nacional francesa, Yaël Braun-Pivet, aliada de Macron, afirmou que proporá uma comissão de investigação sobre a violência e medidas para preservar a ordem pública. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu tinha uma reunião de crise com ministros prevista para segunda-feira (19), para discutir assistência e seguros para os estabelecimentos afetados, além da responsabilização dos envolvidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou os distúrbios neste domingo e atribuiu a violência à imigração.

Em publicação na rede Truth Social, pediu que a França endureça o controle migratório. No sábado, o vice-presidente americano, JD Vance, havia feito declarações semelhantes.

Protestos reuniram centenas de milhares

A violência ocorreu à margem de manifestações nacionais que, segundo o Ministério do Interior, reuniram 550 mil pessoas. A central sindical CGT estimou a participação em 800 mil.

Cerca de 500 policiais, bombeiros e paramédicos ficaram feridos, segundo o ministro do Interior. Na cidade de Saint-Étienne, no sul do país, um adolescente de 17 anos perdeu a mão direita após ser atingido por uma granada de controle de distúrbios.

O analista Mujtaba Rahman, do Eurasia Group, afirmou na rede X que a maioria das manifestações de sábado foi pacífica e atribuiu os episódios violentos a uma parcela dos grupos de extrema esquerda e a gangues que teriam aproveitado a situação para saquear.

Os protestos foram convocados pelo movimento dos Coletes Amarelos, que há oito anos organizou manifestações contra o governo Macron devido a planos de aumento de impostos sobre combustíveis. A principal reivindicação atual é o custo de vida, pressionado, em parte, pela guerra no Oriente Médio, que contribuiu para a alta da inflação na Europa.

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