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Trump quer Groenlândia, mas se ilha estivesse à venda, poderia custar trilhões

Publicado 08/01/2026 • 17:32 | Atualizado há 18 horas

KEY POINTS

  • O presidente americano Donald Trump expressou mais uma vez o desejo de que os EUA adquiram a Groenlândia.
  • A Dinamarca e seus aliados europeus na OTAN – da qual os EUA são membros – afirmaram repetidamente que a Groenlândia não está à venda.
  • Algumas estimativas conservadoras sugerem que a ilha poderia ter um custo na casa dos trilhões de dólares.

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Nuuk, na Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou mais uma vez o desejo de que os americanos assumam o controle da Groenlândia. Seu governo afirma estar avaliando uma gama de opções para adquirir o território insular dinamarquês, incluindo o uso dos militares ou a compra direta.

A Dinamarca e seus aliados europeus na OTAN — a aliança militar cofundada pelos EUA — declararam repetidamente que a Groenlândia não está à venda. Mas a retórica de Trump sobre a Groenlândia ressurgiu nos dias seguintes à entrada dos militares norte-americanos na Venezuela e à captura do líder daquele país.

A perspectiva dos EUA comprarem a Groenlândia está “atualmente sendo discutida ativamente pelo presidente e sua equipe de segurança nacional”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos repórteres na quarta-feira (7). O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que planeja discutir a Groenlândia com autoridades dinamarquesas na próxima semana.

Trump não fez uma oferta oficial, nem disse o que acredita ser um preço justo pelo território.

Se a Dinamarca revertesse sua oposição à venda da Groenlândia, essa terra provavelmente não sairia barata. Mesmo algumas estimativas conservadoras sugerem que a ilha poderia ter um preço na casa das centenas de bilhões de dólares ou até mais.

Ofertas anteriores pela Groenlândia

As estimativas mais baixas vêm de uma comparação direta com a história.

Os EUA já consideraram comprar a Groenlândia anteriormente e, em 1946, fizeram uma oferta formal de US$ 100 milhões — quase US$ 1,7 bilhão hoje (cerca de R$ 9,15 bilhões, na cotação atual). Essa oferta, que a Dinamarca rejeitou, na época equivalia a 0,04% do PIB dos EUA; essa proporção hoje seria igual a cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,45 bilhões).

No entanto, vários analistas acreditam que uma avaliação precisa seria muito, muito maior.

“Algo na casa dos trilhões parece correto”, disse Douglas Holtz-Eakin, presidente do American Action Forum (AAF), um think tank de centro-direita, em entrevista.

Seu grupo buscou calcular um preço aproximado para a Groenlândia observando tanto suas reservas de recursos naturais quanto seu potencial valor imobiliário.

O valor apenas de seus recursos minerais críticos e energéticos conhecidos totalizou mais de US$ 4,4 trilhões (R$ 23,67 trilhões), de acordo com o estudo publicado em janeiro de 2025 e que citou dados de pesquisas geológicas nos EUA, Dinamarca e Groenlândia.

Esse valor cai para US$ 2,7 trilhões (R$ 14,42 trilhões) ao excluir petróleo e gás natural, para os quais a Groenlândia parou de emitir licenças de exploração em 2021, citando preocupações ambientais.

Nem todo esse valor está pronto para ser explorado, no entanto: as condições gélidas da Groenlândia e sua pequena população de cerca de 57.000 pessoas significam que o território tem uma baixa “taxa de conversão de recurso para reserva”, diz o estudo.

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Por exemplo, embora a Groenlândia possua mais de 36 milhões de toneladas métricas de terras raras conhecidas, suas reservas totalizam apenas 1,5 milhão de toneladas — uma taxa de conversão de apenas 4,2%. Se essa taxa for aplicada de forma generalizada, o estudo da AAF reduz o valor da Groenlândia para US$ 186 bilhões (R$ 1 trilhão), embora chame esse valor de sua estimativa de “limite inferior”.

Mas Trump afirmou recentemente que deseja a Groenlândia principalmente por seus benefícios percebidos para a segurança nacional, e não apenas por seu potencial econômico.

“Neste momento, a Groenlândia está coberta de navios russos e chineses por todos os lados”, disse Trump no domingo (4). “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”.

Os militares dos EUA já mantêm uma base na Groenlândia, mas garantir a ilha poderia dar aos EUA um ponto de apoio muito mais forte no Ártico.

Também poderia dar aos EUA maior acesso às rotas de navegação que estão surgindo nas latitudes mais ao norte do planeta como resultado das mudanças climáticas.

Para determinar o valor potencial da Groenlândia com base em sua localização estratégica, o estudo da AAF a comparou com um país em situação semelhante: a Islândia.

Custaria aos EUA US$ 1,28 milhão (R$ 6,88 milhões) por quilômetro quadrado para comprar todos os imóveis na Islândia, em um total de US$ 131 bilhões (R$ 704,78 bilhões).

Aplicar esse mesmo preço por quilômetro quadrado à Groenlândia — a maior ilha do mundo — resulta em um valor total estimado de quase US$ 2,8 trilhões (R$ 15,06 trilhões), descobriu o AAF.

Outras estimativas caras

Esse número é superior a algumas análises anteriores.

O Alphaville, serviço de notícias e comentários diários do Financial Times, avaliou a Groenlândia em um valor “muito conservador” de US$ 1,1 trilhão (R$ 5,92 trilhões) em 2019, quando o interesse de Trump em adquirir o território veio a público pela primeira vez.

Iwan Morgan, professor emérito da University College London, disse à CNN naquele ano que o custo da Groenlândia poderia chegar aos trilhões, enfatizando a imensa complexidade política e jurídica de qualquer acordo desse tipo.

O ex-economista do Fed de Nova York, David Barker, no entanto, avaliou a Groenlândia em janeiro passado entre US$ 12,5 bilhões e US$ 77 bilhões (entre R$ 67,25 bilhões e 414,26 bilhões). Para chegar a esses números, Barker observou as aquisições anteriores da América, como o Alasca e as Ilhas Virgens Americanas, e ajustou esses preços com base no crescimento do PIB.

Mas Holtz-Eakin disse à CNBC que acredita que a estimativa do AAF é conservadora.

“Eles estão precificando a economia disso. Mas, vamos encarar, isso não é sobre economia”, disse ele. “Que preço você coloca na nossa posição na OTAN ou na ordem global? Eu coloco um preço alto nisso”,

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