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Trump usa aproximação com Coreia do Norte para mandar recado a Seul
Publicado 20/08/2026 • 17:29 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/08/2026 • 17:29 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A nova aproximação de Donald Trump com o líder norte-coreano Kim Jong-un funciona principalmente como um recado à Coreia do Sul, após Seul se recusar a colaborar com os Estados Unidos na guerra contra o Irã, avalia Guilherme Camara Meireles, mestre em Relações Internacionais pela USP.
Em entrevista nesta quinta-feira (20) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Meireles afirmou que a chave para compreender a movimentação de Trump não está apenas na Península Coreana, mas no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Segundo ele, a negativa sul-coreana em participar do esforço americano foi recebida como uma afronta pela Casa Branca. “Esse fato de que a Coreia do Sul foi convidada, recrutada para atuar na guerra do Irã e disse não foi o que levou Trump, sem dúvida alguma, a querer, como você disse, mexer nesse vespeiro”, explicou.
Na avaliação de Meireles, o conflito com o Irã é o principal fato novo em uma relação marcada por décadas de tensão. Ele lembrou que a Guerra da Coreia terminou com um armistício, e não com um tratado de paz definitivo. “Os dois países estão nesse momento em cessar-fogo, mas nunca assinaram um tratado de paz. Então, o grande fato novo, sem dúvida alguma, foi o Irã”, destacou.
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A sinalização de Trump ocorre em meio às discussões sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte e à possibilidade de o presidente americano voltar à região. Questionado se o republicano poderia estar usando Pyongyang para desviar as atenções de problemas enfrentados pelos Estados Unidos, Meireles descartou essa interpretação para o caso específico.
“Eu não vejo como uma cortina de fumaça”, afirmou. Para o especialista, embora a criação de fatos para deslocar a atenção pública possa fazer parte da estratégia política de Trump, a movimentação envolvendo a Coreia do Norte tem uma dimensão geopolítica própria.
Meireles considera que a iniciativa deve ser interpretada principalmente como uma forma de pressionar Seul, tradicional aliado americano na Ásia ao lado do Japão. “Eu vejo isso mais como uma jogada geopolítica para dar um recado à Coreia do Sul, mesmo por causa desse contexto que eu expliquei anteriormente, do que necessariamente uma cortina de fumaça”, pontuou.
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Siga o Times | CNBCO movimento também acontece em uma região na qual os Estados Unidos disputam influência com a China, enquanto a Coreia do Norte mantém vínculos estreitos tanto com Pequim quanto com Moscou. Essa configuração, segundo Meireles, estabelece limites para qualquer tentativa mais ambiciosa de Trump de alterar o equilíbrio regional.
Para o especialista, nem mesmo a busca do presidente americano por um legado diplomático torna provável um acordo capaz de encerrar definitivamente a divisão da Península Coreana. “Eu não vejo qualquer possibilidade disso acontecer”, afirmou Meireles ao ser questionado sobre uma eventual reunificação das Coreias.
Meireles apontou dois obstáculos principais. O primeiro é o histórico do próprio Trump em seu segundo mandato. Segundo ele, o presidente americano estabeleceu objetivos ambiciosos para conflitos internacionais, mas até agora não conseguiu concretizá-los. “Ele disse que encerraria a guerra entre Rússia e Ucrânia”, lembrou, acrescentando que a promessa de solucionar o conflito rapidamente “não aconteceu”.
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O segundo – e mais importante –está na própria estrutura geopolítica da região. A Coreia do Norte é aliada direta de Rússia e China, países que, na avaliação do especialista, não teriam interesse em uma reunificação conduzida sob influência dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.
“Qualquer esforço do Trump ao lado da Coreia do Sul para tentar fazer com que essa guerra acabasse e as penínsulas fossem unificadas, sem dúvida alguma, Rússia e China não permitiriam”, afirmou. Para Meireles, interessa às duas potências preservar o equilíbrio de poder construído desde a Guerra Fria.
Mesmo após o fim daquele período histórico, essa divisão de influência permanece relevante, segundo o especialista. “Para essas duas grandes potências, interessa balanço de poder na região. Então, eu não vejo qualquer possibilidade dessa reunificação, mesmo que o presidente Trump se esforce para isso”, concluiu.
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