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Sobrevivente do 11 de Setembro transforma a Alger Management em gigante de R$ 240 bilhões
Publicado 11/09/2026 • 16:57 | Atualizado há 37 minutos
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Publicado 11/09/2026 • 16:57 | Atualizado há 37 minutos
KEY POINTS
Divulgação / Alger Management
Daniel Chung, CEO e diretor de investimentos da Fred Alger Management, sobreviveu por acaso aos ataques de 11 de setembro contra o World Trade Center.
Naquela manhã, há um quarto de século, o então analista de tecnologia começou o dia no Intercontinental Hotel, em Midtown Manhattan, buscando respostas para entender por que uma importante ação da carteira não vinha apresentando bom desempenho. O CEO da empresa faria uma apresentação naquele dia.
“Eu estava atrasado, então fui direto para a reunião”, disse Chung. “A reunião começa. O CEO entra. Ele mal tinha começado e alguém aparece, acho que do hotel ou da equipe de audiovisual, e entrega um bilhete a ele.”
“Ele olhou e disse: ‘Não tenho certeza se podemos continuar’”, acrescentou Chung. “‘Houve um avião ou alguma coisa no World Trade Center.’”
Os escritórios da Alger ficavam no 93º andar do One World Trade Center, a Torre Norte, o primeiro prédio atingido, às 8h46.
As pessoas reunidas em Midtown não compreenderam imediatamente o que havia acabado de acontecer. A primeira reação de todos foi pensar que se tratava de um acidente. Minutos depois, quando o segundo avião atingiu a Torre Sul, às 9h03, o silêncio tomou conta da sala. A reunião foi cancelada e as pessoas começaram a formar uma fila para usar o único telefone fixo do lado de fora da sala de conferências, depois de perceberem que seus celulares não funcionavam.
Nenhuma das ligações para os escritórios no centro, em Lower Manhattan, foi completada.
Quando Chung deixou o hotel, na 42nd Street, os carros estavam parados. Imóveis, as pessoas olhavam pela Lexington Avenue, onde uma nuvem de fumaça e destroços encobria a vista de Lower Manhattan enquanto as torres queimavam e, depois, desabavam. Chung não sabe ao certo quanto tempo permaneceu ali antes de perceber que precisava começar a seguir em direção ao norte da cidade.
Depois de entrar em contato com alguns colegas da Alger, ele passou o restante do dia com sua equipe espalhada pelos hospitais da cidade, levando fotos dos colegas de trabalho. Alguns foram para o St. Vincent’s Hospital, em Greenwich Village. Outros, para o Bellevue. Em todos os lugares, as pessoas procuravam sobreviventes, esperando ansiosamente pela chegada das ambulâncias.
“Por volta do meio-dia ou mais tarde, havia milhares e milhares de pessoas do lado de fora desses hospitais, colocando cartazes e esperando, apenas esperando”, disse Chung. “Lembro que, ao anoitecer, você torcia para ver uma ambulância. Na verdade, não me lembro de ter visto nenhuma naquele dia.”
Chung finalmente conseguiu voltar para casa, onde estavam sua mulher e seus filhos, no Brooklyn, muito depois da meia-noite.
Mais tarde, soube que o ataque à Torre Norte havia matado 35 de seus colegas — entre eles o então CEO David Alger.
Chung foi nomeado diretor de investimentos da Alger logo após a tragédia. Ele era o funcionário mais graduado entre os sobreviventes, e o fundador Fred Alger, sogro de Chung, deixou a aposentadoria para encarregá-lo de reconstruir a empresa.
Chung tinha à disposição a grande reserva de capital da empresa, destinada a ajudar em momentos de crise nos mercados. E precisava agir rapidamente para reduzir os temores dos clientes, preocupados tanto com seus ativos quanto com o futuro da gestora.
Os preparativos feitos pelo diretor de tecnologia da Alger, Michael Howell, que morreu em 11 de setembro, permitiram que a empresa retomasse as operações em 13 de setembro. Howell havia garantido que um centro de recuperação de emergência em Morristown, em Nova Jersey, fosse capaz de sustentar as operações da gestora. O local tinha uma mesa de operações completa que reproduzia a estrutura da Alger no World Trade Center, até mesmo a ordem dos assentos dos gestores de portfólio.
“Estava acima do padrão ouro”, disse Chung. “Padrão platina.” Os registros dos clientes estavam intactos. Assim como os modelos próprios de negociação e outros sistemas.
Em poucos dias, a Alger conseguiu realizar uma conferência para atualizar clientes, consultores e bolsas de valores sobre a situação da empresa.
Nos 25 anos seguintes, Chung fez mais do que reconstruir a Alger. Conhecida por ter um dos fundos mútuos de melhor desempenho durante o boom tecnológico dos anos 1990, a Alger viu seus ativos crescerem para mais de US$ 47 bilhões (R$ 240,6 bilhões), segundo a empresa. O principal fundo da gestora, o Alger Spectra Fund (SPECX), agora possui US$ 4,5 bilhões (R$ 23 bilhões) em ativos totais.
Nos últimos anos, o desempenho do gestor foi ainda melhor, graças à confiança de Chung na tese de investimento em inteligência artificial. O SPECX ficou entre os 4% melhores fundos de sua categoria no ano passado e entre os 2% melhores em 2024. Segundo a Morningstar, o fundo também está no quartil superior de sua categoria nos períodos de três, cinco e dez anos.
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Siga o Times | CNBCChung, de 64 anos, teve sucesso em parte por deixar de lado os conselhos de consultores logo após os ataques terroristas.
Muitos incentivaram o formado em Direito por Harvard, que já havia trabalhado como assistente na Suprema Corte, a contratar gestores de portfólio de destaque de outras empresas. Mas o analista que se tornou executivo decidiu que honrar o legado da empresa e as vidas perdidas em 11 de setembro significava preservar a filosofia e a cultura da Alger. Chung procurou ex-funcionários bem-sucedidos que haviam iniciado suas carreiras na Alger, em vez de montar às pressas uma equipe formada por profissionais com perfis distintos. Ele queria manter vivo o espírito da Alger.
“Passei a me dedicar à ideia não apenas de reconstruir a Alger e continuar no negócio — mas de reconstruir a Alger”, disse Chung. “Nós tínhamos sido os melhores.”
Muitos ex-funcionários atenderam ao chamado e sentiram que era seu dever ajudar. Entre eles estavam Teresa McRoberts, que cobria o setor de saúde, e David Hyun, que deixou seu cargo na Oppenheimer Funds. A gestora de portfólio de small caps Jill Greenwald procurou Chung durante a cerimônia em memória de Ginger Risco, que havia sido secretária na Alger e estudava à noite na Universidade Columbia antes de pedir a Fred Alger uma vaga como analista. Risco também morreu no 93º andar.
“Jill veio até mim e disse: ‘Ouvi dizer que você está pedindo aos ex-funcionários da Alger que voltem’”, contou Chung. “Eu disse que sim, e ela respondeu algo como: ‘Quando eu começo?’”
Hoje, a Alger mantém uma visão tão otimista sobre tecnologia quanto tinha quando foi fundada, em 1964.
Fred Alger era conhecido por um estilo de investimento voltado para empresas de crescimento, o que o colocava diretamente em oposição a investidores de valor como Warren Buffett. “Você pode quebrar comprando ações baratas”, brincou Alger certa vez. Fred, em vez disso, admirava Gerald Tsai, famoso gestor de fundos da Fidelity que foi pioneiro na seleção de ações com base na aceleração do crescimento da receita.
Na década de 1990, o histórico da Alger na identificação de empresas em setores de alto crescimento rendeu reconhecimento em Wall Street, incluindo investimentos na Intel em 1977, na Apple em 1984 e na Microsoft até 1990. Em 2000, a Barron’s incluiu Fred Alger em sua lista All-Century Team de investidores lendários.
Investir em “mudança dinâmica positiva” continua sendo um princípio central da filosofia de investimentos da Alger, levando a empresa a apostar cedo na tese da inteligência artificial. Chung afirmou que os céticos que se preocupam com uma futura oferta excessiva de data centers e dizem que a disparada dos preços do grupo representa uma bolha estão ignorando o fato de que existe atualmente uma escassez de capacidade computacional.
Hoje, a Nvidia é a maior posição do fundo Spectra, representando 14% dos ativos em junho, segundo a Morningstar. As ações da fabricante dominante de chips de IA acumulam alta de 17% neste ano, um desempenho decepcionante apenas quando comparado aos retornos extraordinários registrados desde o fim de 2022 e ao espetacular crescimento dos lucros da Nvidia. Chung espera que a Nvidia volte a negociar com uma relação preço/lucro superior à do mercado.
A CrowdStrike é outra aposta de alta convicção que, segundo Chung, manterá “taxas de crescimento muito elevadas” durante vários anos, dada a importância da segurança cibernética com o avanço da IA. As fabricantes de chips Western Digital e Micron continuarão se beneficiando da necessidade de memória. E a Nebius Group, uma das dez maiores posições do Spectra, é uma empresa de neocloud que Chung identificou cedo como uma vencedora nesse segmento; suas ações quase triplicaram neste ano.
“Ainda estamos nos primeiros anos do que provavelmente será quase uma década inteira” de crescimento impulsionado pela IA, afirmou Chung, que se formou em Stanford. O movimento da IA “ainda está muito no início para mim. Acho que isso parece mais com 1995 do que, digamos, com 1999”.
A Alger finalmente saiu dos dias mais sombrios do 11 de Setembro maior do que jamais havia sido. A tragédia moldou a ênfase da empresa em ações beneficentes, marcada neste ano por um torneio de golfe para arrecadação de fundos realizado em maio.
A empresa lançou o Alger 35 ETF, composto por 35 das ideias de investimento de maior convicção da gestora, em homenagem aos 35 colegas que morreram no 11 de Setembro. A empresa doa uma parcela das taxas de administração do fundo para instituições beneficentes em memória de David Alger e de seus colegas. Chung afirmou que até mesmo os analistas mais jovens da Alger apresentam a ele ideias para o ETF, que possui classificação Gold da Morningstar.
A recuperação também moldou a visão otimista de Chung sobre o futuro, mesmo em um momento marcado pela polarização social, pelo medo da inteligência artificial e por outra guerra americana no Oriente Médio. Chung continua otimista de que o país conseguirá seguir em frente.
“Veja como Nova York se saiu bem. Veja como os Estados Unidos se saíram bem, na verdade. E veja como a Alger se recuperou”, disse Chung. “Acho que isso serve como um lembrete. Vou citar um pouco os hobbits de ‘O Senhor dos Anéis’. É um lembrete de que há muita coisa boa neste mundo.”
“Muita coisa boa nas pessoas, em nossas instituições, certamente nesta cidade e neste país”, continuou Chung. “E é por causa disso – que persiste e segue em frente, mesmo quando há muito ruído, incerteza e preocupação – que nós nos recuperamos. Estamos aqui hoje.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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