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União Europeia oficializa reciclagem química e entra em choque com ambientalistas
Publicado 07/02/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/02/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A reciclagem química do plástico, apresentada pelo setor como uma alavanca de descarbonização, foi objeto de um voto europeu favorável na sexta-feira (6), embora essa técnica tenha dificuldade em convencer devido às suas consequências ambientais e ao seu custo.
Os 27 Estados da União Europeia aprovaram na sexta-feira a integração da reciclagem química na parcela de conteúdo reciclado obrigatório em garrafas de plástico, bem como o modo de cálculo dessa parcela.
As garrafas devem conter pelo menos 25% de plástico reciclado atualmente, passando para 30% até 2030. A Comissão Europeia propôs integrar a reciclagem química a esta regulamentação.
É uma “primeira etapa importante para a definição de regras em matéria de reciclagem química a nível da UE”, afirmou uma porta-voz da Comissão, Anna-Kaisa Itkonen.
É “um conjunto de tecnologias que podemos classificar em duas grandes famílias: a despolimerização e os processos térmicos”, expõe Jean-Yves Daclin, diretor-geral na França da Plastics Europe, organização da indústria plástica que conta entre seus membros com a BASF, Eastman, ExxonMobil, Ineos, LyondellBasell, Shell ou TotalEnergies.
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A primeira consiste em “quebrar longas cadeias de polímeros” que compõem o plástico, com a ajuda de solventes, por exemplo.
Certos plásticos, que representam a maioria dos resíduos, não podem ser transformados desta forma. Os recicladores recorrem então à pirólise, aquecendo-os a alta temperatura para quebrar as moléculas.
É energeticamente caro e dispendioso, mas o processo faz parte das opções adotadas pelas autoridades para combater a poluição gerada pelas embalagens plásticas.
Atualmente, a produção é muito marginal.
“São tecnologias bastante inovadoras, em estágios iniciais de desenvolvimento”, ressalta M. Daclin, admitindo que o “modelo econômico ainda está por construir” e que “serão necessários anos até que a atividade seja significativa em termos de volumes” produzidos.
Falar sobre reciclagem química permite, por outro lado, que os industriais desloquem o debate, “em vez de falar sobre a redução da produção e do consumo de plástico, que é o verdadeiro desafio” para limitar os efeitos no meio ambiente, analisa uma fonte dentro da Comissão, que solicitou anonimato.
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Para a ONG Zero Waste, o processo é poluente e ávido por energia, além de alimentar o “mito” de uma reciclagem infinita do plástico, material que se degrada ao longo da sua vida e necessita, portanto, do aporte de matéria virgem para garantir novamente suas funções.
A produção mundial de plástico não parou de crescer, atingindo 430,9 milhões de toneladas de plástico virgem (+4%) em 2024.
Sobre esse total, o chamado plástico “circular” (reciclado mecanicamente, fabricado a partir de biomassa, reciclado quimicamente ou proveniente da captura de carbono) representa 10%.
Mais da metade das matérias plásticas provenientes da reciclagem, mecânica e química, vem da Ásia (54,9%), particularmente da China (30,3%).
Esta região também domina a produção global: 57,2% das matérias plásticas mundiais foram fabricadas na Ásia, sendo 34,5% apenas pela China.
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O voto europeu também decidiu na sexta-feira o método de cálculo adotado para determinar a parcela de plástico reciclado nas garrafas plásticas.
No caso da pirólise, não é um método científico: na saída de um craqueador a vapor — a instalação petroquímica que transforma hidrocarbonetos em moléculas elementares — é impossível distinguir uma molécula de etileno proveniente de plástico reciclado.
Os profissionais não podem garantir senão “a origem dos produtos provenientes da reciclagem”: 5% do total, por exemplo. No entanto, eles poderão escolher alocar essa parcela reciclada a uma fração dos produtos na saída: declarar, por exemplo, que 5% dos produtos na saída são 100% reciclados.
A indústria “dispõe agora de regras coerentes e clarificadas para calcular, verificar e declarar o teor de matérias recicladas”, afirmou a Comissão na sexta-feira.
Para a Zero Waste Europe, a medida “corre o risco de comprometer a integridade da definição de um conteúdo reciclado”, com “uma diferença entre o que acontece na realidade e o que pode ser reivindicado”, comenta Lauriane Veillard, da Zero Waste Europe.
Ela teme que este voto crie um “mau precedente” para o restante da reciclagem de plásticos.
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