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Venezuela aceita vender petróleo aos EUA e ministro diz que ataque deixou 100 mortos

Publicado 08/01/2026 • 09:00 | Atualizado há 20 horas

AFP

KEY POINTS

  • A presidente interina Delcy Rodríguez disse nesta quarta-feira (7) que a relação entre Venezuela e Estados Unidos ganhou "uma mancha" após o ataque e a captura de Nicolás Maduro.
  • O ataque do último dia 3 deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua mulher, Cilia Flores, afirmou hoje o ministro venezuelano do Interior, Diosdado Cabello.

PEDRO MATTEY/AFP

Delcy Rodriguez

A presidente interina Delcy Rodríguez disse nesta quarta-feira (7) que a relação entre Venezuela e Estados Unidos ganhou “uma mancha” após o ataque e a captura de Nicolás Maduro, mas concordou em negociar com Washington a venda de petróleo.

O ataque do último dia 3 deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua mulher, Cilia Flores, afirmou nesta quinta-feira (8) o ministro venezuelano do Interior, Diosdado Cabello.

Enquanto isso, o governo de Donald Trump afirmou que pretende controlar “indefinidamente” as vendas de óleo bruto venezuelano, e que as decisões de Caracas serão “ditadas” por Washington.

Leia também: Venezuela vai comprar apenas produtos americanos com dinheiro do petróleo, diz Trump

Para reafirmar sua hegemonia, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de dois petroleiros, um vazio e com bandeira russa, segundo Moscou, e “apátrida”, segundo Washington, no Atlântico Norte, e outro carregado de petróleo sancionado, no Caribe.

Declaração de Delcy

“Há uma mancha” na relação bilateral, afirmou Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo na segunda-feira (5) e vai precisar lidar com as pressões internas e dos Estados Unidos. Ela ressaltou, no entanto, que o comércio com os americanos “não é extraordinário nem irregular”, após a petroleira estatal PDVSA anunciar uma negociação para vender óleo bruto aos Estados Unidos.

Em Caracas, que retoma sua atividade, multiplicam-se as manifestações convocadas pelo regime para retomar a iniciativa, após a operação militar americana de sábado que resultou na captura do agora presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que estão presos em Nova York.

Milhares de pessoas saíram em passeata no bairro popular de Catia. “Nico, aguente, o povo se levanta!”, gritavam manifestantes. “Estamos defendendo nossa soberania, nossa pátria. Desde pequenos nos diziam: o império, os gringos, e muita gente acreditou que isso era um conto de fadas”, declarou Tania Rodríguez, aposentada de 57 anos.

EUA ‘não estão improvisando’

Sob forte pressão dos Estados Unidos, Caracas parece querer evitar um confronto direto.

A PDVSA “conduz uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no contexto das relações comerciais entre os dois países”, indica um comunicado da empresa, que tem um acordo de extração e venda de petróleo, entre outros, com a multinacional americana Chevron.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, havia dito mais cedo que Washington controlará as vendas de petróleo “indefinidamente”.

Além disso, Trump garantiu que a Venezuela vai comprar apenas produtos manufaturados nos Estados Unidos com o dinheiro que entrar dessas vendas.

Trump havia anunciado na terça-feira que o governo interino de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris de petróleo para sua venda sob controle de Washington.

Washington tem um plano para a Venezuela e “não está improvisando”, declarou no Congresso o secretário de Estado, Marco Rubio.

Esclarecer ‘divergências’

A queda de Maduro provocou outras reações diplomáticas, como o primeiro telefonema entre o presidente colombiano, Gustavo Petro, e Donald Trump. Os dois combinaram de se encontrar em breve na Casa Branca, segundo mensagem publicada por Trump na plataforma Truth Social.

Petro “me telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos. Agradeci por sua chamada e pelo seu tom”, comentou Trump.

Os Estados Unidos planejam depositar a receita da venda de óleo bruto em contas sob seu controle. “Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

“Seguimos mantendo uma coordenação estreita com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão sendo ditadas pelos Estados Unidos da América”, acrescentou Karoline.

Trump receberá as petroleiras americanas na próxima sexta-feira, na Casa Branca, para analisar “a imensa oportunidade que têm” na Venezuela, disse a porta-voz.

“Não estamos roubando o petróleo de ninguém”, afirmou o secretário de Energia. A China é, até agora, o principal cliente do petróleo venezuelano, que chegava a seus portos a preço com desconto devido às sanções americanas e à dificuldade de transportá-lo.

O preço do petróleo caiu levemente nos mercados internacionais nesta quarta-feira.

Equilíbrio difícil

Especialistas apontam que, para se manter no poder, Delcy Rodríguez terá que buscar um difícil equilíbrio entre satisfazer as exigências de Trump e reorganizar um chavismo sem Maduro.

Por ora, ela manteve em seu gabinete os influentes ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino, figuras-chave da administração anterior.

Na terça-feira, fez suas primeiras mudanças: nomeou como chefe da guarda presidencial um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin), que por sua vez controlará a temida agência de contrainteligência militar (DGCIM).

Também designou Calixto Ortega como chefe da equipe econômica, cargo que havia sido deixado vago pela própria Rodríguez ao assumir a presidência.

Seu governo interino tem duração máxima de 180 dias, após os quais o governo terá de convocar eleições.

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