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Tarifas de Trump aproximam Xi, Putin e Modi em cúpula na Índia
Publicado 12/09/2026 • 08:35 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 12/09/2026 • 08:35 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Kremlin.ru / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Vladimir Putin, Narendra Modi e Xi Jinping se reúnem novamente neste fim de semana na cúpula do BRICS, em Nova Délhi, em meio à pressão de tarifas e sanções dos Estados Unidos.
Tarifas, sanções e a guerra entre os Estados Unidos e o Irã aproximam os líderes da Rússia, da China e da Índia neste sábado (12), durante a cúpula do BRICS em Nova Délhi. Vladimir Putin, Xi Jinping e Narendra Modi se encontram em meio às políticas comerciais do presidente americano Donald Trump, que afetam aliados e rivais do país.
A cúpula foi acompanhada pela jornalista Spriha Srivastava, da CNBC, que descreveu o encontro como uma chance de o bloco tratar de comércio, energia e pagamentos, mesmo com divergências entre os membros.
Enquanto isso, Xi faz sua primeira viagem à Índia desde 2019, marcando um novo passo no degelo entre os dois países após confrontos na fronteira do Himalaia em 2020. Modi e Xi retomaram voos, vistos e contatos de alto nível nos últimos anos, embora a fronteira, o déficit comercial indiano com Pequim e a disputa pela influência na Ásia sigam sem solução.
Além disso, a Índia mantém laços com os Estados Unidos, membro do Quad ao lado do Japão e da Austrália, ao mesmo tempo em que preserva relações com a Rússia e o Irã e avança na aproximação com a China.
Segundo o pesquisador Chietigj Bajpaee, do Chatham House, tensões recentes com o governo Trump levaram Nova Délhi a reforçar outras parcerias. Ele citou uma reunião em agosto entre o chanceler chinês e o conselheiro de segurança nacional indiano como um avanço na disputa fronteiriça entre os dois países.
Por sua vez, a Rússia tem motivações diferentes. Sanções ocidentais pela guerra na Ucrânia elevaram a importância de parceiros fora da Europa e dos Estados Unidos. A China se tornou parceira econômica da Rússia, enquanto a Índia compra petróleo russo em grande volume.
Para Putin, laços econômicos mais fortes com a China e a Índia funcionam como um amortecedor contra sanções. A cúpula também serve para mostrar que a Rússia mantém relações com algumas das maiores economias do mundo.
Trump, por sua vez, fez das tarifas o eixo de sua política externa e econômica, enquanto Washington mantém sanções e outras medidas contra a Rússia e o Irã.
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Siga o Times | CNBCDiante dessas medidas, os membros do BRICS ampliaram o foco em canais alternativos de comércio e pagamentos. O grupo discute o aumento do comércio em moedas locais e o desenvolvimento de mecanismos de pagamento fora do sistema tradicional.
Bajpaee afirmou que a Índia tenta afastar o BRICS de uma retirada ampla do dólar, priorizando o uso de moedas nacionais e pagamentos digitais para reduzir custos no comércio entre países. A Rússia, de sua parte, tem realizado transações fora do sistema do dólar, embora o Kremlin tenha dito nesta semana que Moscou não busca uma saída total da moeda americana.
Trump já chamou o BRICS de ataque ao dólar e ameaçou tarifas contra membros que tentarem enfraquecer a moeda americana. Ainda assim, os países do bloco divergem sobre o quanto querem reduzir a dependência do dólar, que segue dominante nas reservas e transações internacionais.
O BRICS cresceu além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, somando países como Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Isso aumentou o peso econômico e geopolítico do grupo, mas tornou o consenso interno mais difícil.
Sarang Shidore, diretor do programa Global South do Quincy Institute, chamou o BRICS de “família disfuncional” em entrevista à CNBC nesta sexta-feira (11). Ele apontou o caso de Irã e Emirados Árabes Unidos, ambos membros do bloco, mas em lados opostos da guerra no Oriente Médio.
Para Shidore, o BRICS funciona como um clube de propósitos limitados, voltado a desenvolvimento, comércio e reforma de instituições globais, sem constituir um bloco ideológico contra os Estados Unidos. Bajpaee chegou a conclusão parecida, afirmando que a Índia quer que o BRICS promova uma visão de mundo não ocidental sem se tornar um grupo antiocidental.
O desejo indiano por laços mais fortes com os Estados Unidos mostra as relações sobrepostas dentro do bloco, o que dificulta a leitura do BRICS como uma aliança contra os americanos. Outros membros, como os Emirados Árabes Unidos, também mantêm relações com Washington enquanto diversificam suas parcerias econômicas. O país árabe prometeu investir US$ 46 bilhões na Alemanha em diferentes setores nas últimas semanas.
Xi deve viajar aos Estados Unidos ainda neste mês. Bajpaee lembrou que um encontro entre Modi e Xi na cúpula de 2024 ajudou a dar início à reaproximação entre a Índia e a China.
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