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Warsh pode assumir presidência do Fed em meio a ‘tempestade’ de inflação persistente e mercado de trabalho fraco
Publicado 10/03/2026 • 18:20 | Atualizado há 29 minutos
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Publicado 10/03/2026 • 18:20 | Atualizado há 29 minutos
KEY POINTS
Kevin Warsh assumirá a presidência do Federal Reserve
Kevin Warsh pode enfrentar uma situação extremamente difícil quando assumir a presidência do Federal Reserve, tendo de lidar com um dilema clássico: combater a inflação ou proteger o mercado de trabalho.
O Fed é legalmente obrigado a cumprir seu duplo mandato, que inclui manter preços estáveis e garantir pleno emprego – dois objetivos que nem sempre caminham na mesma direção.
Na prática, existem três caminhos principais para equilibrar esses objetivos: elevar juros para conter a inflação ao reduzir a demanda, cortar juros para estimular crescimento e contratação, ou manter as taxas estáveis, tentando preservar um equilíbrio entre inflação e atividade econômica.
No entanto, condições econômicas em deterioração sugerem que Warsh pode assumir o cargo – possivelmente em maio – enfrentando um cenário de mercado de trabalho frágil e inflação persistente, agravada pela disparada dos preços de energia.
Leia também: Juros nos EUA: Autoridade do Fed pede paciência e quer prova de recuo da inflação
“Ele tem uma tempestade perfeita esperando por ele”, disse Troy Ludtka, economista-chefe para os EUA da SMBC Nikko Securities. “Estamos vendo pressões estagflacionárias significativas, especialmente nos setores de manufatura e bens. Isso ocorre num momento em que o consumidor começa a mostrar sinais de desgaste.”
A estagflação – combinação de inflação elevada com baixo crescimento econômico – é considerada o pior cenário para autoridades do Fed, pois pode forçar a priorização de um lado do mandato e acabar prejudicando ambos.
No ambiente atual, a guerra contra o Irã elevou fortemente os preços da energia. O petróleo bruto dos EUA chegou a ultrapassar US$ 100 por barril (R$ 521) na segunda-feira, antes de recuar após o presidente Donald Trump afirmar que o conflito pode terminar em breve.
Para Warsh, porém, os riscos são particularmente elevados.
Donald Trump não esconde que espera que Warsh reduza substancialmente as taxas de juros. O presidente e integrantes do governo argumentam que a inflação deixou de ser uma grande ameaça para a economia e que o Fed deveria continuar os cortes iniciados em setembro passado.
Leiatambém: Trump nomeia Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve
Mas agradar ao presidente pode não ser tão simples.
Mesmo antes da disparada da energia, os custos de produção industrial já vinham subindo. Um indicador de preços do Institute for Supply Management atingiu o nível mais alto em quase quatro anos em fevereiro, com gerentes de compras de fábricas americanas relatando aumento contínuo de custos, em parte impulsionado pelas tarifas comerciais impostas por Trump.
Ludtka alertou que, se os preços da energia permanecerem elevados, a inflação geral pode ultrapassar 3%, mesmo enquanto as finanças das famílias ficam pressionadas e o mercado de trabalho enfraquece.
Economistas costumam avaliar que a transmissão de choques de energia para toda a economia é relativamente limitada. Ainda assim, desde o início da guerra, o preço do fertilizante ureia subiu cerca de 15%, o que frequentemente se traduz em aumento nos preços de alimentos, criando novo risco inflacionário nos próximos meses.
Enquanto isso, Warsh terá de lidar com um Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) já dividido sobre o rumo da política monetária. Embora banqueiros centrais geralmente ignorem choques temporários no petróleo, a persistência dessas pressões pode obrigar o Fed a reagir.
“Ele está entrando em um ambiente em que o comitê está extremamente dividido. E essa divisão só tende a aumentar”, disse Ludtka. “Se os preços do petróleo continuarem altos e a inflação permanecer forte enquanto o mercado de trabalho enfraquece, o Fed será forçado a escolher um lado.”
Leia também: Dirigente do Fed vê risco de alta da inflação nos EUA com conflito no Oriente Médio
Apesar do risco de inflação maior, Ludtka acredita que o caminho de menor resistência para o Fed ainda pode ser reduzir os juros.
Um fator que pode ajudar o Fed – e Warsh como futuro presidente – é que o consumo continua relativamente forte, embora concentrado nas famílias de maior renda.
Os gastos do consumidor subiram 3,2% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano anterior, a maior alta em mais de três anos, segundo dados do Bank of America.
No entanto, o banco destacou que os salários após impostos dos trabalhadores de maior renda cresceram 4,2% ao ano, enquanto os de renda mais baixa avançaram apenas 0,6%, a maior diferença registrada na série histórica desde 2015.
A política monetária, historicamente, tem pouca eficácia para combater desigualdade de renda.
Ainda assim, autoridades do Fed podem se sentir mais inclinadas a ignorar um choque temporário do petróleo caso surjam mais sinais de que consumidores — especialmente os de menor renda – estão sofrendo com preços mais altos e um mercado de trabalho mais fraco.
Leia também: Diretor do Fed diz que inflação não é problema e aposta em cortes de juros com apoio da IA
Economistas do Bank of America também avaliam que os mercados podem estar interpretando mal o cenário atual, ao presumir que o Fed priorizará automaticamente o combate à inflação.
Nos últimos dias, traders reduziram apostas em cortes de juros, passando a esperar o primeiro corte apenas em setembro, enquanto um segundo corte foi adiado para 2027.
“A reação do mercado ao choque no preço do petróleo tem sido majoritariamente hawkish”, afirmou Aditya Bhave, economista do Bank of America, em nota. Um Fed hawkish tende a priorizar o combate à inflação e manter juros elevados. “Isso pode ser um erro.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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